Home Comprar ou Vender Rebaixamentos e decepção: veja a reação da Faria Lima ao balanço da Petrobras

Rebaixamentos e decepção: veja a reação da Faria Lima ao balanço da Petrobras

A Petrobras irá se aventurar em novas aquisições, investimentos na transição energética, ou guardará estes valores para o futuro?

por Gustavo Kahil
3 min leitura

As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) despencam nesta sexta-feira (8) após a estatal apresentar um resultado abaixo do esperado pelo mercado e uma distribuição de dividendos que não atendeu as expectativas.

O lucro líquido no quarto trimestre de 2023 ficou em R$ 31 bilhões, cerca de 10,4% abaixo da média das projeções de oito instituições da Faria Lima: Citi, Safra, Genial, Ativa, XP, Bank of America, BTG Pactual e Itaú BBA.

Mas a grande decepção ficou para a decisão de não distribuir dividendos extraordinários, apenas os ordinários. O valor ficou em R$ 1,09 por ação, enquanto o esperado esperava R$ 2,67.

O lucro remanescente de 2023 foi de R$ 43,4 bilhões e deverá ser integralmente destinado para reserva de remuneração de capital. Caso distribuído, esse valor representaria R$ 3,3 adicionais aos proventos.

A grande dúvida agora está na futura alocação destes recursos. A Petrobras irá se aventurar em novas aquisições, investimentos na transição energética, ou guardará estes valores para o futuro?

Ninguém sabe ao certo e alguns analistas da Faria Lima, o centro financeiro do Brasil, já decidiram revisar as suas recomendações.

O Dinheirama selecionou 9 deles e listou abaixo as suas percepções sobre este balanço que se tornou “histórico” pelos motivos errados.

1 – Rodrigo Almeida e Eduardo Muniz, analistas do Santander

“Sem dividendos extraordinários, vemos a Petrobras negociando com um dividend yield de ~9%, o que está em grande parte em linha com os pares latino-americanos/europeus. Finalmente, vemos uma falta de catalisadores e acreditamos que a maioria dos investidores já incorpora pressupostos otimistas. Dessa forma, estamos reduzindo nosso preço-alvo (2024E) de R$ 52 para R$ 47 e rebaixando a recomendação para “Manutenção”.

2 – André Vidal e Helena Kelm, analistas da XP Investimentos

“Vemos a tese de investimentos agora como uma questão de avaliar a probabilidade de grandes movimentos de M&A ocorrerem no curto prazo. Se isso foi o que levou à decisão do Conselho de Administração, as ações provavelmente cairão ainda mais, devido a uma combinação de má alocação de capital com dividendos mais baixos (já que a fórmula mínima leva em conta M&A como CAPEX). Por outro lado, se isso tiver sido motivado principalmente pela vontade do governo de manter um “plano de reserva” para o caso de as contas fiscais se deteriorarem em breve, então esse dinheiro estocado acabará sendo pago de volta aos investidores e as ações poderão apresentar um bom desempenho de retorno total no futuro”.

3 – Mateus Pazin Haag, analista da Guide Investimentos

“Por conta de intervenções no pré-sal houve aumento no lifting cost. As refinarias seguem perdendo eficiência mesmo com aumento do Capex do segmento. O endividamento aumentou levemente, mas ainda abaixo dos US$ 65 bilhões que impediriam distribuições de dividendos. A companhia aprovou dividendos de R$ 1,1 por ação de acordo com o mínimo estabelecido na política de remuneração: esse valor foi abaixo do estimado pelos analistas, pois esperava-se dividendos extraordinários. O mercado esperava que fossem distribuídos R$ 2,67 por ação por conta de dividendos extraordinários. Contudo, esse fato não se concretizou”.

4 – Vitor Sousa, analista da Genial Investimentos

“Ainda que abaixo do consenso, é importante mencionar que o resultado trimestral foi puxado para baixo devido a um evento não-recorrente e não-caixa de valor expressivo: R$ 7,4 bilhões. Excluindo esse feito não-recorrente, o EBITDA no 4T23 teria sido de R$ 74,3 bilhões, em linha com a estimativa. Em nossa leitura, o grande ponto de atenção do trimestre foi o que podemos considerar o pagamento de dividendos”. A recomendação é “manter”, com preço-alvo de R$ 47.

5 – Pedro Soares, Thiago Duarte e Bruno Lima, analistas do BTG Pactual

“Embora esteja em linha com a sua política de remuneração, ainda é uma grande decepção. Estimamos que a Petrobras poderia pagar um dividendo adicional de US$ 4 bilhões com base nos resultados do exercício fiscal de 2023”. Ainda assim, o BTG reforça a recomendação de compra.

“Se estivermos certos, mesmo assumindo uma alocação de capital abaixo do esperado, dificilmente veríamos fusões e aquisições ou quaisquer pagamentos relacionados a obrigações tributárias ocorrendo no curto prazo, pois teriam que seguir inúmeros procedimentos e aprovações dos comitês internos e independentes da empresa”.

6 – Monique Martins Greco Natal, analista do Itaú BBA

“Os investidores esperavam que a empresa fosse cautelosa relativamente ao pagamento de dividendos extraordinários, mas o consenso era que os dividendos extraordinários seriam algo entre US$ 3 bi e 5 bi”. Natal entende que houve uma “grande decepção com os dividendos extraordinários, o que também deverá aumentar as preocupações entre os investidores sobre o futuro da alocação de capital da empresa”. A analista tem um preço-alvo de R$ 38 para as ações, com recomendação marketperform.

7 – Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research

“A distribuição de dividendos extraordinários seria um forte indicativo do compromisso da empresa com o crescimento sustentável e com o alinhamento dos interesses dos acionistas minoritários. No entanto, isso não ocorreu, e a empresa enfrentará repercussões negativas no mercado hoje”.

8 – Fabiano Vaz, analista da Nord Research

“A grande dúvida, porém, é sobre a destinação desses recursos no futuro.  Após a crise de 2014, a Petrobras focou no seu core business, exploração e produção em águas profundas e ultraprofundas, e iniciou desinvestimentos em ativos que não faziam sentido. Desde a mudança na gestão da companhia, em 2023, tivemos alterações no seu plano estratégico, com a retomada de foco na atuação nos mercados de refino, gás e energia, além de maiores investimentos em projetos de energias renováveis e descarbonização”. O analista recomenda a troca das ações da Petrobras pelas da Prio (PRIO3).

9 – Banco Safra

“Acreditamos que a surpresa com os dividendos torna o custo de carregar ações da Petrobras menos atraente e aumenta a incerteza sobre pagamentos futuros e alocação de capital, e deve eclipsar os resultados operacionais em linha”.

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