Na última semana, ao levar minha filha para a escola, fui parado por outro pai que conhece um pouco do meu trabalho e queria saber a respeito do tema “mesada”: ele queria saber se “dar dinheiro e conselhos financeiros aos filhos era ou não uma forma inteligente de começar a incluir o tema educação financeira na vida dos filhos”. Não vou reproduzir os diálogos que tive, mas acredito que vale a pena abordar esse tema mais uma vez por aqui, de uma forma muito franca e natural.

Quando pensamos em educação e crianças, independente se o tema é dinheiro ou não, o grande diferencial está no exemplo que o adulto representa. Isto é, na possibilidade de ensinar mais pelas ações que pelas palavras.

Em relação ao dinheiro, sou favorável em adotar a mesada (ou semanada), desde que a remuneração que a criança irá receber venha acompanhada de orientações e, principalmente, bons exemplos.

Leia mais: Mesada: hábitos financeiros saudáveis ensinados desde cedo

Minha experiência, a vida real

Como mencionei acima, tenho uma filha, ela já não é tão pequena, mas desde cedo percebi e me impressionei com a capacidade de assimilação que as crianças ainda pequenas possuem, eles aprendem tudo muito rapidamente.

Minha filha, começou a guardar dinheiro desde os três anos. Desde então  ela guarda as moedas que recebe dos tios e avós e colhe os resultados: no último natal conseguiu guardar mais de R$ 300 e teve a oportunidade de comprar um presente que ela mesma escolheu.

E não foi só isso. Ela comprou o presente, tomou um lanche no lugar que ela mesma escolheu e sobrou pouco mais de R$ 100,00 que ela, em comum acordo comigo e minha esposa, resolveu colocar em uma reserva. Incrível.

Decidi dar este pequeno testemunho para mostrar que é fundamental que a criança perceba, desde cedo, que o assunto dinheiro não precisa ser algo “estranho”. Pelo contrário, ele faz parte da pauta do dia a dia familiar. Ao acompanhar os gastos e sonhos de consumo de minha filha, tive a chance de ajudá-la a utilizar o dinheiro guardado com inteligência e vê-la agir de forma a não gastar tudo, pensando no futuro, em uma nova formação de poupança para outros sonhos e objetivos.

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Exemplos valem mais do que dinheiro (mesada)

A mesada precisa vir com o mesmo pensamento de prática, formação do cidadão e união: os pais, ao invés de se preocuparem com o valor ideal, precisam encontrar a forma ideal de utilizar a ferramenta dentro de um conceito de aprendizado.

Condeno o uso da mesada de forma condicionada às punições. Quando a criança comete um deslize, o mais correto é sempre sustentar o diálogo.

Ao utilizar o corte da mesada como uma punição você poderá cometer um grande erro, afinal a criança ou o adolescente tem uma programação financeira, com sonhos, objetivos e compromissos. Você também os tem e não gostaria de, ao cometer uma falha, ter um percentual descontado de seu salário. Certo?

Alguns pais utilizam ainda a compensação financeira para indenizar a falta de tempo, presença ou apoio na vida do filho. Esse não é, definitivamente, o papel do dinheiro. Se você está nessa situação, entenda que seu filho precisa mais de sua presença, apoio e orientação que de dinheiro.

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Franqueza e simplicidade: armas do sucesso financeiro

A grande verdade é que não existe uma receita pronta, afinal não estamos falando de um bolo.

Acredito que, aos poucos, o dinheiro da mesada pode ser utilizado para o pagamento da maioria das despesas da criança, jovem ou adolescente, minha filha já está entrando nessa fase.

Incluam no pacote as despesas com escola e lazer e dessa forma ele saberá que esse valor será descontado da mesada, percebendo o quanto esses itens custam – aprendem a valorizar o esforço no trabalho.

A grande dica que posso dar é sempre utilizar de franqueza e simplicidade quando o assunto for dinheiro e as crianças estiverem por perto. Agir de forma natural, e não lembrar das finanças só quando o dinheiro for um problema. Nosso papel é fazer com que as novas gerações entendam que ter sucesso nas finanças não é pecado. Vamos em frente?

Ricardo Pereira
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