Vamos falar sobre financiamento imobiliário? Recentemente, a Caixa Econômica Federal, responsável por cerca de 70% dos financiamentos no país, anunciou novas taxas para a modalidade atrelada ao IPCA, ou à inflação.

O Banco do Brasil também já indicou que pode oferecer a mesma alternativa. E, na verdade, é bem provável que outras instituições sigam na mesma linha, afinal, a CEF acaba servindo de benchmark para o resto do mercado.

Mas como será que ela funciona? Será que aderir a um financiamento imobiliário atrelado ao IPCA é uma boa ideia?

Se você anda guardando dinheiro com a finalidade de comprar um imóvel, deve estar buscando de forma frequente informações sobre financiamento. A não ser, é claro, que pretenda comprar uma casa ou apartamento à vista. É por isso que vamos explicar o que deve ser considerado com relação a esta nova alternativa!

Mais uma opção de financiamento imobiliário

Para começar, entenda que esta será apenas mais uma modalidade de financiamento. Quem for financiar pela CEF, no caso, ainda poderá optar pela alternativa antiga, que considera juros entre 8,5% e 9,75% ao ano acrescido da TR, considerada nula desde 2017.

No caso do financiamento imobiliário atrelado ao IPCA, os juros variarão de acordo com índice acrescido de 2,95% ao ano até 4,95% ao ano, de acordo com pontos como renda e relação com o banco.

Um ponto que parece positivo é que, com o IPCA como indexador, o percentual mínimo necessário para dar de entrada em um financiamento cai de 30% (no caso da alternativa com a TR) para 20%. Ou seja, dá para financiar até 80% do valor do imóvel.

A gente lembra, porém que, em se tratando de usar da melhor forma seu dinheiro, quanto menor o financiamento, menor o valor pago em juros. O ideal é você conseguir juntar o máximo possível de entrada para financiar o mínimo possível.

Em alguns casos, inclusive, vale até a pena pagar aluguel por um tempo enquanto você vai guardando em paralelo! No final das contas, você verá que vai economizar um bom dinheiro.

Aproveite para ouvir: DinheiramaCast: Entenda sobre Fundos Imobiliários

E como fica o resto?

Com relação às parcelas, acredita-se que elas devam ser menores, ao menos levando em conta a economia atual. Como a previsão dos economistas é que o IPCA encerre o ano em 3,71% e, em 2020, fique ao redor de 3,90%, basta fazer as contas.

Uma simulação na CEF para um imóvel de R$ 300 mil, por exemplo, e mesmo valor de entrada, mostra que a prestação inicial para quem optar pela modalidade baseada na TR + 9,75% ao ano deve ser de cerca de R$ 3.168.

No caso da modalidade baseada no IPCA + 4,95% ao ano, o valor cai para R$ 2.050. Se você conseguir guardar e investir a diferença para se prevenir com relação a imprevistos, pode valer a pena.

Cuidado com a volatilidade no longo prazo

No longo prazo, o risco é a volatilidade, pois o IPCA gira de acordo com a alta ou a queda dos preços. Ainda que nos últimos anos a inflação tenha estado sob controle, o fato é que algumas mudanças já podem alterar o índice.

Ou seja, se energia, alimentos ou combustível, por exemplo, aumentarem de valor, aumenta também o valor do financiamento.

Qual financiamento imobiliário escolher?

Para concluirmos este papo, saiba que aderir a este tipo de alternativa de financiamento imobiliário só vale a pena se a inflação se mantiver baixa. No longo prazo, portanto, trata-se de um risco.

E como estamos falando em financiamento de imóveis e valores mais altos, normalmente os prazos costumam ser bem longos. Ou seja, vale arriscar?

Na dúvida, é preciso fazer as contas e avaliar se vale a pena pagar menos nos primeiros anos, amortizando o máximo possível da quantia devida e investindo a diferença no valor das mensalidade, e estar sujeito a maiores oscilações ou não ao longo do tempo!

Janaína Gimael
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