Pular a navegação e ir direto para o conteúdo


Endomarketing: o que quer o funcionário?

Publicado por Bruno Biscaia em 28.5.2009 na seção Empreendedorismo

, , , , ,

Endomarketing: o que quer o funcionário?É visível dentro de qualquer empresa o fato de que trabalhar com o recurso humano, estimulando-o e capacitando-o, é sem sombra de dúvidas uma das tarefas mais árduas para os administradores modernos, independentemente se o ambiente é um escritório ou se é um chão-de-fábrica. Lidar com as pessoas continua a ser o grande desafio das empresas e da cada vez mais informatizada sociedade.

A realidade é que, mesmo que os gestores de recursos humanos estejam andando a largos passos com relação ao desenvolvimento comportamental de seus colaboradores, é mais do que comum, especialmente hoje em dia, encontrarmos profissionais[bb] desmotivados e desinteressados. Permita-me abordar o exemplo que chamou a minha atenção para esse tema e que me fez redigir este artigo.

Na edição de maio da revista Você S/A (Editora Abril) foi veiculada a reportagem “Sem clima no hangar”, abordando um cenário de desmotivação de grande parte da equipe de engenheiros da empresa Embraer, com sede no interior do Estado de São Paulo. Segundo mostra a materia, a empresa já se dedica a reverter esse quadro com agilidade - espero que isso aconteça, já que se trata de uma empresa de sucesso, de grande prestígio e de importante participação no desenvolvimento da economia e da tecnologia do país.

No entanto, o intuito do texto não é discutir o problema dessa corporação ou aventar alguma solução para ele, mas fazer uma rápida abordagem sobre um elemento utilizado na motivação dos funcionários. A reportagem serve para ilustrar como qualquer empresa está sujeita a apresentar profissionais desmotivados. Aliás, em algum momento de sua vida você se viu desmotivado no trabalho ou percebeu alguém de sua equipe com esse sentimento? Pois, é! “Sim”!

O elemento em questão no texto é conhecido por alguns nomes distintos, mas que em suma possuem o mesmo objetivo: o reconhecimento e a valorização do público interno. Vejamos.

Endomarketing, Marketing Interno, EstusiasMarketing, In Marketing, “Vender o peixe pro funcionário"
Conhecido por todos esses nomes (e outros que ainda desconheço), o endomarketing é o investimento no recurso humano da empresa com o intuito de motivá-lo, para que assim ele atinja o ponto máximo de eficiência enquanto empregado eficaz e ajude a disseminar a marca e a filosofia da empresa entre seus pares.

“Entendemos que a empresa deve ter como preocupação básica gerar entusiasmo pelo que se faz e pelo atendimento ao cliente. (...) A falta disso, por outro lado, pode ser fatal, pode gerar perdas e prejuízos. Não esqueça de que cada funcionário está o tempo todo fazendo ou desfazendo o marketing da empresa onde trabalha.”
Augusto Nascimento e Robert Lauterborn.

Neste sentido, as ações utilizadas pelas corporações são as seguintes:

  • Promover palestras e treinamentos;
  • Incentivar a boa comunicação interna, como por exemplo, através de um jornal interno, happy-hour, intranet etc.;
  • Satisfazer o funcionário com benefícios como, por exemplo, os famosos “vales”;
  • Realizar, com certa periodicidade, pesquisas de opinião.

Embora tudo isso seja mais do que muitas empresas apresentam, sempre há algo mais que pode e deve ser feito. A intenção maior é a de que o colaborador se orgulhe de trabalhar ali, que veja um bom significado para sua função e que ame a sua empresa.

