Se você tem algum dinheiro investido e está por aqui em dúvida sobre sair da renda fixa, provavelmente tem grande parte do patrimônio justamente em ativos conservadores. Calma. De forma objetiva, o mundo da renda fixa não acabou. E não vai acabar.

O momento econômico do Brasil é único. O desemprego segue elevado, enquanto a inflação está sob controle (poucos podem consumir mais); enquanto o dólar está em um patamar elevado, a confiança em geral vem melhorando e a Taxa Selic está em 5,5% ao ano.

Em meio a essa realidade, temos o cenário externo com desafios e reviravoltas diárias, indo desde os protestes no vizinho Chile até o estranhamento entre EUA e China, passando pela Argentina e sua crise interminável e Europa com o desafio do Brexit.

Misturando tudo isso ao nosso país, chegamos em você e seu dinheiro. Você deve ter várias perguntas em mente, mas hoje vamos discutir uma delas: será que é hora de sair da renda fixa e arriscar mais? Tirar tudo de lá e procurar mais rentabilidade? O que fazer?

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Sair da renda fixa: um pouco de contexto

No início da semana, li uma matéria bem interessante publicada no Estadão sobre quanto a renda fixa representa em termos de aportes dos brasileiros na hora de escolher seus investimentos.

O levantamento feito em parceria com a Planejar, entidade que certifica planejadores financeiros, e liderado por José Raymundo de Faria Júnior aponta que dos quase R$ 6 trilhões aplicados no Brasil, 86,5% estão alocados em produtos conservadores.

Vou repetir: 86,5% dos investimentos está em produtos conservadores, com destaque para a previdência privada, representando 32,44% do total conservador e a caderneta de poupança, com 15,82%.

O brasileiro é conservador. Precisa ser. Ponto. Investimentos mais arrojados por aqui são geralmente arriscados demais para a grande maioria da população, e essa realidade só vai mudar com a manutenção de nossa jornada econômica de zelo, maturidade e previsibilidade – cabe lembrar que o Plano Real tem apenas 25 anos.

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Sair da renda fixa? Por quê?

Os juros básicos da economia brasileira sempre foram elevados, e isso só parece estar mudando de forma sustentável agora. E escrevo “parece” porque, em se tratando de Brasil, as expectativas sempre são as mais altas, mas a realidade costuma ser diferente. Não à toa ganhamos a carinhosa expressão “voo de galinha” para nosso desempenho econômico.

Diante disso, desde o surgimento do Real, o brasileiro tem sido relativamente bem remunerado na renda fixa, com rentabilidade real interessante (diferença entre o retorno da aplicação e a inflação medida). Sair da renda fixa, portanto, não é algo que passou pela cabeça dos brasileiros nestes tempos.

Não raro, vivemos bons anos recebendo 5% ao ano em termos reais, algumas vezes mais, outras menos (como agora). Enquanto o brasileiro com mais de 40-45 anos se lembra bem da inflação antes do Plano Real, a nova geração não sabe como eram malucos nossos dias de compras no supermercado. E isso é bom.

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Sair da renda fixa? Para onde?

Agora, as coisas devem ficar mais interessantes. Com a Taxa Selic em 5,5% ao ano, e apostas de que ela pode chegar a 4% em 2020, pode ser que o retorno real fique próximo de zero.

Para entender isso, se a inflação oficial medida (IPCA) for de 4% em 2020 e os juros também estiverem neste patamar, uma aplicação que oferece 100% do CDI chegará perto de 4% de retorno ao ano – um empate com a inflação, ou zero de retorno real.

A saída para isso simplesmente sair da renda fixa, abandonar os investimentos conservadores e fugir para as montanhas… digo, para a bolsa de valores? Não, de jeito nenhum.

A renda fixa tem uma importância pouco explorada de maneira honesta: ela é importante para proteger o patrimônio e garantir reserva para emergências e oportunidades. A liquidez de grande parte destes investimentos é importante, bem como o fato de você conhecer a rentabilidade de antemão (por isso se chama renda fixa).

