Home Economia e Pol√≠tica Lula: “pobre n√£o vai no cassino, o pobre vai trabalhar no cassino”

Lula: “pobre n√£o vai no cassino, o pobre vai trabalhar no cassino”

A proposta prevê a permissão para a instalação de cassinos em polos turísticos ou em complexos integrados de lazer, como hotéis de alto padrão

por Agência Brasil
3 min leitura

O presidente Luiz In√°cio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira (21), que deve sancionar o projeto de lei que prop√Ķe a legaliza√ß√£o de cassinos e jogos de azar, como bingo e jogo do bicho, no Brasil.

Para Lula, entretanto, n√£o √© isso ‚Äúque vai salvar o pa√≠s‚ÄĚ em termos de receitas e gera√ß√£o de empregos.

Em entrevista √† R√°dio Meio Norte, em Teresina, no Piau√≠, o presidente disse que, se o texto for aprovado no Congresso, com acordo entre os partidos pol√≠ticos, ‚Äún√£o tem porque n√£o sancionar‚ÄĚ. Lula cumpre agenda de trabalho hoje na capital piauiense.

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Na √ļltima quarta-feira (19), a Comiss√£o de Constitui√ß√£o e Justi√ßa (CCJ) do Senado aprovou, por 14 a 12 votos, relat√≥rio sobre o¬†Projeto de Lei¬†2.234/2022,¬†que veio da C√Ęmara dos Deputados, onde foi aprovado, e tramita no Senado desde 2022.¬†

O tema agora deve ser remetido ao plenário da Casa. 

A proposta prev√™ a permiss√£o para a instala√ß√£o de cassinos em polos tur√≠sticos ou em complexos integrados de lazer, como hot√©is de alto padr√£o (com pelo menos 100 quartos), restaurantes, bares e locais para reuni√Ķes e eventos culturais.

O texto prop√Ķe ainda a poss√≠vel emiss√£o de uma licen√ßa para um cassino em cada estado e no Distrito Federal. Alguns estados teriam¬†exce√ß√£o, como S√£o Paulo, que poderia ter at√© tr√™s cassinos, e Minas Gerais, Rio de Janeiro, Amazonas e Par√°, com at√© dois cada um, sob a justificativa do tamanho da popula√ß√£o ou do territ√≥rio.

A exploração de jogos de azar no Brasil é proibida desde 1946. Parlamentares contrários ao projeto argumentam sobre o aumento do vício em jogos e a criação de um ambiente favorável à prostituição, ao consumo de drogas e máfia.

O presidente Lula disse que não joga, não é favorável a jogos, mas também não acha que é um crime.

‚ÄúHouve um tempo em que esse discurso sobre jogos de azar tinha alguma verdade. De todos os jogos que acontecem, eu sempre achei que o jogo do bicho era o jogo que mais distribu√≠a a dinheiro, porque o cara ganha R$ 50, R$ 40, R$ 30. Isso √© considerado contraven√ß√£o, √© proibido. Jogar baralho, jogar poker, apostar dinheiro √© proibido, fazer cassino √© proibido. Mas √© jogatina que voc√™ tem hoje na televis√£o, no esporte? Crian√ßa com celular na m√£o, fazendo aposta o dia inteiro. Quem √© que segura isso?‚ÄĚ, questionou.

‚ÄúEu n√£o acredito no discurso de que ‚Äėse tiver cassino o pobre vai gastar tudo que tem‚Äô. O pobre n√£o vai no cassino, o pobre vai trabalhar no cassino, ele pode at√© ver a sua cidade se desenvolver, mas ele n√£o vai porque o cassino √© uma coisa pra gente que tem dinheiro‚ÄĚ, acrescentou o presidente.

J√° quem √© a favor do projeto argumenta sobre os ganhos econ√īmicos, gera√ß√£o de emprego e o desenvolvimento tur√≠stico das regi√Ķes com a presen√ßa dos cassinos, al√©m do aumento da arrecada√ß√£o de impostos para o governo.

Apesar de concordar com esses benef√≠cios, para Lula, ‚Äún√£o √© isso que vai resolver o problema do Brasil‚ÄĚ.

‚ÄúEssa promessa f√°cil de que vai gerar dois milh√Ķes de empregos, de que vai desenvolver n√£o √© verdade tamb√©m. O meu jogo √© fazer a economia brasileira voltar a crescer, o meu jogo √© fazer muito investimento no ensino profissional, t√©cnico, nas universidades e no ensino fundamental. Meu jogo √© fortalecer a escola de tempo integral do Brasil inteiro, √© gerar emprego, aumentar sal√°rio, distribuir renda porque √© isso que deixa o povo feliz. √Č esse jogo que o povo tem que apostar e √© esse jogo que o povo vai ganhar‚ÄĚ, ressaltou. 

Leil√£o de arroz

Durante a entrevista, o presidente tamb√©m comentou sobre a oferta de arroz no pa√≠s e afirmou que os leil√Ķes para a importa√ß√£o de 1 milh√£o de toneladas do gr√£o est√£o mantidos.

Para ele, a ‚Äúdecis√£o dr√°stica‚ÄĚ sobre importar o produto se deu em fun√ß√£o da alta do pre√ßo ao consumidor final.

‚ÄúO cara me mostrou um pacote de arroz de 5 quilos [kg] a R$ 36 reais, a R$ 33. Eu falei ‚Äėn√£o √© poss√≠vel‚Äô, o povo n√£o pode pagar R$ 36 num pacote de 5 kg, esse arroz est√° caro, a√≠ tomei a decis√£o de importar. Depois tivemos a anula√ß√£o do leil√£o porque houve uma falcatrua em uma a empresa‚ÄĚ, contou.

O governo federal decidiu¬†anular o leil√£o¬†realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no dia 6 de maio e cancelou a compra das 263,3 mil toneladas de arroz que seriam importadas para o pa√≠s, em raz√£o de ‚Äúfragilidades‚ÄĚ no edital do certame.

As empresas participam do leilão representadas por corretoras em bolsas de Mercadorias e Cereais e só são conhecidas ao final.

Novo edital será publicado, com mudanças nos mecanismos de transparência e segurança jurídica, mas ainda não há data para o novo leilão.

Arroz
Arroz moído em uma tigela (Imagem: freepik/@ jcomp)

‚ÄúMas por que eu vou importar? Porque o arroz, ele tem que chegar na mesa do povo [no m√°ximo] a R$ 20 um pacote de 5 kg, que compre R$ 4 um quilo de arroz, mas n√£o d√° para ser a um pre√ßo exorbitante‚ÄĚ, disse, reafirmando ainda a inten√ß√£o do governo em expandir a √°rea produtiva de arroz do pa√≠s.

‚ÄúVamos financiar, vamos oferecer o direito do cara plantar e a gente vai dar uma garantia de pre√ßo para que as pessoas n√£o tenham preju√≠zo.‚ÄĚ

O objetivo da importa√ß√£o do arroz √© garantir o abastecimento e estabilizar os pre√ßos do produto no mercado interno, que tiveram uma alta m√©dia de 14%, chegando em alguns lugares a 100%, ap√≥s as inunda√ß√Ķes no Rio Grande do Sul em abril e maio deste ano.

O estado é responsável por cerca de 70% do arroz consumido no país.

A produ√ß√£o local foi atingida tanto na lavoura como em armaz√©ns, al√©m de ter a distribui√ß√£o afetada por quest√Ķes log√≠sticas no estado.

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