“Quando o amor e a habilidade trabalham juntos, espere uma obra de arte.”
John Ruskin – Pensador, crítico e poeta britânico

"O idealismo do amor é o novo realismo da empresa. Construindo respeito e inspirando amor, a empresa pode transformar o mundo."
Kevin Roberts - CEO Mundial, Saatchi & Saatchi

Para alcançar esse amor e fazer bom uso do endomarketing, deve-se, segundo os especialistas, obter uma interação entre as áreas de Marketing e de RH, podendo-se fazer uso:

  • De uma política de premiações por metas alcançadas;
  • De incentivo a sonhos[bb] pessoais;
  • De fixação de metas, colocando outros pontos além do lucro, como objetivos principais da empresa;
  • O que mais? Que tal me ajudar a completar esta lista?

Assim, mostrar aos colaboradores não só o faturamento que está por trás da meta alcançada, mas também as diversas conseqüências dessa meta (ambientais, sociais e culturais) pode fazer muita diferença. Significa fazer toda a corporação enxergar que  a todo momento ela vende sonhos, necessidades e/ou possibilidades.

Vejamos alguns simples exemplos: O Google dá ao seu empregado a possibilidade de transformar o mundo online, de usar parte do seu tempo para projetos pessoais e também de interagir com o ambiente de trabalho de forma natural. Isso e muito mais. E o Dinheirama? O blog dá ao leitor a possibilidade de realizar seus sonhos através da educação financeira e do ato de poupar e investir constantemente.

Não se trata apenas do produto. Preocupar-se com esse lado que toca o sentimento é tão importante quanto preocupar-se com o lado que toca o bolso[bb] do colaborador de sua empresa. Será que nossas empresas estão preparadas para lidar com os anseios cada vez mais sofisticados, mas também pessoais e que visam também a realização como pessoa? Está colocado o desafio.

Referências:

  • Nascimento A.; Lauterborn R. Os 4 Es de Marketing e Branding – Evolução de conceitos e contextos até a era da marca como ativo intangível. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.
  • Roberts K. Lovemarks – o futuro além das marcas. Ed. M. Books do Brasil, 2005.
  • RH e Marketing - Entrevista – Você RH

------
Bruno Biscaia
já atuou nos setores de Marketing de Eventos e de Planejamento e Controle da Produção. É estudante de Engenharia de Produção Mecânica na Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) e edita a seção de Empreendedorismo do Dinheirama.

Crédito da foto para stock.xchng.


Imagem de Bruno Biscaia

Bruno Biscaia

Atuou nos setores de Marketing, de Eventos e de Planejamento e Controle da Produção. É estudante de Engenharia de Produção Mecânica na Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks) e edita a seção de Empreendedorismo do Dinheirama. No Twitter: twitter.com/BrunoBiscaia

Mais sobre Bruno Biscaia Outros textos de Bruno Biscaia

8 comentários

  1. Imagem do comentarista

    Parabéns pelo texto. Muito bom. Assim que li encaminhei para o RH da empresa que trabalho.

  2. Imagem do comentarista
    Luciano

    Bruno, vou dar uma idéia revolucinária para que todos os RHs usem: Deixem de inventar mais maneiras de motivação e cumpram somente as que já existem.
    São feitos várias pesquisas todos os anos, mas o que vimos é o aumento de insatisfação de todo o pessoal.
    São planilhas, regras, códigos, cursos, pesquisas de opinão, etc, e etc, e no entanto, o que queremos é tranquilidade e respeito para que possamos desenvolver nosso trabalho, e principalmente reconhecimento.
    E não só reconhecimento com aumentos e promoções, reconhecimento também com elogios no dia a dia. Portanto plano de saúde, vales, horário flexível, e etc, é muito bom, mas se vier acompanhado de respeito e reconhecimento, é muito melhor.

  3. Imagem do comentarista
    GRZA

    Concordo com o Luciano. Não adianta ter tantos beneficios e as empresas tratar seus funcionários como inferior ou sem importância. Respeito é muito importante no processo para motivar um funcionário.

  4. Imagem do comentarista

    Isso é de suma importancia mesmo. Estou trabalhando em uma empresa que considero um primor nesse quesito (Orange Business Services), a gente realmente se sente parte da empresa e tem um baita orgulho de trabalhar num ambiente tão legal.

