Na semana passada conversei com um grande amigo sobre um assunto que fascina muita gente: a sonhada independência financeira. Quem é que não quer um patrimônio financeiro que cresça mês a mês, que esteja protegido da inflação e que seja capaz de gerar renda para manter o padrão de vida desejado?

Ele me disse: “Eu quero alcançar essa independência financeira. O que tenho que fazer?” Então mostrei para ele esta figura, que representa o fluxo gerador da independência financeira. Vou usá-la para explicar para você também, e durante a leitura, farei referências usando [colchetes] para cada um dos pontos em amarelo na figura.

Aprenda a construir a sua independência financeira (sim, você também pode!)

 

Manutenção do padrão de vida

Quando começamos a trabalhar, recebemos nossos primeiros pagamentos [1]. Então usamos esse dinheiro para manter nossa vida [2], que dependendo de nossas necessidades e desejos, geram mais ou menos gastos [3].

Reservas financeiras

Se você for uma pessoa educada financeiramente, jamais irá gastar [3] mais do que você ganha [1], e terá a disciplina para guardar parte dos ganhos [1]. Sugiro que você guarde ao menos 20% de tudo o que ganha e comece a montar sua reserva financeira [4].

Essa reserva servirá para os momentos de emergências [5], como desemprego, um tratamento médico e etc. Que tal 12 vezes o valor dos seus ganhos [1]? Assim você tem um ano de sustento em caso de desemprego. Um bom seguro, não é mesmo?

Esta reserva [4] precisa estar aplicada em algum investimento que tenha rentabilidade acima da inflação e que tenha liquidez diária. Dessa forma, enquanto não for utilizada, ela renderá juros [6], formando uma segunda fonte de renda para você. Perceba que aqui seu dinheiro começa a trabalhar para você.

Este é o primeiro estágio da independência financeira, onde você já tem o seu próprio seguro contra imprevistos e desemprego.

Leitura recomendada: Seja um cientista dos investimentos (enriqueça aprendendo sempre mais)

Aplicações financeiras

Após completar o valor de sua reserva financeira [4], você deve destinar aqueles 20% dos seus ganhos [1] e todo o lucro [6] da reserva financeira para começar seus investimentos [7].

Você fará aplicações financeiras conforme o seu perfil de risco, colocando mais ou menos dinheiro na renda fixa ou variável, lembrando que menores riscos trazem menores retornos e vice-versa. O retorno obtido com estas aplicações financeiras [8] formarão sua terceira fonte de renda, fortalecendo seu fluxo financeiro.

Com o tempo, suas aplicações financeiras aumentarão. Você ficará menos dependente do seu emprego na medida em que o rendimento [8] dessas aplicações aumentar.

Continue mantendo este fluxo ativo, destinando os 20% dos seus ganhos [1] para as aplicações financeiras [7] (uma vez que o “tanque” da reserva financeira já está completo), e reinvista todo o rendimento [8] das próprias aplicações nelas mesmas ou na alternativa a seguir. Este é o segundo estágio da independência financeira.

Suas aplicações devem continuar sempre crescendo; quando elas gerarem um lucro que seja suficiente para manter o padrão de vida da família e ainda proteger o patrimônio da inflação (e mantê-lo crescendo), então você terá atingido o último estágio da independência financeira, e não precisará mais de gerar renda com seu trabalho [1].

Novos negócios

Uma opção para uso dos 20% que você irá separar dos seus ganhos é a criação de novos negócios [9], que por sua vez irão gerar lucros [10], criando mais fontes de renda para você. Isso irá depender do seu perfil empreendedor e também de sua disponibilidade de tempo.

Leve também em consideração os riscos envolvidos com um negócio próprio. Se você “errar a mão” poderá perder todo o dinheiro investido e terá que começar novamente do zero suas aplicações.

Ainda assim, se você for jovem, recomendo este caminho, pois haverá tempo para você se recuperar, e no caso de acerto, você poderá acelerar muito seu caminho para a independência financeira.

Há ainda a possibilidade de combinar o uso das aplicações financeiras [7] com novos negócios [9] da forma que melhor lhe convier. O importante é criar mais fontes de renda, como estas apresentadas [8] e [10] e reinvesti-las para manter o ritmo de crescimento do patrimônio.

Leitura recomendada: Pense menos em quanto você ganha e mais em Patrimônio

Faça manutenções regulares no seu fluxo financeiro

Agora que você já entendeu o fluxo gerador da independência financeira, atenção com essas duas tarefas durante o processo:

1. Fique de olho na economia do país e do mundo. Se os seus investimentos estão na renda fixa, será importante você acompanhar a taxa de juros (SELIC) e a inflação (IPCA). Se seus investimentos estão na renda variável, pressupomos que você já tenha algum conhecimento sobre a bolsa de valores e consequentemente acompanha esse mercado de perto. O importante aqui é saber que as economias da nação e do mundo são dinâmicas e com isso você precisará fazer ajustes nas suas aplicações financeiras sempre que necessário, com o objetivo de manter os melhores retornos possíveis [6] e [8];

2. Use o tempo e a disciplina para alcançar sua meta. A disciplina está entre os requisitos mais relevantes para uma vida financeira de sucesso. Se ela for aliada ao tempo, os juros compostos (que são os juros sobre os juros) irão acelerar o crescimento do seu patrimônio. Quanto maior o tempo, maior o efeito multiplicador dos juros compostos. Então comece logo a colocar toda essa máquina para funcionar.

Cuidado com o seu padrão de vida

Há um ponto neste fluxo financeiro que pode colocar tudo a perder, e muita gente faz isso. É aquela torneira malvada dos gastos [3]. Quanto mais essa torneira estiver aberta, menores serão as chances de o restante do fluxo ser bem alimentado, e o que faz ela jorrar é o nosso padrão de vida.

Quando suas fontes de renda aumentarem e você ver sua reserva financeira cheia e suas aplicações crescendo mês a mês, as tentações aparecerão. Uma TV mais moderna (ainda que sua esteja ótima), um carro mais novo (ainda que o seu te sirva bem), mudar para um apartamento ou casa maior (ainda que a família continue do mesmo tamanho), e por aí vai.

Nestes momentos, lembre-se do seu objetivo – a independência financeira – e não deixe suas emoções traírem a sua razão. Aliás, entenda que quase todas as nossas decisões de consumo são emocionais, portanto é fundamental aprender a controlar isso.

Leitura recomendada: Não Deixe o Consumismo Acabar com a Sua Vida e Suas Finanças!

Conclusão

O modelo de fluxo financeiro apresentado é apenas uma proposta. O objetivo maior deste texto é ensinar o raciocínio que deve ser utilizado. Há muitas variações possíveis deste cenário, e também muitas surpresas que a vida nos reserva.

No entanto, é fato que a independência financeira está disponível para todos. Alcançá-la tem muito mais a ver com as nossas decisões do que com fatores externos. Pense nisso e até a próxima!

Foto “happy family”, Shutterstock.

Giovanni Coutinho
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