S&P aponta cenário negativo na economia brasileiraA agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) alterou a perspectiva dos ratings de crédito soberano de longo prazo atribuídos ao Brasil de estável para negativa. A divulgação feita pela S&P na última quinta-feira (06) mostra que o país não está tão preparado para atrair recursos como estava anteriormente.

No entanto, mesmo com a mudança de perspectiva, a S&P ainda reafirma os ratings de crédito soberano em moeda estrangeira de longo e curto prazos.

Fundamentos

O país é classificado como “BBB” para o longo prazo e “A-2” para o curto prazo, o que reflete as instituições políticas bem estabelecidas no país, a diversificação de sua economia, os níveis administráveis de sua dívida externa líquida e seu comprometimento político com políticas que mantêm a estabilidade econômica.

Os ratings também incorporam a dívida relativamente grande do governo e suas necessidades de refinanciamento. Além disso, refletem a grande demanda do país por investimentos para melhorar sua infraestrutura física, bem como os impedimentos estruturais que contribuem para a baixa participação dos investimentos no PIB.

Em contra partida, o Brasil poderá chegar a seu terceiro ano de crescimento econômico modesto, podendo o PIB crescer apenas 2,5% em 2013 (ante 2,7% em 2011 e 0,9% em 2012). Isso se deve, principalmente, a redução nos investimentos do setor privado e o desempenho modesto das exportações.

Aliado a isso ainda há o risco de uma desaceleração mais persistente nas despesas das famílias brasileiras no contexto de maior endividamento do consumidor.

As considerações dos fundamentos de análise da S&P nos mostram que o lento crescimento tem contribuído para um enfraquecimento moderado do perfil financeiro do governo, incluindo uma deterioração no desempenho fiscal, um aumento na carga da dívida do governo e desconfiança do investidor.

Instituições financeiras sofrem mesma ação

Um dia após a alteração da perspectiva para o rating soberano do país, a S&P também rebaixou o rating de onze instituições financeiras de estável para negativo.

“Ao mesmo tempo, afirmamos os ratings de curto e longo prazo das instituições e afirmamos seus perfis de crédito. A perspectiva dos ratings em escala nacional continua inalterada”, disse Sergio Garibian, analista de rating da S&P.

As instituições afetadas são: Bradesco, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Citibank, Itaú BBA, Itaú Unibanco, HSBC Brasil, Santander, Allianz e BM&FBovespa.

Em seu relatório, a S&P destacou que o rating da BM&FBovespa está um grau acima do rating soberano do Brasil, o que reflete a visão positiva da agência sobre a gestão de risco da empresa.

“Acreditamos que, em um default soberano hipotético, existe a possibilidade de a BM&FBovespa não entrar em default. No entanto, está exposta às dinâmicas brasileiras de mercado”, apontou o relatório.

O que muda para o pequeno investidor?

Além da redução da perspectiva das condições macroeconômicas brasileiras, o pequeno investidor recebeu outras duas notícias impactantes na última semana.

A primeira delas é a redução do IOF para estrangeiros que investem em produtos de renda fixa no país. Já a segunda é a expectativa de aumento da Selic para um patamar próximo aos 9% até o final do ano, após a divulgação da última ata do Copom.

As consequências dessas três notícias combinadas são impossíveis de serem previstas, mas algumas possibilidades que se apresentam não devem ser ignoradas pelo pequeno investidor que se preocupa em estar sempre alerta à grandes riscos.

Por exemplo, a isenção do IOF pode gerar um fluxo maior de capital estrangeiro para os investimentos em Tesouro Direto. Para o investidor que já aplica nos títulos públicos, poderá haver um aumento de valor oferecido pelo papel no mercado (aumentam as chances de ele lucrar com sua venda antes do vencimento).

Já para o investidor que não investe em tais títulos, o cenário poderá ser visto como o oposto. O aumento da demanda pelos papéis poderá fazer com que ele esteja mais caro de ser comprado e com remuneração menor.

Sendo assim, esse cenário trabalha com a hipótese de que haverá aumento de capital estrangeiro no país. Porém, mesmo com a redução tributária, nada mudou para estrangeiros em relação ao risco do câmbio. Dependendo da variação do câmbio, um rendimento de 8% (atual patamar da Selic) convertido em dólares pode não ser vantajoso.

Outro panorama pode ser visto se adicionarmos a questão do rebaixamento do rating pela S&P. Nesta visão, os estrangeiros poderiam considerar o investimento no Brasil arriscado e, portanto, não existiria um aumento no fluxo de moedas, extinguindo-se a possibilidade de valorização dos títulos do Tesouro pelo maior volume de investimentos estrangeiros.

Celso Grisi, diretor presidente do Instituto Fractal de Análises de Mercado, pondera que a revisão da S&P não deve desmotivar investimentos estrangeiros no país.

“A revisão da S&P não deve abalar os títulos públicos, afinal o Brasil tem fundamentos econômicos positivos e o governo já iniciou algumas correções sobre pontos apontados pela agência. Além disso, a redução da alíquota do IOF estimula o investimento”, afirmou Celso.

Mais considerações devem ser feitas em relação à expectativa de alta da Selic. Com a taxa chegando aos 9% (previsão de muitos analistas para o fim de 2013), os títulos do Tesouro Direto atrelados à Selic, Letras Financeiras do Tesouro (LFT), passariam a oferecer maiores remunerações. Bem como fundos referenciados DI, que investem em ativos que seguem a variação do CDI.

“No atual cenário de perspectiva de aumento dos juros, os títulos pós-fixados (LFT) são melhores para o investidor do que os prefixados. Mas, se o investidor tem um objetivo de investir no longo prazo, por exemplo, comprar uma NTN-B que o protege da inflação e paga uma taxa de juros pode ser uma boa opção também”, avalia Marcio Cardoso, sócio-diretor da Título Corretora.

Momento de atenção

As análises apresentadas acima precisam de algumas ressalvas. A própria S&P ressaltou que caso o Brasil implante iniciativas consideradas consistentes e que possam aumentar a confiança no setor privado do país, o rating brasileiro pode ser revisado para estável. A revisão considera as notas a prazo longo para a moeda local e estrangeira.

Quanto ao cenário para o pequeno investidor, vale a o argumento defendido por Marcio Cardoso. Segundo ele, o investidor não deve correr para as LFTs ou para outros produtos apenas considerando as notícias divulgadas nesta semana. É preciso calma.

O especialista ressalta que um movimento não muda sozinho todo um cenário e outras questões, como o perfil do investidor, também devem ser levadas em consideração.

Fontes: EXAME | Notícias BR. Foto de freedigitalphotos.net.

Willian Binder
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