Analistas de mercado, empresários e investidores não veem a hora de enterrar o ano de 2015. Após o pior ano da econômica brasileira desde 1990, todos se perguntam quando o país será capaz de superar a crise que enfrenta hoje e voltar a crescer.

Enfrentamos o pior cenário nos primeiros dez meses de 2015: escândalos políticos, demissões e planos de redução de salários em massa, aumentos de preços de produtos e serviços básicos administrados pelo governo, como água, luz e combustíveis, dentre outras coisas.

Na visão de muitos especialistas, o Brasil pode começar a superar a crise em ritmo lento no segundo semestre de 2016, mas essa possibilidade ainda depende muito de algumas coisas, principalmente:

  • Do andamento das investigações da Operação Lava Jato;
  • Da capacidade de o governo melhorar a relação conturbada e a fragmentação política com o Congresso;
  • Da habilidade para superar a crise política;
  • Do controle da inflação;
  • De reconquistar a confiança do empresariado;
  • De determinar as medidas de ajuste fiscal necessárias observando os mecanismos da Lei de Responsabilidade Fiscal.

O trabalho não vai ser fácil, e muitos acreditam que a crise será ainda mais duradoura.

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Esforço fiscal: o país precisa arrumar as contas e reduzir gastos

O esforço fiscal que o Governo precisa imprimir no país em conjunto com as iniciativas microeconômicas serão fundamentais para equilibrar a economia brasileira e aumentar a produtividade e a retomada do crescimento do Brasil.

No entanto, só vamos sentir a diferença de fato a partir de 2017 (isso se tudo der muito certo). Para superar esse desafio e voltar a crescer, algumas questões são importantes e merecem ser discutidas com seriedade:

  • O câmbio desvalorizado estimulará a indústria exportadora e ao mesmo tempo irá incentivar o consumo de produtos domésticos, uma vez que os importados ficarão mais caros;
  • Durante a crise, a exportação de calçados caiu 40%, a queda de automóveis e de aço foi de quase 50% e alguns setores de bens de capital, a queda chegou a 60%. É fundamental que a exportação se recupere, principais nos setores industriais;
  • Precisamos explorar o potencial do agronegócio, um dos poucos setores que, mesmo no cenário de crise, manteve números expressivos;
  • O consumo voltará a ser incentivado com a inflação voltando a ficar dentro da meta. Dessa forma, os juros poderão voltar a cair e baratear o crédito;
  • O Governo precisa fazer reformas estruturais, com destaque para as áreas tributária, da previdência e trabalhista com o objetivo de criar oportunidades para investidores nacionais e estrangeiros;
  • A volta do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, a soma de bens e serviços produzidos no Brasil), que caiu muito durante essa crise política e econômica.

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Conclusão

Todos os indícios dão conta de que vencer a crise será um processo lento. Além das nossas questões internas (muito delicadas), as dificuldades no exterior também trarão impacto: a desaceleração da economia chinesa e a provável elevação dos juros nos EUA nos próximos meses são aspectos que merecem destaque neste sentido.

Precisamos estar atentos e lembrar que mesmo durante a crise existem boas oportunidades, começando pelos produtos de renda fixa, como as Letras de Crédito (LCI e LCA) e o Tesouro Direto, chegando até os investimentos em ações de boas empresas que com o tempo e a melhora da economia podem ter expressiva valorização.

Em outras palavras, o desafio do Brasil é bem grande, mas para o investidor atento essa crise também traz oportunidades.

Foto “Brazilian boy”, Shutterstock.

Ricardo Pereira
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