Quanto você pagaria por um pedaço de torta de chocolate? E para encher o tanque de gasolina? Nestas últimas semanas, acabei descobrindo que estaria disposta a pagar muito mais do que faria em uma situação “normal”, digamos assim, dentro do que estou acostumada. E você? Quanto pagaria? Desta vez vamos falar sobre como o valor que damos a alguma coisa pode estar atrelado a tantas outras e, às vezes, basta mudar de cenário ou situação para nos darmos conta disso. Vamos lá?

Nas duas últimas semanas tive a oportunidade de sair um pouco da rotina. Sabendo que iria para a Argentina, fiz algumas aulas de espanhol pela internet para destravar a língua e relembrar um pouco. Algumas delas foram com um venezuelano jornalista de formação, mas professor de espanhol por necessidade. Também achei que seria uma oportunidade de entender melhor a realidade em que aquele país se encontra hoje.

Pois bem, entre outras coisas, me contou ele que um aposentado recebe em média US$ 2 mensais, que o governo subsidia alguns itens como eletricidade e internet, que custam cerca de US$ 0,50 mensais, mas que os mesmos US$ 0,50 seriam o custo médio de 1 quilo de açúcar no mercado negro. Dá para ter ideia da situação?

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Realidade dos juros na Argentina

Na Argentina, juros de 40% ao ano tem contribuído para um forte aumento nos preços. Basta dizer que não comprei quase nada além do necessário. Mas o pior, indo passar um fim de semana em uma cidadezinha no Uruguai, foi constatar que um sorvete de casquinha poderia custar cerca de R$ 20, e um pedaço de torta de chocolate inacreditáveis R$ 40. Um garçom confirmou o quão custoso era viver ali. E como dizer o contrário?

Por aqui, finalmente, acho que nem preciso dizer que a paralisação dos caminhoneiros somada à falta geral de gasolina para abastecer nos postos levou os preços às alturas. E que, é claro, ainda que muito mais caro do que o habitual, como não pagar se necessário? São apenas alguns exemplos para começarmos a falar sobre a relatividade de algumas coisas. Vamos lá?

De ponta-cabeça

No fim das contas, senti nestes últimos dias que a minha percepção sobre dinheiro e o valor das coisas virou um pouco de cabeça para baixo. Mas deixando à parte esta lambança nos preços que tem mais a ver com aspectos econômicos, entre outros pontos, vamos falar sobre sonhos e percepção da realidade.

Pare para pensar: muitas vezes a gente acha que a nossa percepção da realidade é igual a de todo mundo, mas não é. O mesmo valor que R$ 100 tem para mim pode ser completamente diferente para quem tem uma gorda conta bancária ou para um pai de familia que precisa pagar mais contas do que o salário permite. Lembro de uma colega suíça que, uns bons anos atrás, dizia a frase “it´s so cheap” (“é tão barato”) para quase tudo que via. Para mim, no entanto, com meus contados reais, nada era “so cheap” assim.

Para ganhar equilíbrio na vida financeira precisamos lembrar desta relatividade das coisas. O equilíbrio deve ser conquistado a partir da realidade de cada um, certo? Sonhos e metas são individuais, assim como realidades de vida. Se um profissional das finanças acredita que sua missão é deixar todos os clientes milionários, já começa errado.

Você é responsável por seus sonhos

É claro, quem não gostaria de ganhar mais dinheiro? Mas pode ser que o sonho de alguém seja apenas viver mais equilibradamente dentro daquilo que já possui, sem dívidas. Assim como uma torta pode custar R$ 10 ou R$ 40 de acordo com determinado universo e situação, o primeiro passo para obtermos sucesso em uma organização financeira é considerar a relatividade das coisas e não fazer comparações.

Se estabeleço metas me comparando excessivamente à realidade e valores de outros, já começo errado. E isso vale para tudo na vida. É importante termos referências para saber onde queremos chegar, mas sem deixar de entender a nossa própria realidade como base de melhoria, entende?

Alguém que está fazendo um regime e precisa perder 20 quilos não deveria se comparar a uma modelo de 50 quilos como referência inicial. Caso contrário, ainda que perca 5 quilos ficará infeliz considerando o que tem como padrão. Alguém que está aprendendo inglês não deveria se comparar a um nativo do idioma nos primeiros meses de aprendizado, pois cada melhoria pode não ser considerada tão importante.

O que quero dizer com tudo isso é que devemos aproveitar que tudo é relativo para  traçar metas dentro daquilo que nos cabe e ir melhorando a partir delas, combinado? O meu sonho de hoje pode não ser o mesmo de amanhã, o que estaria disposta a pagar ontem pode ser que tenha diminuído muito hoje. Não é à toa que, de tempos em tempos, devemos rever as nossas prioridades e metas. É desta forma, sem tantas comparações e olhando para a vida de uma forma mais flexível, que nos será possível ser gratos por cada conquista e muito mais felizes e dispostos a melhorar. Vamos lá?

Janaína Gimael
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