Home Comprar ou Vender Ninguém mais quer a NTN-B? Confusão fiscal gera desconfiança

Ninguém mais quer a NTN-B? Confusão fiscal gera desconfiança

O mercado não aceitou o volume ofertado de NTN-B com o vencimento em 2060, mesmo com as taxas nas máximas do ano

por Gustavo Kahil
3 min leitura
Tesouro NTN-B Leilões
(Imagem: ChatGPT/ Dinheirama)

Enquanto o segundo leilão de títulos do Tesouro Nacional de junho reduziu o custo de emissão dos títulos LFTs, a venda das NTN-Bs revelou um desinteresse dos investidores.

As taxas aceitas no leilão foram as maiores do ano para todos os vencimentos, observa a equipe da EQI Research.

Os números revelaram uma alta média de 15 pontos-base em relação ao leilão de duas semanas atrás, acompanhando a forte alta da curva de juros observada nesse período.

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“Os volumes seguiram fracos, o que é um sinal negativo, dado que o mercado não aceitou o volume mesmo com as taxas nas máximas do ano. Isso evidencia a negativa sobre os títulos por parte dos investidores”, explica João Neves, analista de renda fixa da EQI.

Demanda fraca pelas NTN-Bs

No certame de NTN-B, os lotes continuaram reduzidos e apenas houve um ligeiro aumento do papel mais curto, para 2029. O Tesouro vendeu parcialmente a NTN-B para 2060.

Fonte: LCA Consultores

“Fatores domésticos explicam essa elevação do retorno, pois as taxas de juros dos USTIPS [Treasuries] registrou queda nas duas últimas semanas”, analisa a LCA Consultores, em um relatório enviado a clientes.

LFTs

Já os volumes colocados nas LFTs também foram fracos, negociando apenas metade do volume médio do ano até agora.

“Da mesma forma que as NTN-Bs, isso também representa um sinal negativo para a rolagem da dívida pública e pode levar a taxas ainda mais altas em outros títulos, pressionando ainda mais a curva de juros”, pontua Neves.

Taxas futuras

As taxas dos DIs fecharam a quarta-feira com forte elevação, de quase 30 pontos-base nos vencimentos mais longos, em meio a ruídos políticos e preocupações do mercado com o equilíbrio fiscal brasileiro, em movimento que durante a tarde ganhou novo fôlego com a decisão de política monetária do Federal Reserve, que apontou para apenas um corte de juros nos EUA em 2024.

No fim da tarde a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2025 que reflete a política monetária no curtíssimo prazo estava em 10,72%, ante 10,63% do ajuste anterior.

taxa do DI para janeiro de 2026 estava em 11,34%, ante 11,192% do ajuste anterior, enquanto a taxa para janeiro de 2027 estava em 11,72%, ante 11,503%.

Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2029 estava em 12,145%, ante 11,881%, e o contrato para janeiro de 2033 marcava 12,33% alta de 28 pontos-base ante o ajuste de 12,049%.

As taxas futuras abriram a sessão já em alta no Brasil, após o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ter anunciado na terça-feira a decisão de devolver ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva trechos da Medida Provisória do PIS-Cofins que restringiram a compensação de créditos do tributo.

A ação de Pacheco foi vista como uma derrota para o governo e, em especial, para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que buscava com a MP cobrir perdas de arrecadação com a manutenção da desoneração da folha de pagamento.

A expectativa era de que a MP fosse gerar aumento de 29 bilhões na arrecadação em 2024.

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