Quando passei a escrever sobre educação financeira, algo de muito bom começou a acontecer em minha vida. A escrita passou a ter uma importância muito grande e, de alguma maneira, eu passei a usar muitos exemplos da minha vida como experiência a ser compartilhada com você, nosso leitor.

Algo que sempre me fez muito bem e que faz toda a diferença em meu trabalho é o bate-papo constante com quem se interessa pelo tema “finanças pessoais”.

Todos os dias tenho a oportunidade de conversar com pessoas por email, por telefone e até pessoalmente, e observo que a grande diferença entre quem consegue avançar na vida ou não é a maneira como lidam com os erros. Percebi que quem comete sempre os mesmos erros não se torna alguém bem-sucedido financeiramente.

É claro, a riqueza é muito mais um estado de espírito e uma escolha. Gosto de ver riqueza de verdade como uma maneira de enxergar a vida, não supervalorizando o papel que o dinheiro tem.

Algumas pessoas apenas dão valor aos aspectos financeiros da vida, sem notar a forma pouco ou nada humana que só a independência financeira pode propiciar. Uma vida rica vai muito além das posses financeiras.

Se não adianta nada “ser o homem mais rico do cemitério”, como bem alertou Renato De Vuono em seu artigo aqui mesmo no Dinheirama (veja a leitura sugerida abaixo), não podemos nos esquecer de que nosso bem-estar passa pela gestão eficiente e comprometida das finanças de casa.

O fato é que algumas pessoas não se dão conta que a repetição de alguns erros simplesmente as impede de prosperar.

Leitura sugerida: De que adianta ser o homem mais rico do cemitério?

4 Decisões que impedem seu sucesso financeiro e como evitá-las

E quais são os erros e decisões que sempre são cometidos e que costumam afastar as pessoas do caminho da riqueza e do bem-estar? Com base nas minhas observações, encontrei quatro decisões comuns e repetidas para muita gente.

Decisão errada 1: Esperar sempre o próximo mês ou a “hora certa” para investir

Investimento é, definitivamente, um tabu no Brasil: as pessoas não perceberam (ainda) que investir é indispensável para quem planeja viver mais e melhor (e com mais recursos).

A maior parte das pessoas trabalha muito e não se dá conta de como pensar no futuro é importante. Hoje é possível, com um pouco de planejamento e interesse, encontrar uma forma de ajustar o orçamento e, através de aportes mensais relativamente baixos, ter a chance de investir em produtos que oferecem retornos significativos.

Para quem descobre isso cedo e pode diversificar os investimentos, vale a pena conhecer mais de perto o mercado de ações e aproveitar os altos juros atuais no Brasil investindo em títulos públicos através do Tesouro Direto.

O fundamental é sair do discurso e não esperar o dinheiro “sobrar” para investir. Na verdade, seu dinheiro deve ser considerado como um dos principais compromissos, hoje, para o sucesso financeiro de amanhã.

Leitura sugerida: Aprender a investir pode fazer a diferença

Decisão errada 2: Acreditar que Título de Capitalização é um bom investimento

Já abordamos no Dinheirama diversas vezes os títulos de capitalização, mas a cada novo artigo recebemos muitos emails de pessoas que jamais pararam para analisar como é o real funcionamento desse produto.

A verdade é que trata-se de um produto que é vendido como um investimento, mas que oferece como única vantagem a participação em um sorteio – assim, este produto não pode ser encarado pelas pessoas como uma maneira inteligente de investir.

Ah, quem não gosta de ganhar um prêmio e receber um bom dinheiro? Se você acredita ser sortudo e entende que a característica do produto é essa, tudo bem. Do ponto de vista do retorno ao final do período, se você não ganhar nada seu dinheiro será devolvido com uma rentabilidade menor que a da caderneta de poupança (e, pior, menor que a inflação do período).

Sejamos realistas: afinal, quantas pessoas ganham o prêmio? Quantas dessas pessoas vocês conhecem? Se você decidir surfar na onda do título de capitalização pelo sorteio, tudo bem. Investimento real é outra coisa.

Leitura sugerida: A verdadeira face dos títulos de capitalização

Decisão errada 3: Não controlar o impulso na hora das compras

Desde que o país conseguiu avançar na estabilização de sua economia, tivemos a chance de experimentar um processo novo, a oportunidade de planejar os gastos sem que a inflação corroesse o poder de compra, situação muito comum e que acontecia em poucos dias, ou até mesmo em horas, em alguns períodos entre os anos 80 e 90.

