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Inflação versus Investimentos Pessoais

Publicado por Conrado Navarro em 03.06.2008 na seção Educação Financeira, Risco e Retorno

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Inflação versus Investimentos PessoaisMarcelo comenta: “Navarro, tenho conversado constantemente com meu gerente bancário sobre a inflação e seu poder corrosivo sobre meu dinheiro aplicado. Em alguns momentos concordamos, em outros divergimos. Ele insiste em garantir que muitos de seus produtos rendem (e renderão) juros reais positivos. Será que posso confiar nisso? Como anda a situação dos investimentos em relação à inflação? Obrigado.”

O comentário e a dúvida do leitor Marcelo ficaram guardados em minha caixa de mensagens por algum tempo (sua mensagem foi enviada em março deste ano). A razão da demora em comentá-la é simples: com a escalada dos preços iniciada no final de 2007, optei por aguardar ao menos cinco meses (janeiro a maio) para debater a evolução das aplicações e da inflação.

Os resultados assustam um pouco, é verdade, mas colaboram para a importante missão deste espaço: promover intensas conversas sobre dinheiro[bb], investimentos, economia e finanças pessoais. Aqueles que ainda não levaram em conta a inflação nos planejamentos certamente passarão a fazê-lo depois de observar a alarmante situação do dinheiro investido nestes primeiros meses do ano.

Que índice de inflação levar em consideração?
Sei que o índice usado como meta para o governo é o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), cujo acumulado dos primeiros cinco meses do ano deve estar próximo de 2,6% - valor estimado, já que o dado oficial ainda não foi divulgado. No entanto, prefiro usar como referência o IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado), cujo percentual acumulado até maio já alcança 4,8%.

Como eu, você deve estar se perguntando o seguinte:

  • Suas aplicações, tomados estes mesmos cinco meses, foram capazes de vencer a inflação?
  • Por que devemos nos preocupar com isso?
  • Que investimentos podem melhorar o retorno em relação à inflação?
  • Esta alta deve perdurar ou é um fenômeno passageiro?

Segundo dados cruzados pela Anbid, Cetip e Valor Data, o percentual de rentabilidade nominal (sem contar a inflação) dos investimentos, até quase o fim de maio, está assim:

  • Poupança: 2,9%
  • CDB: 4,5%
  • Fundo Referenciado DI: 4,2%
  • Fundo de Renda Fixa: 4,5%
  • Ibovespa: 13%
  • Fundo Ações Ibovespa Ativo: 8,4%
  • Fundo Multimercado com Renda Variável: 3,2%
  • Fundo Multimercado sem Renda Variável: 3,8%
  • IGP-M: 4,8%

Fica fácil notar que, em média, só as aplicações em ações[bb] venceram o IGP-M medido até o mês passado. Isso significa que todo o retorno médio de suas aplicações, até agora, não conseguiu garantir a manutenção de seu custo de vida ou poder de compra. Essa razão, sozinha, já é um grande incentivo para que análises como as usadas neste artigo passem a fazer parte do cotidiano de mais brasileiros.

A inflação não é galopante como há cerca de vinte anos, mas deve continuar desempenhando importante papel nas nossas decisões financeiras. A motivação para abordar este tema também surgiu da interessante matéria publicada ontem, dia 2 de junho, no jornal Valor Econômico, assinada pela jornalista Luciana Monteiro. Ela reforça o temor e diz que:

“Segundo levantamento do Valor Data, de 2002 para cá, quando houve a reclassificação dos fundos de investimento, esta é a primeira vez que as carteiras de renda fixa apresentam perdas reais no período de cinco meses. O mesmo acontece com os fundos DI, que compram papéis que acompanham a trajetória dos juros”

Mantidas as previsões de alta nos preços, as dicas de investimento se resumem a:

  1. Optar por títulos do governo que garantam retorno real, como as Letras do Tesouro Nacional série B, que pagavam, na semana passada, até 8,46% ao ano, além da variação do IPCA;
  2. Dedicar maior parcela de seus investimentos às ações de empresas listas na Bovespa, sempre objetivando ganhos no médio e longo prazos.

Responda com sinceridade: você leva em conta a inflação quando pensa em investir? Pois é, o dragão que andava adormecido resolveu abrir os olhos e espreitar tudo e todos. A Revista Veja traz ótima reportagem sobre a alta dos preços, das commodities e seus impactos na vida do brasileiro. Vale a pena conferir!




Crédito da foto para stock.xchng

12 comentários
  1. Imagem do comentarista
    Samurai

    Acho que a gente não precisa complicar muito na hora de investir. Com algumas simples escolhas já dá pra gente ter um rendimento muito melhor do que a tradicional poupança. Sugiro as seguintes opções:

    Investimento em RF:
    - Tesouro Direto com títulos vinculados ao IPCA e SELIC.