  5. Imagem do comentarista

    Olá a todos, muito obrigado pela participação. Fico muito feliz que geramos um debate em torno desse assunto.

    Marcos Lara, muito interessante a sua atitude. Enquanto muitas pessoas apenas criticam a empresa em que trabalham, você tenta fazer parte do processo de melhoria, dando sua opinião direta para que ela se desenvolva. Precisamos de mais gente assim, não é mesmo?! Se me permite perguntar, qual foi a reação deles com relação a sua atitude e com relação ao texto? Obrigado por comentar. Seja sempre bem vindo.

    Luciano e GRZA, concordo com vocês que em alguns lugares, oferecem-se planos de auxilio, bônus, horário flexível, e que isso não valerá de nada, se não existir o básico: que é a existência de reconhecimento e de respeito, como vocês disseram.
    Não sei se vocês já tiveram acesso a estes dados, mas em 1959, Frederick Herzberg, apresentou uma teoria conhecida como a Teoria dos Dois Fatores, em que trata que salário, benefícios sociais, condições físicas e ambientais do trabalho etc. não são suficientes para motivar um profissional. No entanto, se esses elementos não estiverem presentes o profissional ficará desmotivado. Impressionante, não é mesmo?
    Assim, segundo Herzberg, para motivar um profissional, a empresa tem de conceder todos os vales, salários, bom ambiente etc., e fazer com que o profissional se sinta realizado pelo que faz, reconhecido pelo que faz, dentro de um progresso profissional e que tenha grandes responsabilidades para com sua empresa, além de se identificar com as suas tarefas. Ufa! Complicado, não é?!
    Mas, como eu já disse, essa teoria, existe desde 1959, além de outras muitas que vieram depois e que também são boas, e mesmo assim, muita gente ainda não aprendeu como se faz. Isso ocorre, não porque motivar o recurso humano é uma tarefa difícil e inclui muitas variáveis. Realmente, é uma tarefa muito complexa. Mas isso ocorre, porque há muita gente despreparada e desmotivada trabalhando com isso, e que provavelmente, desconhece muito do conhecimento que já foi produzido pelo mundo nessa área.

    Fabrício, muito bom você participar com seu comentário. O trabalho nos toma o dia todo, e às vezes até a noite. Portanto, nada mais justo que a dedicação para com o outro venha das duas partes, tanto do funcionário quanto da empresa.

    Mais uma vez, obrigado a todos. Grande abraço

  6. Imagem do comentarista

    [...] artigo foi escrito inspirado pelo texto “Endomarketing: o que quer o funcionário?”, do site Dinheirama. Quem me sugeriu a leitura foi o Guilherme Anselmo. Valeu, [...]

  7. Imagem do comentarista

    todas as opiniões, sobre o endomarketing são bastantes coerentes, estou fazendo um pequeno trabalho para nossa faculdade e gostaríamos de algo mais impactante para este momento sobre EMDOMARKETING, se alguem quiser contribuir para esta boa causa segue o meu msn, desde já agradeço a todos!

  8. Imagem do comentarista

    [...] Um erro freqüente no universo empresarial é a pouca ou nenhuma atenção ao endomarketing, ou marketing interno, desperdiçando assim uma ferramenta importante para a conquista da competitividade. O Bruno Biscaia, amigo e fã do empreendedorismo em suas diversas formas, já escreveu um ótimo artigo sobre o tema, intitulado “Endomarketing: o que quer o funcionário?”. [...]

Deixe um comentário

  • Fechar

    Os comentários e o teor das palavras aqui colocadas são de total responsabilidade de seus autores. Serão sumariamente excluidos os comentários publicados com e-mail anônimo (ou falso), de cunho preconceituoso ou racista ou que não estejam de acordo com o mínimo bom senso. Se quiser criticar, deixar sua mensagem de descontentamento ou desprezo faça-o usando seu nome e e-mails verdadeiros. O Dinheirama reserva o direito de publicar e(ou) apagar qualquer comentário que julgar inoportuno. Participe com decência da discussão! Obrigado.