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S&P aponta cen√°rio negativo na economia brasileira

por Willian Binder
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S&P aponta cen√°rio negativo na economia brasileiraA ag√™ncia de classifica√ß√£o de risco Standard & Poor‚Äôs (S&P) alterou a perspectiva dos ratings de cr√©dito soberano de longo prazo atribu√≠dos ao Brasil de est√°vel para negativa. A divulga√ß√£o feita pela S&P na √ļltima quinta-feira (06) mostra que o pa√≠s n√£o est√° t√£o preparado para atrair recursos como estava anteriormente.

No entanto, mesmo com a mudança de perspectiva, a S&P ainda reafirma os ratings de crédito soberano em moeda estrangeira de longo e curto prazos.

Fundamentos

O pa√≠s √© classificado como ‚ÄúBBB‚ÄĚ para o longo prazo e ‚ÄúA-2‚ÄĚ para o curto prazo, o que reflete as institui√ß√Ķes pol√≠ticas bem estabelecidas no pa√≠s, a diversifica√ß√£o de sua economia, os n√≠veis administr√°veis de sua d√≠vida externa l√≠quida e seu comprometimento pol√≠tico com pol√≠ticas que mant√™m a estabilidade econ√īmica.

Os ratings também incorporam a dívida relativamente grande do governo e suas necessidades de refinanciamento. Além disso, refletem a grande demanda do país por investimentos para melhorar sua infraestrutura física, bem como os impedimentos estruturais que contribuem para a baixa participação dos investimentos no PIB.

Em contra partida, o Brasil poder√° chegar a seu terceiro ano de crescimento econ√īmico modesto, podendo o PIB crescer apenas 2,5% em 2013 (ante 2,7% em 2011 e 0,9% em 2012). Isso se deve, principalmente, a redu√ß√£o nos investimentos do setor privado e o desempenho modesto das exporta√ß√Ķes.

Aliado a isso ainda há o risco de uma desaceleração mais persistente nas despesas das famílias brasileiras no contexto de maior endividamento do consumidor.

As considera√ß√Ķes dos fundamentos de an√°lise da S&P nos mostram que o lento crescimento tem contribu√≠do para um enfraquecimento moderado do perfil financeiro do governo, incluindo uma deteriora√ß√£o no desempenho fiscal, um aumento na carga da d√≠vida do governo e desconfian√ßa do investidor.

Institui√ß√Ķes financeiras sofrem mesma a√ß√£o

Um dia ap√≥s a altera√ß√£o da perspectiva para o rating soberano do pa√≠s, a S&P tamb√©m rebaixou o rating de onze institui√ß√Ķes financeiras de est√°vel para negativo.

‚ÄúAo mesmo tempo, afirmamos os ratings de curto e longo prazo das institui√ß√Ķes e afirmamos seus perfis de cr√©dito. A perspectiva dos ratings em escala nacional continua inalterada‚ÄĚ, disse Sergio Garibian, analista de rating da S&P.

As institui√ß√Ķes afetadas s√£o: Bradesco, Banco Nacional de Desenvolvimento Econ√īmico e Social (BNDES), Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Citibank, Ita√ļ BBA, Ita√ļ Unibanco, HSBC Brasil, Santander, Allianz e BM&FBovespa.

Em seu relatório, a S&P destacou que o rating da BM&FBovespa está um grau acima do rating soberano do Brasil, o que reflete a visão positiva da agência sobre a gestão de risco da empresa.

‚ÄúAcreditamos que, em um default soberano hipot√©tico, existe a possibilidade de a BM&FBovespa n√£o entrar em default. No entanto, est√° exposta √†s din√Ęmicas brasileiras de mercado‚ÄĚ, apontou o relat√≥rio.

O que muda para o pequeno investidor?

Al√©m da redu√ß√£o da perspectiva das condi√ß√Ķes macroecon√īmicas brasileiras, o pequeno investidor recebeu outras duas not√≠cias impactantes na √ļltima semana.

A primeira delas √© a redu√ß√£o do IOF para estrangeiros que investem em produtos de renda fixa no pa√≠s. J√° a segunda √© a expectativa de aumento da Selic para um patamar pr√≥ximo aos 9% at√© o final do ano, ap√≥s a divulga√ß√£o da √ļltima ata do Copom.

