Livro A Regra do JogoTitulo do livro: A Regra do Jogo
Autor: Rafael Paschoarelli
Editora: Saraiva
Páginas: 184
Preço: R$ 25,00
Livro 100% nacional!

Descubra o que não querem que você saiba sobre dinheiro
Essa frase está estampada na capa do livro. De cara, já dá para perceber que o autor veio para desmascarar as armadilhas financeiras destinadas a capturar seu dinheiro sem você perceba. Isso é ótimo. O principio básico do livro é: não se pode fugir do jogo do dinheiro. Um dia, todos teremos que negociar melhores preços, menores taxas, trocas de bens etc. Daí, conclui-se que é melhor entender desse assunto que deixá-lo totalmente a cargo de outra pessoa. Concorda?

O perigo que ronda o leigo
Já pensou em jogar xadrez deixando seu adversário dizer quais peças você deve mexer? É assim que Paschoarelli ilustra o leigo financeiro, que não dá a mínima para o dinheiro. A maioria das pessoas não sabe negociar e, ainda assim, costuma gabar-se dos “excelentes negócios” recém realizados. Não lhe ocorre que o mínimo que você deve fazer, ao negociar algo, é levantar quais os pontos críticos e possivelmente desfavoráveis do negócio?

“O que não nos é favorável não é mostrado pela loja ou instituição com a mesma clareza com que são exaltadas as vantagens do negócio. O desconhecimento tem o potencial de fornecer à pessoa a falsa sensação de ter realizado um bom negócio”

O juro zero e outras historinhas…
Ainda tem muita gente que acredita no crediário de ‘n’ vezes sem juros. Sem juros? Tem gente caindo nessa ainda? Oh, se tem! Aliás, se eu fosse abrir uma loja, usaria a velha e batida “estratégia do varejo”, também descrita no livro. Embutiria os juros no preço “à vista” e depois anunciaria o parcelamento sem juros. É isso que você vê por ai, não é?

“Uma regra fundamental é que não existe juro zero. Ao dizer que o juro é zero, a loja embute os juros no preço à vista. O leigo, acredita”

O leigo faz mais coisas insensatas. O leigo investe em títulos de capitalização, tem dinheiro aplicado mesmo quando a conta está no vermelho. O leigo acha que a caderneta de poupança é a melhor alternativa de investimento. Mais? O leigo nunca ouviu falar em Tesouro Direto, não sabe o que é TAC e acha que a Bolsa de Valores é como um cassino.

“É o conhecimento ou desconhecimento o principal fator de sucesso ou fracasso nas suas finanças pessoais. Veja o exemplo das prestações sem juros: para o leigo, só interessa saber se a prestação cabe ou não no seu orçamento doméstico. O verdadeiro valor do bem é o melhor preço à vista que você conseguir negociar, e não a soma das prestações”

Será que você é um leigo?
O seu comportamento e algumas rápidas respostas podem definir facilmente se você é ou não é um leigo. O livro traz um questionário muito interessante e diversas colocações inteligentes neste sentido. Vejamos algumas delas:

  • Ao ouvir dizer que é importante gastar menos do que se ganha e poupar a diferença, o leigo logo pensa em aplicar o que sobra na Caderneta de Poupança;
  • O leigo não sabe a diferença entre CDB e Fundo de Investimento;
  • O leigo “aplica” em fundos de investimento conservadores que cobram taxa de administração maiores que 1%;
  • O leigo ignora que um bom negociador nunca fecha um negócio pelo preço anunciado e sim pelo preço negociado;
  • O leigo acredita no juro zero;
  • O leigo acredita em tudo o que seu gerente diz;
  • O leigo tem PGBL/VGBL, mas não sabe a taxa de administração e(ou) de carregamento;
  • O leigo não lê contrato.

Títulos de desCapitalização
O livro é contra os títulos de capitalização. Eu também sou, mas a minha opinião você já conhece. Com a palavra o autor de “A Regra do Jogo”:

“Muitos dizem que um Título de Capitalização rende igual a Poupança, o que não é mentira, mas também não o é de todo verdade. Na capitalização, a taxa de rendimento só incide sobre um pedacinho de tudo o que você depositou. Esse produto bancário não é produto de investimento, é destinado a quem gosta de jogo (em razão dos sorteios)”

Mas afinal, quais as regras do jogo?
Uma coisa você já deve ter percebido, especialmente se frequenta o Dinheirama há um certo tempo. Conhecimento e interesse são dois princípios fundamentais. O livro dedica um capítulo inteiro à transformação do leigo em alguém com senso financeiro apurado. Faz isso muito bem, diga-se de passagem. Entendido o passo inicial, aprenda que:

Regra 1: Nada é de graça.
Regra 2: Para algumas pessoas, tudo tem seu preço
Regra 3: Não existe financiamento sem juros
Regra 4: Não existe investimento sem risco

“O mercado não perdoa quem não acreditar nessas simples regrinhas”

Reflexões interessantes
Segundo o autor, uma pesquisa indica que os maiores devedores de IPVA são justamente os donos de carrões. Ué, estranho! Acredite, é verdade. Ter um alto padrão de vida não indica a verdadeira riqueza.

“Riqueza tem a ver com quanto tempo você consegue manter seu estilo de vida sem ter de sair de casa para trabalhar. Ter aplicações financeiras cujos juros sejam maiores que a inflação podem ajudar na garantia de seu padrão de vida. Repare que aqueles que se matam de trabalhar, alegando que desejam fazer um pé-de-meia para ter conforto na aposentadoria, são justamente os que adoram se dedicar ao trabalho e que morreriam se parassem de fazê-lo. Pense nisso”

Avaliações finais
O livro ainda traz um capítulo todo dedicado às melhores práticas para quitar (e evitar) as dívidas. Um anexo discorre sobre as diferenças entre os principais planos de previdência (PGBL e VGBL). Tudo de maneira prática, com exemplos, cálculos e opinião de qualidade. Vejamos as notas:

  • Linguagem e narrativa: 9
  • Exemplos práticos: 9
  • Temas abordados: 9,5
  • Preço: 7
  • Média: 8,7

Leitura recomendada para os que querem entender melhor do que acontece nos bastidores das operações cotidianas de compra, venda e investimentos. Muito claro, “A Regra do Jogo” trata do jogo do dinheiro com naturalidade e muita propriedade. Você vai aprender, mesmo se não quiser, porque os exemplos chegam a ser chocantes. Recomendo!

Conrado Navarro
Aviso: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.

Comentários