Home Economia e Política Selic: efeitos da crise no Sul já podem interromper novas quedas

Selic: efeitos da crise no Sul já podem interromper novas quedas

Além dos impactos inflacionários, a necessidade de reconstrução no Sul adiciona uma camada de complexidade ao cenário fiscal

por Gustavo Kahil
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As enchentes devastadoras no Rio Grande do Sul estão impactando significativamente a economia brasileira, elevando a inflação e afetando as políticas monetárias. Uma análise da LCA Consultores publicada nesta terça-feira (21) indica que os danos causados pelas enchentes estão pressionando as expectativas de inflação e podem levar ao fim do ciclo de cortes na taxa Selic.

De acordo com o relatório, “a piora das projeções de inflação tem sido mais intensa para 2024 e 2025 – em função dos potenciais efeitos inflacionários da calamidade pública na Região Sul, principalmente sobre os preços de alimentos”.

As enchentes danificaram plantações e interromperam a logística de transporte, resultando em uma pressão ascendente nos preços dos alimentos, que já começam a ser refletidos nos índices de inflação.

A tragédia não só eleva os preços dos alimentos, mas também aumenta a incerteza fiscal. O relatório destaca que a calamidade climática “ao exigir aporte de recursos públicos para fins humanitários e de reconstrução, também aumenta o (já elevado) nível de incertezas na seara fiscal”.

Esse aumento nas despesas públicas pode complicar ainda mais o cenário inflacionário, desafiando a política de cortes na taxa básica de juros.

Sul impacta inflação

A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em 8 de maio, que terminou com uma decisão dividida, aumentou a desconfiança no mercado quanto ao compromisso do Banco Central em atingir as metas de inflação. O relatório da LCA menciona que essa divisão alimenta a desconfiança “de agentes econômicos acerca do compromisso da autoridade monetária com o atingimento da meta [de inflação]”. Esse ceticismo adiciona mais pressão às expectativas de inflação a longo prazo.

O mercado de trabalho também continua a ser um ponto de preocupação.

A análise da LCA observa que “o forte dinamismo da atividade econômica e do mercado de trabalho tem sido apontado pelo Copom como um fator de preocupação, já que o sobreaquecimento da economia tende a dificultar o processo de convergência da inflação para as metas”. Com o desemprego em níveis historicamente baixos e ganhos salariais robustos, a demanda permanece alta, alimentando a inflação.

Selic: interrupção

Diante desse cenário desafiador, a LCA revisou suas projeções para a taxa Selic. A expectativa atual é que a taxa seja reduzida para 10,25% ao ano em junho, mantendo-se nesse nível até meados de 2025. No entanto, essa perspectiva de um corte adicional em junho está condicionada a uma estabilização dos riscos externos e à contenção da deterioração das expectativas inflacionárias domésticas.

As enchentes no Rio Grande do Sul evidenciam como eventos climáticos extremos podem ter repercussões econômicas de longo alcance. Além dos impactos imediatos nos preços dos alimentos, a necessidade de reconstrução e assistência humanitária adiciona uma camada de complexidade ao cenário fiscal, que já era desafiador.

Esse contexto pode levar a uma mudança na política monetária, com a possível interrupção dos cortes na Selic.

Em conclusão, a análise da LCA Consultores sublinha que os efeitos das enchentes no Rio Grande do Sul são profundos e abrangentes, influenciando a inflação, a política fiscal e as decisões de política monetária. A combinação de pressões inflacionárias elevadas e incertezas fiscais aumentam as chances de que o ciclo de cortes na Selic seja interrompido, representando um desafio significativo para a economia brasileira nos próximos meses

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