Primeiro, gostaria de justificar o título desse texto.  As dicas a seguir valem para pessoas de qualquer idade, com menos ou mais do que esta faixa etária. Usei essa idade, por dois motivos:

  • Estou dentro dessa faixa etária, logo vivo essa mesma realidade e estou próximo de muitas pessoas com idade parecida;
  • É a idade que exige importantes decisões que poderão impactar significativamente seu futuro.

E usei o termo dinheiro, porque educação financeira assusta, eu sei. Dinheiro todo mundo gosta, finanças não. Vai entender… Então vamos lá.

Comecei a estudar sobre dinheiro (ou educação financeira) aos 13 anos de idade, com um livro que marcou a divisão da forma de pensar sobre dinheiro e trabalho. Sim, o clássico “Pai Rico Pai Pobre”, que mesmo já tendo alguns bons aninhos e mudanças da economia, não deixa de ser leitura obrigatória.

Depois disso mergulhei de cabeça em centenas de livros, artigos e palestras sobre isso, conheci e trabalhei com os maiores gurus brasileiros do assunto, e agora, escrevo junto a eles, em um dos capítulos de meu livro.

Leitura recomendada: Dinheirama Entrevista: João Cristofolini, Empreendedor, Autor e Palestrante

Tem muito a se falar por aqui. Vou enumerar os principais pontos, que voltaremos a discutir individualmente ainda.

Ganhar dinheiro não é pecado

Ao contrário do que você possa ter ouvido quando criança, ganhar dinheiro não é pecado. Quanto mais dinheiro você ganhar, mais pessoas poderá ajudar e mais impostos irá pagar, desde que o caminho escolhido para isso seja correto. Elimine os bloqueios e pensamentos negativos que você ouviu sobre dinheiro durante sua vida.

Dinheiro não traz felicidade, mas a falta dele traz motivos para infelicidade

Diversos estudos já mostraram que até uma determinada faixa de valor, que depende da região/País e seu custo de vida, o dinheiro pode contribuir com sua qualidade de vida e bem-estar.

No Brasil, este valor deve ficar por volta de até R$ 10 mil mensais, levando em conta que por aqui não podemos contar com grande parte dos serviços públicos e por isso precisamos contratar muitos serviços básicos, particulares. Qualquer aumento de renda superior a este valor mostrou-se irrelevante no aumento da felicidade.

Ou seja, mais importante do que a quantidade de dinheiro é estar dentro de seu padrão de vida e renda. Em outras palavras, uma pessoa que ganha R$ 500,00 e tem um padrão de vida de R$ 400,00, por exemplo, pode viver muito mais tranquila do que aquela que ganha R$ 2.000,00 e gasta R$ 3.000,00. E isso é muito mais comum do que você imagina.

Colher demora mais do que você imagina

Ao contrário das histórias fenomenais que a mídia nos mostra, de jovens atletas milionários a novos empreendedores também milionários (do dia para a noite), a estrada, via de regra, é mais longa do que parece – o que não quer dizer que seja impossível e sim que existe tempo para isso.

Os velhos clichês de que você precisa primeiro plantar para depois colher e que dinheiro é consequência de um bom e impactante trabalho são verdadeiros. O que você está plantando? Quantas pessoas você está impactando positivamente com seu trabalho? Sua colheita será proporcional a isso.

Carro

Será que você precisa ter o melhor carro ou o carro do ano nessa fase da vida? A primeira coisa que a maioria dos jovens (principalmente homens) fazem ao ganhar os primeiros rendimentos é comprar um carro.

A segunda coisa que estes jovens fazem, ao ganharem um aumento, é trocar de carro e comprar um ainda melhor. Motivo? Status. Tópico para outro texto, não vamos entrar aqui nos motivos que levam a isso e sim na questão financeira. Quais as consequências dessas escolhas?

  • Financiar e pagar de 2 a 3 carros poucos anos depois;
  • Comprometer grande parte de sua renda com parcelas mensais, desproporcionais a sua renda atual e mais os gastos com seguro, manutenção, IPVA e todos os custos envolvidos.

O que não quer dizer que você não deva comprar um carro, mas sim, que deve realizar (assim como para todas as compras) uma escolha e análise racional (e não emocional), de acordo com a sua real necessidade e condição financeira.  Em alguns casos (muitos, na verdade), essa compra poderia ser adiada, não fosse o tal do status e a cultura brasileira.

Casa própria

Quem disse que quem casa quer casa? Talvez você ouviu isso desde pequeno, o que denota mais um sinal da falta de educação financeira. Meus conselhos a esse respeito são: coloque no papel, faça contas e, principalmente, análises racionais (não emocionais ou baseadas em como todo mundo faz ou como alguém falou); não existe certo ou errado.

Este tema gera grandes polêmicas, sempre. O que você precisa saber e o que defendo ferozmente em meu livro “O que a escola não nos ensina” é conhecer e entender as opções.

Você precisa ter consciência do que está fazendo e conhecer as opções. Se, mesmo sabendo e conhecendo, por qualquer que seja o motivo você optar por seguir este ou aquele caminho, tudo bem. Mas, fazer sem conhecimento pode ser um grande perigo.

Alugar é, neste momento, financeiramente mais interessante do que comprar e explicarei o porquê em outros textos. Em resumo, além da alta dos preços que estamos vivendo hoje, há grande quantidade de imóveis disponíveis para alugar (lei da oferta e demanda).