Logo, sair da renda fixa não pode ser uma decisão tomada com base na euforia criada a partir de notícias enaltecendo outros investimentos mais arrojados, e nem tampouco no pânico alimentado por informações que falam da rentabilidade cada vez menor da renda fixa.

É preciso pensar. Refletir. Lidar com a realidade os fatos – sim, a renda fixa paga cada vez menos -, mas associando isso ao seu perfil e sua realidade financeira. Por quê? Como assim?

  • Não se arrisca o dinheiro do dia a dia. Antes de investir em aplicações mais arrojadas, você deve ter uma reserva de emergências e garantir que a saúde financeira da família esteja em ordem por um bom tempo;
  • Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Muito se fala dos retornos de fundos arrojados ou até mesmo carteiras de investimentos, mas o ganho oferecido até hoje não é garantia de que eles seguirão performando assim. É preciso entender quais os riscos ali envolvidos e se eles se encaixam com seu perfil;
  • Toda mudança precisa ser gradual e aprendida na prática. Você vai conhecer produtos diferentes da renda fixa e, pouco a pouco, experimentá-los. Testá-los. Avaliar se lida bem com a volatilidade deles, com sua natureza, liquidez e características. Não existe outro jeito sensato de investir de forma diversificada.

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Sair da renda fixa? Pode até ser

A esta altura, você já entendeu que não é preciso pressa para abandonar a renda fixa. Aliás, que sair correndo dela é uma decisão absolutamente equivocada. Ok, você também assimilou o fato de que os retorno dos produtos conservadores vem caindo e talvez você tenha que fazer algo a esse respeito. Sugestões:

Estude

Dedique mais tempo do seus dia a dia para o aprendizado sobre investimentos, finanças pessoais e diversificação de patrimônio. Leia mais sobre estes tópicos e comece a se aprofundar em aplicações até então totalmente estranhas para você (fundos multimercado, de ações e bolsa de valores, por exemplo).

Acompanhe

Escolha determinados profissionais, empresas e especialistas e siga seus passos por algum tempo, sem mudar sua estratégia de investimentos. Avalie os termos que eles usam, suas opiniões e resultados. A ideia é que você consiga criar sua própria opinião sobre o funcionamento dos novos investimentos e seu ecossistema.

Questione

Você vai ficar perdido, principalmente no começo. Por que este ativo e não aquele? E a liquidez, por que de 30 dias e não apenas um? Pergunte, tire suas dúvidas com os profissionais e empresas que decidiu seguir. O objetivo aqui é perceber que para aprender melhor sobre alguma coisa, basta perguntar sobre ela para quem possa ajudá-lo.

Experimente

Devagar, mas com confiança e paciência, comece a investir em uma alternativa diferente da que você já tem em carteira. Um fundo. Uma ação. Não importa tanto se você vai acertar (é bem provável e bom que isso não aconteça de primeira), o foco é agir. E aprender com a ação, realimentando o ciclo. Sair da renda fixa pode ser algo inteligente a fazer, e isso é também uma escolha.

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Conclusão

Sair da renda fixa “porque todo mundo está falando para você fazer isso” não é uma justificativa inteligente. Sair da renda fixa porque você “não quer perder a festa na bolsa de valores” é igualmente perigoso.

Você precisa aceitar que o investimento mais conservador atende suas necessidades urgentes, ajuda a realizar seus objetivos e é parte da estratégia que o trouxe até aqui – e deverá cumprir este papel ainda que o cenário se altere.

Portanto, antes de sair da renda fixa de forma atabalhoada e desorganizada, arriscando seu planejamento, pense mais e melhor sobre o que você quer em termos de retorno, mas se está disposto a correr mais riscos para que a nova realidade se materialize. E comece devagar, com paciência, disciplina e muita organização.

Conrado Navarro
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