Por Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial.

Caro leitor, por favor não me lance pedras por conta do título deste artigo. Não antes de ler a minha argumentação. Aqueles leitores politicamente corretos talvez queiram me confinar em um gulag tropical para reeducação social.

Um parêntesis informativo sobre gulags: estima-se que mais de um milhão de pessoas morreram nos gulags de reeducação soviéticos entre 1934 e 1953 – mas na Rússia atual ninguém ousa criar uma Comissão da Verdade. Poderia obviamente estender esse parêntesis citando casos semelhantes de doutrinação cultural assassina em outras ditaduras de esquerda e de direita bastante conhecidas. Melhor não. Fecha parêntesis.

Digo que não necessito disso, e além do mais, enquanto a democracia e o seu principal pilar que é a liberdade de expressão existirem, não me calarei. Assim, acompanhe meu raciocínio e as reflexões dele depreendidas.

Para começar, pondero que ao defender o valor econômico da ambição, me refiro a uma dinâmica onde o processo é justo, sério e dotado da ética necessária para o distanciamento total da ilegalidade. Falo, portanto, do aspecto positivo de querer mais.

Ah, sim, é claro que espero mais do que isso, mas crer na construção de uma sociedade perfeita é um utópico demais e, assim, prefiro me conformar com o campo do possível. Vamos lá.

A bota do pensamento único pouco a pouco nos impõe um molde. Nele, não há espaço para críticas, para a real diversidade de pensamento e quem tenta fugir do padrão estabelecido da “luta social pela igualdade” imediatamente recebe o seu carimbo, que sempre objetiva o estigma e a discriminação.

Com isso, empobrecemos no campo das ideias e, consequentemente, no universo da inovação e do progresso (oh, palavra feia!). Contudo, não foi dessa forma que as grandes civilizações e as grandes nações se fizeram e se fazem – inclusive retirando milhares de pessoas da linha de pobreza e penúria material.

Sugiro ao leitor uma viagem pelo mosaico de conteúdos veiculados em toda a mídia – e é bom deixar claro que defendo uma imprensa que possa sempre veicular o que bem entender – para, em seguida, se tiver coragem, fazer uma avaliação crítica. Clique aqui para ler mais sobre o que penso da imprensa.

Uma simples navegada com o seu controle remoto junto com uma boa e diversificada passada de olhos em veículos impressos e eletrônicos, excetuando-se honrosas exceções como esse veículo aqui – até porque caso contrário seria impossível a publicação de um artigo com esse título feio – e garanto que tudo estará ali, menos diversidade. Trata-se de uma concentração entediante.

Ninguém ataca a excessiva e complexa regulação que esmaga com burocracia e confusão o cotidiano empresarial. Ninguém quer ausência de regras, mas apenas regras claras e sem excessos.

Nada se fala sobre a legislação trabalhista defasada e distanciada da realidade, e muito menos sobre os abusos contra o empregador. Nada se comenta sobre a solidão e o esforço darwiniano que é colocar um sonho empresarial em órbita e dele tirar o seu sustento, e porque não, graças a ele ser premiado pelo justo e merecido conforto.

No lugar disso, a todo tempo, somos esmagados por uma mensagem contínua onde a ambição se transforma em palavrão proferido no domingo de Páscoa. Enquanto isso, ninguém discute um roteiro sério para deixarmos de ser emergentes (eu já dei minhas sugestões, clique aqui para lê-las).

A sensação que se tem é de que nenhum empreendedor ou executivo alimenta qualquer ambição pelo êxito econômico do seu negócio, ou em ganhar dinheiro e curtir a vida com isso. Ou seja, ele toma risco, trabalha como um condenado, simplesmente para depois distribuir os ganhos ou aplicá-los em algum trabalho social ou iniciativa ambiental, é claro.

Convenhamos, não foi a falta de ambição que permitiu o acesso e popularização da tecnologia portátil e hoje nas mãos de qualquer indivíduo mundo afora (tablets, smartphones e afins).

Ora, não foi a socialização dos ganhos que fizeram com que empreendedores alemães, suecos e norte-americanos ganhassem espaço e fortunas com a tecnologia aplicada à medicina diagnóstica, que graças a escala atingida torna-se cada vez mais acessível às camadas de baixa renda.

Não foi a aversão ao lucro de permitiu os estudos de materiais na indústria, permitindo a popularização sem precedentes de produtos de consumo e acesso ao conforto. E nem tão pouco é a rejeição ao sucesso econômico que move o agronegócio, massificando o acesso popular.

Na história das mundialmente populares redes sociais, a lógica não foi diferente. Buscando lucros e ganhos, transformaram a forma de se fazer política, viabilizaram protestos contra ditaduras sanguinárias e permitiram o exercício de uma liberdade de expressão sem precedentes.

A verdade é que políticas de combate à desigualdade social são fundamentais em qualquer sociedade moderna e certamente podem operar como veículo de potencialização econômica. Da mesma forma, cuidados ambientais tornam-se indispensáveis para um futuro próspero e confortável que se sustente.

Contudo, um Real em uma economia lotada de homens e mulheres cheios de ambição vale muito mais do que em uma economia autofágica tomada de assalto pelo remanso, a acomodação e a utopia de que somos todos totalmente iguais e igualmente merecedores de tudo o que poderia ser produzido – isso caso alguém tenha coragem de produzir algo nestas circunstâncias, naturalmente.

Você também acredita que precisamos incentivar um cenário empreendedor e com motivações associadas à ambição para crescermos cada vez mais? Eu publiquei 16 atitudes para vencermos na economia brasileira (clique para ler). Deixe sua opinião no espaço de comentários abaixo. Obrigado e até o próximo.

Foto “Ambitious business man”, Shutterstock.

Plataforma Brasil
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