Como leitor assíduo de conteúdos de economia e finanças, vejo que são recorrentes as “dicas milagrosas” para se “bater os índices” (Ibovespa, CDI, S&P) no curtíssimo prazo. Com tanta informação e tanto debate, muitas vezes perde-se o foco principal, que é ajudar você a cuidar melhor de seu dinheiro em vez de perpetuar essa batalha colossal de egos. Resultado: fica difícil para você encontrar o realmente precisa.

E para isso estamos aqui. Volto no ponto que sua maior arma é a educação, e para isso é necessário esforço e dedicação. Vejo muitas conversas de bar acerca “daquele cara que ganha muito na bolsa” ou, debates acalorados sobre o que é melhor: análise fundamentalista ou gráfica?

Para ser sincero, essas pessoas deveriam estar mais preocupadas com seu orçamento antes de sequer olhar para a bolsa de valores. Escola fundamentalista ou grafista? Ambos certamente vão te dizer a mesma coisa: estude, aprenda, crie uma reserva e só depois venha para o mercado.

Aprendendo com professores escolares

No ano passado foi divulgado um estudo, através da empresa responsável pelo aplicativo de investimentos Openfolio nos EUA, sobre os investidores mais bem-sucedidos de Wall Street e o resultado causou surpresa geral: eles foram professores e profissionais de administração escolar!

Não, não foram professores de finanças e tampouco profissionais da bolsa. Professores de disciplinas variadas foram os mais felizes em seus investimentos, superando 80% de todos os investidores ao longo do ano. E, a partir desses dados, o estudo trouxe algumas lições “fundamentais”:

1. Negocie menos

Professores negociam seus papéis 30% menos que os demais investidores. Investir para longo prazo demanda mais disciplina e esforço, mas sempre se paga, enquanto muita “negociação” pode diminuir o retorno por diversos motivos, desde taxas de corretagem até precipitação.

2. Ficar com dinheiro pode machucar

Professores estão significativamente mais investidos e, assim, deixam menos dinheiro à disposição para besteiras e compras por impulso, sendo mais vigilantes com seu orçamento e gastando apenas o necessário. E colhem grandes recompensas.

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3. Diversifique

Parece batido, mas não é. Professores possuem menos ações individuais do que o investidor médio. Como Warren Buffet (o terceiro homem mais rico do mundo), escolhem investir em índices e Fundos Mútuos.

4. Invista no que é fundamental para a sociedade

Além disso, eles escolhem investir em segmentos fundamentais para sociedade como saúde, farmacêutico, biotecnologia e evitam empresas do setor financeiro.

Quando olhamos para tudo isso, chegamos onde eu queria: é mais importante a disciplina do que a rentabilidade; o investidor vem sempre antes do investimento. Por isso, tome cuidado com as promessas de rentabilidade, seja de quem está vendendo informação ou – muita atenção aqui – de quem está vendendo um produto financeiro.

Aqueles 0,5% a mais de rentabilidade podem ter muita coisa estranha nas letras miúdas que você não se atentou, e o bom investidor sabe que há muito o que se ponderar antes de fazer qualquer investimento.

Conclusão

Por isso, estimado leitor, concentre-se em aprender o máximo que puder! Indo além, concentre-se em saber o máximo de si mesmo: seus limites, suas forças, seus sonhos e seus pontos fracos.

Procure conhecer a fundo a história de tentativas e fracassos das pessoas que admira para, então, voltar a esse texto e entender por quê se esforçar para ser um bom investidor vem antes da procura pelo “investimento fantástico”.

O bom investidor sabe, e sou repetitivo por que isso é de suma importância, que a recompensa é proporcional ao esforço, e não existem grandes recompensas sem os verdadeiros grandes esforços: disciplina, trabalho duro, dedicação, perseverança e, claro, tempo.

Antes de me despedir, insisto: mais vale a disciplina do que a rentabilidade. Grande abraço e até a próxima!

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Foto “Happy investor”, Shutterstock.

Renato De Vuono
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