O Plano Real, que foi vitorioso no combate da inflação, foi importante para que, entre outras oportunidades, surgissem opções para facilitar o crédito para os brasileiros.

O crédito fácil e o impulso em comprar (herança dos tempos de inflação, onde comprar rápido era a única saída) trouxeram vários problemas: muita gente passou adquirir dívidas enormes, que cresciam rapidamente como “bolas de neve” em razão dos altos juros praticados por aqui desde sempre.

As ferramentas de crédito de mais fácil acesso, como o cartão de crédito e o cheque especial, puxam a fila de pessoas que aprenderam, da pior maneira possível, que as compras por impulso não são a melhor alternativa para o bolso.

Por aqui defendemos, antes de tudo, o consumo consciente com base no bom planejamento e respeitando os limites e prioridades do orçamento doméstico. Agir assim ajuda a evitar o descontrole e o endividamento excessivo e aproxima do sonhado sucesso financeiro.

Leitura sugerida: Compras por impulso: bom para quem?

Decisão errada 4: Deixar de pensar e planejar o futuro

Você também já percebeu que estamos vivendo mais? Não é nem preciso acompanhar de perto as pesquisas do IBGE para perceber isso: hoje, felizmente, é comum observarmos pessoas mais experientes ocupando posições de destaque na sociedade e, mesmo em casa, observamos amigos e parentes vivendo bem a chamada terceira idade, com mais qualidade de vida e disposição.

Os aposentados que dependem da Previdência Oficial são constantemente matéria de revistas e jornais, com dados interessantes sobre como conseguem sobreviver com o valor que recebem do governo.

Para a grande maioria, é impossível conseguir manter o mesmo padrão de vida sem ter que continuar trabalhando ou sem depender da ajuda de familiares e entidades de apoio (caridade, asilos, doações etc.).

Se hoje a situação já é delicada, o que devemos projetar para o futuro, para daqui 10, 20 ou mais além, 30 anos? Teremos mais gente vivendo mais e, consequentemente, mais pessoas entrando no sistema previdenciário para ter direito a se aposentar.

Do jeito que as coisas estão, a equação é clara e assustadora: expectativa de vida maior, mais gente recebendo benefícios e menos pessoas contribuindo com o sistema. Se a conta agora já não fecha, como resolveremos a situação no futuro?

Certamente, em algum momento acontecerão reformas no sistema, e você já ouviu bastante essa história também, certo? Sempre que tenho oportunidade de tocar no assunto, faço de bom grado, pois é um problema que precisamos enfrentar o quanto antes.

O que fazer então? Duas coisas: esquecer essa ideia de aposentadoria tradicional e construir, hoje, o próprio futuro. É importante mudarmos nosso horizonte para o longo prazo e a principal atitude neste sentido é começar a investir o quanto antes para os projetos de vida que teremos lá frente.

Ao continuar cometendo o erro de abrir mão de pensar e planejar o futuro, como se ele estivesse “longe demais”, o resultado será catastrófico: o futuro vai chegar e você vai se arrepender. O sucesso financeiro não vem, ele é construído.

Leitura sugerida:No longo prazo, todos seremos (podemos ser) milionários.

Conclusão

Ninguém gosta de errar, é verdade, mas isso não é uma opção. Errar de novo, de novo e de novo sim é um hábito horrível, e a boa notícia é que isso pode ser mudado. Aprender com os próprios erros (e com os dos outros) é parte essencial do amadurecimento e da vida.

O grande problema é que errar com grana é abrir mão de uma vida mais tranquila, segura e confortável, principalmente no futuro. O erro por ignorância machuca mais porque não nos permite a correção imediata, então olhe com carinho para suas decisões de consumo e veja se tudo foi feito com base no planejamento sincero e coerente.

E os investimentos, como estão? O que aconteceria se, de um dia para o outro, você perdesse seu trabalho? Quanto tempo conseguiria manter o padrão de vida atual? Como espera que seja sua aposentadoria, seja lá o que isso signifique? Será feliz e sem problemas financeiros?

São perguntas que não são fáceis de responder, mas que devem ser encaradas de maneira séria e honesta – só assim as atitudes para corrigir os erros serão tomadas, antes que seja tarde demais. Obrigado e até a próxima.

Foto “Crossroads”, Shutterstock.

Ricardo Pereira
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