Instalada em dezembro de 2023, mas em atividade há pouco mais de um mês, a comissão parlamentar de inquérito (CPI) instituída para investigar os danos ambientais causados em Maceió pela empresa petroquímica Braskem (BRKM5) lançou um hotsite para receber e registrar perguntas e relatos das vítimas da catástrofe.
O hotsite da CPI da Braskem criado com um objetivo específico e por tempo determinado é vinculado à página do Portal e-Cidadania (legis.senado.leg.br/relatoscpibraskem).
O canal já está recebendo interações como:
- questionamentos sobre a situação dos moradores que ainda estão na região afetada, mas não na área de risco;
- se a empresa está efetivamente ajudando as vítimas;
- como as autoridades e a empresa lidam com as necessidades dos afetados;
- qual o valor a ser pago como indenização; e
- como tem sido feita a fiscalização por parte do governo, entre outros.
Um dos principais objetivos da CPI é assegurar a justa reparação aos afetados pelos danos ambientais iniciados em 2018 em Maceió, causados pela exploração do mineral sal-gema pela empresa petroquímica Braskem.
A extração do mineral acontece desde os anos 1970 nos arredores da Lagoa Mundaú, na capital alagoana. A partir de 2018, os bairros Pinheiro, Mutange e Bom Parto, entre outros que ficam próximos às operações, começaram a registrar danos estruturais em ruas e edifícios, com afundamento do solo e a formação de crateras.
Mais de 14 mil imóveis foram afetados e condenados, e cerca de 60 mil pessoas foram prejudicadas, sendo que a maioria precisou deixar a região.
Trabalhos
Com a presidência do senador Omar Aziz (PSD-AM) e relatoria do senador Rogério Carvalho (PT-SE), a CPI da Braskem instituída a partir de proposta apresentada pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) já ouviu depoimentos de várias pessoas relacionadas diretamente ao caso, assim como especialistas na área.
O colegiado também promoveu uma série de quebras de sigilos e aprovou acareação e pedidos de informação.
Engenheiro civil e professor aposentado da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Abel Galindo Marques afirmou que a Braskem não tomou as devidas precauções com relação aos riscos particulares da abertura de minas nas camadas de sal-gema no subsolo.
A professora da Ufal Natallya de Almeida Levino disse à CPI que a tragédia não se restringiu aos moradores que perderam as casas, mas causou sérios impactos econômicos e urbanísticos, como o encarecimento dos imóveis após o aumento da demanda.
José Geraldo Marques, que era morador do bairro Pinheiro, criticou a indenização oferecida por termo apresentado pela empresa aos atingidos.
Ex-servidor do Serviço Geológico do Brasil (SGB), Thales Sampaio disse ao colegiado que a Braskem tinha equipe reduzida e não fez os monitoramentos necessários nas minas de extração de sal-gema para garantir a segurança do solo de Maceió.
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Já o diretor-geral da Agência Nacional de Mineração (ANM), Mauro Henrique Moreira Sousa, salientou que a Braskem recebeu 11 multas no valor total aproximado de R$ 40 mil reais decorrentes de infrações.
Ele está na lista dos que tiveram quebra de sigilo bancário aprovado pela CPI.
Assim como Sousa, o outro diretor da ANM, Roger Romão Cabral, e o ex-diretor de fiscalização do extinto Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM), Walter Lins Arcoverde, defenderam que a ANM e o DNPM tinham capacidade de fiscalização reduzida em razão da falta de recursos humanos, da falta de especialização técnica em algumas áreas e de restrições orçamentárias.
O secretário da Defesa Civil de Maceió, Abelardo Pedro Nobre Júnior, afirmou que o monitoramento das minas da empresa só foi iniciado a partir de 2019, ano em que a mineradora foi obrigada a interromper as atividades de extração de sal-gema.
Diretor-presidente do Instituto do Meio Ambiente (IMA) desde 2015, Gustavo Ressurreição Lopes afirmou que o órgão já realizou 20 autuações da Braskem, até por omissão de informações.
O ex-secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia (MME) Alexandre Vidigal de Oliveira criticou, em depoimento, a falta de orçamento para as ações de fiscalização e monitoramento da extração de sal-gema em Maceió.
Justiça
Odefensor público da União Diego Bruno Martins Alves e o defensor público do Estado de Alagoas Ricardo Antunes Melro disseram ao colegiado que os acordos indenizatórios individuais firmados com os moradores atingidos foram “os possíveis”, mas que podem ser revisados.
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Conforme o Ministério Público Federal (MPF), estudos do Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM) concluíram que a empresa petroquímica Braskem foi a responsável pelos danos ocorridos desde 2018.
O MPF atua em quatro processos judiciais relacionados ao caso e busca a responsabilização da empresa por diferentes tipos de danos, como ao meio ambiente, à urbanização, à economia. Alguns acordos foram assinados com a Braskem como resultados desses processos judiciais para que houvesse mais rapidez na reparação dos danos.