A primeira pergunta que surge quando começamos a pensar em ter nossa casa própria é: alugar ou comprar, qual é a melhor opção? Cada uma tem suas vantagens e suas desvantagens, mas conhecendo um pouco as possibilidades fica mais fácil definir o caminho mais adequado para a própria situação.

Nos últimos anos, o preço dos imóveis subiu consideravelmente no Brasil e, em alguns bairros das principais cidades do país, o valor chegou a triplicar. Em São Paulo, os preços das casas e dos apartamentos subiram cerca de 8,1% nos últimos 12 meses, enquanto no Rio de Janeiro a média de crescimento foi de 8,5%, em Recife de 6,4% e diminuiu cerca de 0,6% em Brasília, de acordo com a Fipe, tabela comparativa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas.

Para aqueles que não conseguem guardar dinheiro, vivem de comprar as coisas através de boletos e carnês e têm dificuldade em se organizar para o futuro, financiar um imóvel é a opção mais óbvia, já que a ideia do aluguel é justamente gastar menos com moradia para se preparar para o futuro.

Já para aqueles que conseguem ter certo controle, talvez seja melhor pensar que, ao comprar um imóvel, se estará desperdiçando uma boa quantia que poderia ser muito útil em um momento de emergência.

Outra vantagem do aluguel, em ambas as situações, é que caso haja insatisfação com o imóvel ou com o bairro, fica muito mais fácil se mudar para outro lugar. Entretanto, quem opta por morar de aluguel deve estar ciente de que é muito mais complicado, e muitas vezes nada vantajoso, personalizar o imóvel com o aspecto desejado, já que ele não pertence exatamente ao locatário.

Para quem tem planos de viver em outra cidade num futuro próximo, alugar provavelmente é a melhor opção, já que é bem mais fácil reincidir um contrato do que vender um imóvel rapidamente, tendo ainda que lidar com os custos de comissão do corretor.

O planejamento a longo prazo pode ajudar muito nessa decisão. José Augusto Viana, presidente do CRECI (Conselho Regional de Corretores de Imóveis), em entrevista para a Folha de São Paulo deu a dica: “Não pode ser uma decisão por impulso, é preciso se informar e buscar orientação”.

O imóvel ideal para uma família que pretende ter cinco filhos, por exemplo, é muito diferente do imóvel ideal de uma pessoa que não tem planos de ter filho. Para o caso de se desejar ter uma família maior, alugar um imóvel pequeno de início e ir coletando recursos para no futuro comprar um imóvel maior pode ser uma boa opção.

Segundo José Augusto, “o dinheiro investido em imóveis pode render 12% ao ano, mais a valorização do local, que varia de caso a caso. É um ótimo investimento na comparação com os demais”. Segundo ele, se a pessoa possui uma boa renda e tem condições de investir, o ideal é comprar um apartamento de R$ 200 mil a R$ 250 mil, mais popular, em boa localização, já que são imóveis que alcançam rendimentos altíssimos. Em contrapartida, imóveis muito caros acabam sendo mais difíceis de alugar.

O quadro abaixo, extraído da mesma reportagem, compara o aluguel e a compra do imóvel:

Imóvel: comprar ou alugar - Folha

Fonte: Folha de S. Paulo

O professor Samy Dana, da Escola de Economia da FGV-SP (Fundação Getúlio Vargas), aconselha:

“Se for comprar um imóvel, tenha certeza que o preço que está pagando é razoável, não se deixe levar por impulso ou pelas aparentes barganhas em taxas. Tome cuidado para não deixar sua parte do bolo nas mãos do faminto setor imobiliário. Exemplo prático para uma pessoa que pretende comprar um imóvel de R$ 450 mil e tem R$ 180 mil de entrada e, por enquanto, paga aluguel no valor de R$ 1.500. Há duas opções: a primeira é aplicar os R$ 180 mil no Tesouro Direto e fazer aplicações mensais de R$ 1 mil durante todo o período. Após os 30 anos, ela terá R$ 2,008 milhões; a outra opção teria sido dar a entrada de R$ 180 mil e financiar os R$ 270 mil restantes. Durante 30 anos, essa pessoa terá que pagar R$ 2.500 ao mês para ter o imóvel. Ao final do período, o imóvel será seu e lhe custará R$ 900 mil.”

Uma boa maneira de fazer a escolha certa é ficar por dentro do que acontece no ramo imobiliário, seus altos e baixos, e comparar os valores de compra, valorização e aluguel.

Revistas relacionadas a negócios ou mais específicas, como a “Qual Imóvel”, por exemplo, também podem ser úteis nessa pesquisa. No site do Agente Imóvel e em outros sites do tipo também é possível fazer buscas sobre valores do mercado, comparar valores e ver outras dicas sobre o mercado imobiliário.

Algo que geralmente é deixado de lado pela maioria das pessoas ao se comprar um imóvel é o gasto com despesas extras, sejam elas impostos e seguros ou até mesmo reformas, mobiliário e peças de decoração.

Comprar imóveis pode ser um bom investimento para o longo prazo e, inclusive do ponto de vista emocional, pode ser muito bom, mas é preciso pensar muito antes de tomar a decisão e se atentar ao fato de que essa vai ser uma dívida bem alta a se lidar no futuro.

Foto “Real Estate”, Shutterstock.

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