Tecnologia, comodidade e pressa podem combinar de forma harmoniosa quando o assunto é a fome. Entre comer fora ou pedir comida em casa, você já gasta mais de um terço de sua renda, em média. Parece pouco? Muito? Pense a respeito.

O número apresentado pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) é o seguinte: o brasileiro gasta cerca de 34,6% da sua renda com refeições preparadas fora de casa. Para ter uma ideia do que isso representa, em 2018 o faturamento dos serviços de alimentação chegou a R$ 172,6 bilhões.

Pedir comida através dos inúmeros aplicativos disponíveis hoje é, sem dúvida, uma praticidade incrível. A concorrência oferece um ambiente em que os serviços ficam cada vez melhores, mais rápidos e intuitivos. Ótimo, mas quem paga essa conta é você. Sou eu. Somos nós, consumidores.

Aproveite: Na Diin o investimento é mais seguro e rende mais que a poupança (Abra sua conta grátis)

Pedir comida ou comer fora: mais comodidade, mais atenção

O objetivo deste breve texto não é criticar a alimentação fora de casa ou a facilidade cada vez maior ao pedir comida. Pelo contrário, esse é um caminho muito bem-vindo e sem volta. A questão é como nós lidamos com essa realidade do ponto de vista financeiro, levando em conta o nosso bolso.

Via de regra, quanto mais cômodo, simples e fácil de usar, mais descontrole financeiro um produto ou serviço pode provocar. Entender isso é muito tranquilo: a experiência do usuário é tão agradável e fluída que praticamente somos impelidos a “aproveitar o momento” sem considerar aspectos financeiros.

Pense na nota de R$ 100,00 que de vez em quando você consegue manter na carteira. Se o que você vai comprar custa R$ 5, por exemplo, e você só tem a nota de cem reais, você deixa para outra hora. É uma espécie de “dó de gastar”. Estou exagerando?

Quando você usa o cartão de crédito, isso não acontece. E hoje ainda temos a modalidade contacless, ou seja, para compras de valor mais baixo (até R$ 50,00), você nem precisa digitar a senha; basta aproximar o cartão da maquininha e pronto, você comprou e pagou. Fácil. Rápido. Simples. Incrível.

Pedir comida ou comer fora de casa são comodidades que facilitam nosso dia a dia, ajudam na correria e cumprem um papel importante no sentido de oferecer mais tempo livre para outras atividades. Obviamente que tudo isso em troca de nosso dinheiro.

Ouça: Ouça: DinheiramaCast – Diminui desemprego, aumenta informalidade

Melhor que a poupança: Na Diin sua rentabilidade é 106% da Poupança (Abra sua conta grátis e invista já)

Pedir comida ou comer fora: atenção para o bolso

Calma, de novo pode ser que você esteja interpretando errado meus comentários. A culpa pelo descontrole não é dos aplicativos ou da facilidade de usar o cartão de crédito. Não. A responsabilidade pelo controle financeiro é sempre do consumidor. O lance aqui é entender que quanto mais facilidades temos, mais propensos ficamos a não pensar no controle ao realizarmos uma compra, e esse é um desafio que precisamos encarar.

Seu orçamento provavelmente tem uma divisão em que aparecem grandes concentrações de gastos com habitação, alimentação e supermercado. Estes três itens são responsáveis por mais de 50% das despesas de muitas famílias, por vezes até bem mais do que isso. Mas você tem acompanhado a evolução dessas despesas?

  • Quanto você gastou com comida fora de casa há um ano? E hoje?
  • Quanto você gastou pedindo comida em casa há seis meses? E agora?
  • Quanto você gasta de supermercado, em média, todos os meses? Esse valor se mantém, caiu ou cresceu?

Repare que as perguntas são simples e se estivéssemos tratando das finanças de uma empresa bem administrada, as respostas estariam a um clique de distância. E sua vida? Ah, ela também precisa ser bem administrada e isso significa conhecer bem seu perfil de gastos.

Pedir comida em casa é muito legal e em vários momentos facilita bastante a dinâmica das coisas. Perfeito, mas é importante que isso esteja em linha com as possibilidades de seu orçamento familiar. Será que você pode pedir tantas vezes comida em casa ou esses gastos estão sufocando seu planejamento financeiro?

Comer fora é um prazer e pode ser uma maravilhosa atividade familiar (ou entre amigos). Quantas vezes podemos fazer isso dentro do mês é uma questão um pouco chata de discutir, mas relevante para não estourar o orçamento. Você tem saído mais do que deveria?

Poupança Turbinada: Na Diin a sua rentabilidade é 106% da poupança, aproveite!

Pedir comida ou comer fora: dicas para organizar as finanças

Se você chegou até aqui, já percebeu que a arma mais eficaz diante das facilidades trazidas pela tecnologia para pedir comida e das comodidades cada vez mais presentes na sociedade atual é o controle financeiro. Você precisa começar a cuidar melhor do seu bolso. Agora.

1. Comece seu orçamento agora mesmo

Comece hoje mesmo a registrar tudo que você ganha e como você gasta seu dinheiro. Planilha, caderno, app, não importa, a ideia é que você consiga apontar direitinho o que acontece com seu dinheiro. Ah, lembre-se de categorizar tudo com cuidado e usando nomes significativos para você – nada de “Outros” ou “Diversos” no orçamento.

2. Se vai pedir comida ou comer fora, coloque este gasto em perspectiva

A ideia aqui é se questionar sobre a real possibilidade de comer fora ou pedir comida, mas antes de bater a fome e o desespero. Neste sentido, a primeira dica é fundamental porque vai te dar as ferramentas para saber sua capacidade financeira, e então você deve partir para um desafio pessoal de manter-se dentro de limites (dica 4, abaixo).

3. Avalie os gastos passados com frequência

Seu histórico pode ser um aliado importante na compreensão de suas prioridades, mas principalmente na reavaliação delas. Com o que você tem gasto seu dinheiro e seu tempo? Estas são as suas coisas mais importantes. Mas será que são mesmo? Use o registro das suas receitas e despesas para fazer uma reflexão profunda sobre seu perfil.

4. Defina limites e faça projeções realistas

Com o orçamento como uma prioridade, trabalhe melhor os limites e defina intervalos para os gastos com itens que frequentemente variam bastante de um mês para o outro. Feche um valor máximo, uma meta, e faça tudo para se manter dentro dela. Além disso, olhe para frente e já pense nos próximos meses com estes limites e as metas em mente.

Leia também: Como não gastar dinheiro à toa nesse fim de ano?

Conclusão

A comodidade é ótima para a correria dos dias de hoje, mas ela pode custar caro quando não nos damos conta de que temos que parar e focar nos temas delicados e íntimos que requerem atenção e dedicação. Seu bolso é uma destas áreas sensíveis.

O fato é que gastamos cada vez mais com serviços e produtos associados às facilidades trazidas pela vida moderna. Comer fora e pedir comida em casa são exemplos disso. É legal aproveitar tudo isso, mas você precisa ter certeza de que a conta vai fechar todo mês e que você será capaz de sustentar este novo estilo de vida.

Portanto, lembre-se: aproveite ao máximo o que facilita sua vida, mas faça isso sem abrir mão das suas prioridades, do controle financeiro bem feito e dos objetivos de vida que o motivam a seguir em frente. Cuidado para não exagerar sem achar que está exagerando. Parece estranho, mas isso é mais comum do que você imagina.

Conrado Navarro
Aviso: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.

Comentários