Brasil, um país de endividadosOs últimos meses têm sido de muita agitação por aqui. Muito trabalho, muito estudo, muita leitura e muitos fatos. Adoro fatos! Acredito que através deles somos capazes de compreender a realidade que nos cerca e definir que medidas importantes devem ser tomadas para nos movermos, com o objetivo de deixar para trás os problemas. O brasileiro é um povo resiliente, que não desiste nunca, não é? Nem tanto.

Lutamos por melhores condições de vida e trabalho, somos guerreiros. É verdade. Lutamos pelas nossas famílias, para que possam viver dias melhores. Verdade. Nunca desistimos de lutar por nossos direitos e por melhores condições comerciais e financeiras nas negociações em que participamos. Ahn, eh, como assim? Se lutamos para pagar menos, pagar melhor, para viver dentro do orçamento, para ter dinheiro[bb] sempre? Blah, que nada!

Continuamos nos endividando de forma irresponsável, seja por pura ignorância financeira ou pela “armadilha do crédito fácil”, atualmente em voga na vida de todos nós. A manchete de ontem (22 de junho de 2008) do jornal Folha de S. Paulo, “Endividamento cresce 47% em 26 meses”, dá a dimensão do problema. De novo, a questão é grave e merece nossa atenção.

Vejamos o que alguns dados do Banco Central evidenciam (lembre-se, isso são fatos):

  • Mais de 15 milhões de clientes de bancos têm dívidas acima de R$ 5.000,00, número 47% maior que o medido em dezembro de 2005 e 13,6% maior que a marca alcançada um ano atrás;
  • São 80 milhões de clientes com alguma dívida, mesmo que pequena;
  • Cada consumidor tem, em média, 3 débitos diferentes (carro, casa e empréstimo);
  • O uso do rotativo do cartão de crédito (não pagamento integral da fatura) cresceu 30,4% nos últimos 12 meses, ficando atrás apenas do crédito consignado (crescimento de 31,9%);
  • A dívida das pessoas fisicas com os bancos somam R$ 442,4 bilhões. Desse total, 33% (R$ 146 bilhões) vencem em até 180 dias e 16,8% (R$ 74,7 bi) vencem em até 360 dias.

Saem os fatos, entra a opinião
O nível de inadimplência não apresentou alta e permanece entre 6% e 10% no âmbito geral. Parece pouco, mas não é. Dever é ruim, dever e não pagar é muito pior. O especial sobre endividamento da Folha traz depoimentos de pessoas que sofreram com a onda consumista, contraíram dívidas altas e hoje vivem com grande parte de seu salário comprometido. Paulo de Araujo, um dos jornalistas responsáveis pela reportagem, alerta que:

“A expansão do crédito estimula a economia, mas ao mesmo tempo leva os consumidores a um beco sem saída. Após a gastança, incentivada pelo crédito farto, muitos se vêem atolados em dívidas e acabam vivendo um pesadelo. A pressão das empresas de cobrança, a baixa auto-estima e até mal estar físico fazem parte do relato dos endividados”

Se todos os devedores de hoje viram a auto-estima se abalar por não ter o bem desejado dias ou anos atrás, hoje têm nela problema ainda mais grave. A baixa auto-estima decorrente das dívidas é mais danosa que aquela gerada pela necessidade de status e afirmação na sociedade. As saídas para situações de endividamento – críticas ou não – passa por duas importantes atitudes:

1. Tenha um planejamento financeiro. Sempre. Cuide do seu dinheiro[bb] de forma honesta e inteligente. Se tem dinheiro para comprar, compre. Se não tem, não compre. Endividamento bom existe, mas é assunto para empresários e pessoas com razoável conhecimento de matemática financeira[bb] e finanças. Eu, você, seu irmão ou vizinho devemos evitar a dívida. Nosso mundo é mais simples: comprar quando se tem dinheiro.

2. Dê um basta nas tais “armadilhas” do crédito. Seu gerente do banco é bonzinho, sempre trata você e sua família com cordialidade e adora pedir “favores”, não é? Ah, claro, ele sempre tem ótimas condições para empréstimos, convencendo-o a tomá-los ainda que você não tenha necessidade. Pois é, ele é um profissional tentando sobreviver. Você, a outra ponta, deve fazer o mesmo, o que exige uma atitude bastante simples: agradeça os freqüentes contatos, mas diga NÃO!

O Dinheirama já publicou outros artigos sobre endividamento[bb], repletos de dicas e opiniões para aqueles que desejam se livrar de tantos credores. Confira:

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Crédito da foto para stock.xchng

Conrado Navarro
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