Por Gustavo Chierighini, publisher da Plataforma Brasil Editorial.

Caro leitor, em tempos de crise o que nos resta é o combate – e nesse cenário, nada melhor e tão absolutamente atemporal como a meritocracia para nos acompanhar na trincheira.

Dotado do mérito da simplicidade conceitual (onde os melhores se destacam e recebem os melhores benefícios), reconhecido pelos resultados que provoca, amado por alguns e odiado por muitos, o modelo meritocrático de gestão cresce em tempos agudos.

E, cá entre nós, convenhamos, poucas coisas são menos estimulantes do que um ambiente de trabalho onde acomodados, “rodas presas” e preguiçosos são tão considerados e premiados quanto aqueles que, independentemente das suas questões pessoais ou limitações individuais, conseguem operar com obstinação, empenho absoluto e elevado senso de responsabilidade.

Nesse contexto, onde os “prêmios” sempre se caracterizam como algo restrito, nada mais natural que se estabeleçam regras comuns e justas para o seu acesso, criando com isso uma espiral positiva em benefício da competitividade e da saúde econômica dos negócios.

Em resumo, na meritocracia pouco importam a sua origem, filiação, raça, credo, onde você estudou ou mesmo as questões de gênero. Em um ambiente assim, o valor vem dos resultados e da qualidade como estes foram atingidos. Obviamente não se trata de algo perfeito, mas alguns se adaptam facilmente e jamais vão querer trabalhar em um modelo diferente.

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Como lidar com a meritocracia do jeito certo

A questão é como implantar esta cultura, considerando os seus desdobramentos operacionais e seu impacto no cotidiano de um grupo de profissionais ainda não acostumados ao processo triturador que o culto ao mérito impõe. Vamos lá:

  1. Elimine a retórica vazia. Ao implantar uma cultura meritocrática, seja coerente. Nada será mais importante do que o resultado e sua qualidade. O resto é o resto;
  2. Tenha metas claras e exequíveis, para que possam ser distribuídas aos colaboradores. Sem isso, não haverá parâmetros confiáveis e respeitados de avaliação. Tudo nascerá de um planejamento detalhado, possibilitando o encadeamento de objetivos, metas e ações;
  3. Crie uma política de premiação, que pode ser gradual e escalonada, envolvendo desde o incremento de remuneração até a participação na sociedade;
  4. Premie com dinheiro (ou direitos sobre ativos, como a participação societária). As pessoas querem enriquecer e usufruir do ganho econômico que estão proporcionando ao negócio com seus esforços. Nada mais do que isso;
  5. Cuide bem da comunicação. Ela deve refletir um programa claro e dotado de regras cristalinas. Isso vai garantir adesão e comprometimento;
  6. Dedique especial atenção ao clima interno. Não permita que a competitividade saudável provocada pela meritocracia desague em agressividade gratuita e processos autofágicos desnecessários. Equipes precisam trabalhar com coesão e coordenação eficiente (concatenada com o planejamento do negócio). Sem isso, você criará uma “terra de ninguém”, com prejuízos imediatos ao próprio negócio.

Conclusão

Tenha em mente que não se trata de um modelo perfeito e à prova de equívocos, e esteja preparado para perder alguns talentos que, independentemente de sua capacidade, não estão dispostos a conviver profissionalmente em um ambiente tão duro e difícil (mesmo com todos os “prêmios” disponíveis). Boa sorte e até o próximo.

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Foto “Achievement”, Shutterstock.

Plataforma Brasil
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