As consequências dessas três notícias combinadas são impossíveis de serem previstas, mas algumas possibilidades que se apresentam não devem ser ignoradas pelo pequeno investidor que se preocupa em estar sempre alerta à grandes riscos.

Por exemplo, a isen√ß√£o do IOF pode gerar um fluxo maior de capital estrangeiro para os investimentos em Tesouro Direto. Para o investidor que j√° aplica nos t√≠tulos p√ļblicos, poder√° haver um aumento de valor oferecido pelo papel no mercado (aumentam as chances de ele lucrar com sua venda antes do vencimento).

Já para o investidor que não investe em tais títulos, o cenário poderá ser visto como o oposto. O aumento da demanda pelos papéis poderá fazer com que ele esteja mais caro de ser comprado e com remuneração menor.

Sendo assim, esse cen√°rio trabalha com a hip√≥tese de que haver√° aumento de capital estrangeiro no pa√≠s. Por√©m, mesmo com a redu√ß√£o tribut√°ria, nada mudou para estrangeiros em rela√ß√£o ao risco do c√Ęmbio. Dependendo da varia√ß√£o do c√Ęmbio, um rendimento de 8% (atual patamar da Selic) convertido em d√≥lares pode n√£o ser vantajoso.

Outro panorama pode ser visto se adicionarmos a questão do rebaixamento do rating pela S&P. Nesta visão, os estrangeiros poderiam considerar o investimento no Brasil arriscado e, portanto, não existiria um aumento no fluxo de moedas, extinguindo-se a possibilidade de valorização dos títulos do Tesouro pelo maior volume de investimentos estrangeiros.

Celso Grisi, diretor presidente do Instituto Fractal de Análises de Mercado, pondera que a revisão da S&P não deve desmotivar investimentos estrangeiros no país.

‚ÄúA revis√£o da S&P n√£o deve abalar os t√≠tulos p√ļblicos, afinal o Brasil tem fundamentos econ√īmicos positivos e o governo j√° iniciou algumas corre√ß√Ķes sobre pontos apontados pela ag√™ncia. Al√©m disso, a redu√ß√£o da al√≠quota do IOF estimula o investimento‚ÄĚ, afirmou Celso.

Mais considera√ß√Ķes devem ser feitas em rela√ß√£o √† expectativa de alta da Selic. Com a taxa chegando aos 9% (previs√£o de muitos analistas para o fim de 2013), os t√≠tulos do Tesouro Direto atrelados √† Selic, Letras Financeiras do Tesouro (LFT), passariam a oferecer maiores remunera√ß√Ķes. Bem como fundos referenciados DI, que investem em ativos que seguem a varia√ß√£o do CDI.

‚ÄúNo atual cen√°rio de perspectiva de aumento dos juros, os t√≠tulos p√≥s-fixados (LFT) s√£o melhores para o investidor do que os prefixados. Mas, se o investidor tem um objetivo de investir no longo prazo, por exemplo, comprar uma NTN-B que o protege da infla√ß√£o e paga uma taxa de juros pode ser uma boa op√ß√£o tamb√©m‚ÄĚ, avalia Marcio Cardoso, s√≥cio-diretor da T√≠tulo Corretora.

Momento de atenção

As análises apresentadas acima precisam de algumas ressalvas. A própria S&P ressaltou que caso o Brasil implante iniciativas consideradas consistentes e que possam aumentar a confiança no setor privado do país, o rating brasileiro pode ser revisado para estável. A revisão considera as notas a prazo longo para a moeda local e estrangeira.

Quanto ao cen√°rio para o pequeno investidor, vale a o argumento defendido por Marcio Cardoso. Segundo ele, o investidor n√£o deve correr para as LFTs ou para outros produtos apenas considerando as not√≠cias divulgadas nesta semana. √Č preciso calma.

O especialista ressalta que um movimento n√£o muda sozinho todo um cen√°rio e outras quest√Ķes, como o perfil do investidor, tamb√©m devem ser levadas em considera√ß√£o.

Fontes: EXAME | Notícias BR. Foto de freedigitalphotos.net.

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