O que aprendi lendo jornais de economia e porque isso é tão importanteDesde criança, ouço meus pais dizerem que “só ganha dinheiro quem tem dinheiro”. Até pouco tempo, eu tinha essa premissa como verdade absoluta, pois, na casa de meus pais, esta frase sempre foi empregada para justificar casos de pessoas que tiveram a “sorte” de comprar, por exemplo, uma casa por um preço baixo e depois vendê-la por um preço bem maior.

É claro que para qualquer tipo de investimento é necessário algum dinheiro, mas há duas variáveis nessa equação que meus pais não sabiam ou não mencionavam: 1) a intuição da pessoa (investidor) para reconhecer uma oportunidade quando ela aparece; e 2) sua atitude para aproveitá-la.

Como de costume nos meus textos aqui no Dinheirama, o artigo de hoje é baseado em uma experiência pessoal que me motivou a refletir sobre essa questão. Antes de começar, não quero que o leitor pense que ganhei muito dinheiro em um investimento, pois, muito pelo contrário, ainda não me considero um investidor, mas sim um aprendiz que está de olho nas chances que possam surgir.

Desenvolvendo a educação financeira
Minha história de hoje começou quando estava lendo o Capitulo 7 do livro “Vamos falar de dinheiro?” do amigo Conrado Navarro. No texto em questão, ele aborda a importância das pessoas conhecerem o básico sobre economia para, por exemplo, entender as crises econômicas e avaliar seus impactos na economia doméstica.

Fiquei muito incomodado quando, neste capítulo, o Navarro fez algumas perguntas ao leitor, como por exemplo: “Qual a taxa básica de juros (Selic) atual no nosso país?”, “Quanto fechou o dólar ontem?” e “Por que uma crise nos EUA mexe tanto com nossa economia?”.

São perguntas básicas sobre economia. Eu não soube responder nenhuma delas e me senti muito mal por isso na época. Confesso que, apesar de interessar-me por educação financeira, sempre achei uma chatice esse negócio de economia.

Mas, depois do “puxão de orelha” do Navarro, passei a esforçar-me para entender sobre o assunto e a acompanhar semanalmente alguns índices financeiros como o Ibovespa, taxa SELIC e a cotação do dólar. Informações essas que, até pouco tempo, pareciam inúteis para uma pessoa que só investia em caderneta de poupança.

Educação financeira colocada em prática
Acompanhando por alguns meses as noticias sobre economia, passei a notar que a cotação do dólar começou a cair gradativamente, e em meados de julho de 2011 me deparei com a seguinte noticia em um caderno de Economia: “Dólar tem a menor cotação em mais de 12 anos”.

Embora não seja uma expert em economia e não tenha acompanhado a cotação do dólar por muito tempo, percebi que aquele não era um cenário normal e passei a questionar-me se ali não havia uma oportunidade para ganhar dinheiro e comecei, então, a fazer umas pesquisas sobre como investir em moeda estrangeira. Para encurtar a história, relato abaixo a forma que encontrei para aproveitar a oportunidade do dólar em baixa.

Há tempos que tenho o sonho de conhecer Nova Iorque e aproveitar para praticar meu inglês. Mas, com a faculdade, a pós-graduação e o meu casamento logo em seguida, este é um projeto que provavelmente só conseguirei realizar em 2013. Assim, eu ainda não havia me preocupado com nada a esse respeito.

No entanto, com a baixa do dólar em julho de 2011, pensei em unir o útil ao agradável e colocar esse projeto em andamento. Conversei com alguns amigos que viajaram recentemente para o exterior e, nessas conversas, descobri que existe um cartão chamado Travel Card que pode ser “carregado” em Reais, aqui no Brasil, e depois usado, em Dólares, no exterior. O Navarro falou sobre ele no seu artigo “Viajar e pagar no exterior: cartão de crédito, pré-pago ou dinheiro?”.

Planejamento e ponderação antes de agir
Como eu já disse, não sou um investidor e começar com moeda estrangeira não seria a melhor opção para uma pessoa inexperiente como eu. Por isso, antes de sair correndo e fazer besteira, fiz muita pesquisa na Internet e pedi conselhos a amigos que explicaram as vantagens e os riscos na compra de dólares. De posse de alguns conhecimentos, resolvi arriscar e pensei da seguinte forma:

  • Se cair muito o preço, posso deixar o dinheiro parado no cartão;
  • Se subir um pouco, posso viajar aproveitando melhor esse dinheiro que comprei com uma cotação mais baixa; e
  • Se subir muito, posso vender os dólares e quem sabe até ele valorize mais do que o rendimento da poupança no período.

Gostaria que você leitor não interpretasse a minha decisão de comprar dólares como um investimento, mas como uma oportunidade – e eu estava preparado para ela, tanto por parte da informação sobre a baixa do dólar, como do dinheiro que tinha disponível para a compra.

Este dinheiro, aliás, correspondia a mais ou menos quatro vezes o meu salário e juntei-o durante algum tempo poupando 10% da minha renda todo mês e que estava “parado” em uma conta poupança destinado a eventuais emergências. Usei o dinheiro porque a poupança de emergência já está sendo recomposta com a ajuda de minha esposa, que recentemente conseguiu emprego na sua área profissional e fez nossa renda aumentar.

O exemplo em números
Para que o leitor tenha uma ideia da diferença no valor da cotação, veja o quadro abaixo e minhas ponderações finais:

Exemplo - Cotação do dólar

Ou seja, se eu fosse viajar ou comprar dólares no começo do ano, eu gastaria R$ 290,00 a mais para cada US$ 1 mil que eu fosse comprar.

Conclusões
Para ter esse “ganho” na compra dos dólares, é verdade que precisei poupar durante um bom tempo para juntar o dinheiro. No entanto, o mais importante foi reconhecer a oportunidade de fazer uma boa economia comprando dólar na época certa. Isso só foi possível porque um dia, graças ao livro do Navarro, comecei a adquirir o hábito de acompanhar noticias sobre economia.

Por mais que eu seja eternamente grato aos meus amigos Conrado Navarro, Bruno Biscaia, Camilo Lopes e Christian Barbosa, que sempre me ajudam com dicas e conselhos no que eu preciso, ninguém veio até mim e disse “Júnior, vai lá comprar dólar porque em pouco tempo o preço vai subir”. Isso foi uma coisa que aprendi sozinho ao longo do tempo, lendo sobre economia. Isso, amigo leitor, ninguém poderá fazer por você.

Foto de sxc.hu.

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