O percentual do aluguel sobre o valor do imóvel, que em média não passa de 0,5% ao mês (divida o valor do aluguel pelo valor do imóvel), está muito abaixo de muitas aplicações financeiras conservadoras.

Isso sem contar que você vai comprometer grande parte de seu orçamento com o financiamento, vai pagar alguns imóveis a mais, vai se prender em determinado espaço físico (em uma época de incertezas e mudanças), a família pode aumentar muito em breve e por aí vai. Decida-se com cuidado.

Leitura recomendada: Imóvel: Alugar ou Comprar, qual é a Melhor Opção?

Educação Formal

“Educação é melhor investimento, educação rende os melhores juros”. Sou um grande defensor da educação, a questão a ser analisada são as formas de se educar. Educação não é apenas sinônimo de faculdade, pós-graduação ou MBA. Estas são algumas opções, as tradicionais, mas não as únicas.

Nestes casos, você paga um alto valor agregado para ter tudo prontinho e embalado para você, com um brinde de ter um certificado ao final. Assim como em um financiamento, você paga pela incapacidade de poupar sozinho.

Novamente, não existe certo ou errado, existem opções. E nem sempre a mesma opção é a melhor para todas as pessoas e áreas. Faça o cálculo do valor a ser investido, potencial de retorno e analise as opções possíveis, antes de se endividar e comprometer grande parte de sua renda. Renda que, ao contrário do dito popular, nem sempre lhe trará o retorno financeiro proporcional.

Cartão de Crédito

Não tem nenhum problema com o cartão de crédito, a questão está em como muitas pessoas o usam. Cartão é igual a dinheiro, a única diferença é que em vez de ficar na carteira, fica na conta de seu banco. Ou seja, você não pode gastar o que não tem – uma falsa impressão que aquela opção chamada “crédito” nos dá.

A grande maioria paga tudo no crédito e não tem noção nenhuma de quanto já gastou ou quanto tem disponível para gastar. O resultado acaba sendo gastar mais do que poderia, entrando em uma grande “bola de neve”, acumulando contas, pagando parcela mínima do cartão e entrando nos juros estratosféricos do rotativo.

Por que é fácil aumentar o limite do cartão de crédito? Porque os juros de quem não consegue pagar no final do mês são enormes. Quanto mais fácil, mais caro! Lógico, não? Na prática, não parece. Uma sugestão: pague sempre no débito; além de ter um controle exato de quanto você gasta a cada mês, vai te controlar a gastar o que pode.

Primeiros trabalhos

Seus primeiros trabalhos não podem ser visando o maior retorno financeiro. O que mais vejo de pessoas desta idade, em início de carreira, ao buscar um emprego é a pergunta: “Qual opção que paga o melhor salário e que menos precise trabalhar?”.

Você deveria pagar para trabalhar nessa idade, trabalhar de graça ou por qualquer valor. A escolha não pode ser com esse olhar. O correto é buscar a opção que vai proporcionar maior aprendizado, experiência, vivência, contatos e etc.

Comprometer grande parte da renda

É difícil ter controle preciso da receita nessa fase da vida (a renda muitas vezes vai ser baixa). No entanto, é totalmente possível ter controle de suas despesas. O que mais vejo são jovens de classe média, iniciando a vida, ganhando um pequeno salário, querendo sustentar a mesma vida que seus pais possuem.

Seu padrão de vida e seus custos devem estar de acordo com sua renda, não com a de terceiros. Evite ao máximo contrair custos fixos nesta fase da vida e enquadre seu padrão de vida com 50% de sua renda. A grande maioria ainda mora com os pais e com isso tem muito menos gastos.

Assumir riscos

Essa é a melhor idade para você assumir riscos e empreender, ao contrário do que muitos dizem. Aqui você terá muito mais tempo para errar, se recuperar, mudar e perder do que quando estiver com família, filhos, com mais custo fixo e já dentro da corrida dos ratos. Quanto mais tarde começar, mas difícil será.

Pare de vender horas

O tempo é o bem mais limitado do ser humano e, ao contrário do dinheiro, ele é finito. Pessoas trocam o tempo por dinheiro e ao final da vida usam o dinheiro para comprar tempo. Faz sentido? Acho que não.

Quem vende horas, além de estar trocando seu maior bem, têm limitações. Seu tempo é escasso, você não pode aumentá-lo. Ok, você pode aumentar o valor do seu tempo, mas mesmo assim ele continuará dependendo de você.

Os maiores bilionários listados pela Forbes construíram suas fortunas empreendendo, ou seja, utilizando tempo e trabalho também de outras pessoas. Se quiser considerar esse caminho, vai precisar empreender.

Leitura recomendada: 10 verdades sobre abrir o próprio negócio que você deve conhecer (ainda assim, vale a pena!)

Conclusão

Comece a estudar sobre dinheiro, trabalho e educação financeira. A maioria das pessoas que possuem um trabalho é remunerada com dinheiro. Logo, indiferente do seu trabalho, você vai precisar aprender a usá-lo.

Não fomos ensinados a lidar com o planejamento financeiro nas escolas e na grande maioria das famílias tradicionais isso também não acontece. Então, trate de buscar esse conhecimento, caso não pretenda pertencer a grande parte da população brasileira endividada e com problemas em função disso. Faça sua escolha! Obrigado e até a próxima!

Foto “money ideas”, Shutterstock

João Cristofolini
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