    Investimento em RV:
    - O basicão (ações vale/petro e fundos pibb) já dá uma boa rentabilidade. Mas aqui vale a pena estudar pra melhorar os ganhos, afinal nem só de blue chips vive o homem: uma small também vai bem :D

    A proporção em RF e RV depende do perfil.

    Fundo de reserva:
    - Deixar quieto num CDB, já que tem liquidez boa e rende mais que a poupança e é tão seguro quanto a poupança (O fundo garantidor de crédito garante até 60k). No fundo reserva eu deixaria o equivalente a 6 meses de gastos, para o caso de perder o emprego ou outro problema de ordem maior, afinal infelizmente fatalidades acontecem.

    Dinheirinho do jogo
    - Ourocap (ou títulos de capitação de outros bancos). Se não ganhar pelo menos pega o dinheiro de volta. Aqui é pra colocar pouquinho mesmo, só aquele “dinheirinho da sorte”.

    Esse seria o basicão. Aí dá pra ir incrementando de acordo com as necessidades. Principalmente na parte de RV, dá pra começar a mexer com índice futuro, derivativos etc.

  2. Imagem do comentarista
    Testastretta

    Agora realmente fiquei entre a cruz e a espada.
    Realmente nunca levei em conta a inflação na hora de fazer meus investimentos e em varias literaturas encontramos que devemos usar RF para investir dinheiro que vamos precisar a medio/longo prazo e RV aquela grana q vc nunca vai mexer.
    Como posso aumentar meus investimentos em RV com dinheiro que sei que vou precisar, correndo o risco de ter que tirar o dinheiro numa epoca de baixa !?!?!?!?

  3. Imagem do comentarista
    Samurai

    Em RV você tem 2 opções. Investir ou especular. No primeiro caso vc tá pensando no longo prazo (vários anos). No segundo você tá pensando no curto prazo. Mas aí é preciso estudar.

  4. Imagem do comentarista
    Maria Celeste de Aquino.

    Esse negócio de que a gente não precisa complicar na hora de investir é fogo!

    Eu já compliquei e me dei bem e também já descompliquei e me dei mal e vice versa.

    Acredito que fazer o dinheiro, que a gente custa tanto a ganhar, render o que a gente acha que deveria render exige uma constante avaliação da situação como um todo, mas tendo em conta que só a título de índice de inflação temos que considerar mais de um, realmente este é um assunto para poucos e bons….

    Valeu, Navarro.

  5. Imagem do comentarista
    Rubens da Fonseca

    Conhecí este site há pouco tempo e me tornei leitor diário e grande admirador do Navarro pela valiosa contribuição prestada neste espaço.

  6. Imagem do comentarista
    Testastretta

    Samurai,

    entendo a diferença entre investir e especular, porém mesmo assim não resolve o meu questionamento, pois das duas formas estou “arriscando” um dinheiro que sei que daque a 12 meses vou precisar para trocar o meu carro por exemplo. Posso fazer o dinheiro render, mas tb posso sair com um deficit consideravel dessa brincandeira.
    E agora atento a inflação tb não posso confiar tanto na RF :(

    Valeu.

  7. Imagem do comentarista
    Samurai

    Em RV não dá pra colocar dinheiro que você vai precisar rápido. Pode se dar bem mas pode perder também. O ideal é o dinheiro que você não vai precisar (ou que vai demorar um pouco pra precisar). Mesmo pra quem tá especulado. Especular com o dinheiro pra pagar o aluguel é besteira.

    Na RF é complicado mesmo. O que garante que rende acima da inflação é o Tesouro Direto (TD), mas nesse caso os títulos tem datas de vencimento. O ideal, no TD, é comprar o título com a data de vencimento batendo próximo a quando você vai precisar. Se você quer comprar uma casa daqui 5 anos, compre títulos com vencimento nesse período. E sempre procurando comprar títulos com vencimento superior a 2 anos, pra diminuir a mordida do leão.

    Para prazos curtos, o que sobra mesmo é o CDB.

    Mas vc tá certo, sempre de olho na inflação.

  8. Imagem do comentarista
    Testastretta

    Samurai valeu pela ajuda.
    Tesouro Direto pode ser uma boa pedida, vou estudar mais sober o assunto.

    Valeu :)

  9. Imagem do comentarista
    Thiago R. F

    Continu Navarro, o blog está mt bom!

  10. Imagem do comentarista
    Daniel

    Fala Samurai, blz.

    Você “esqueceu” de citar em RV os Fundos de investimentos em ações. Não sei se gosta, mas eu sou fã. Acho uma boa opção, pois nos deixa “um pouco” livre para administrar os outros investimentos.

    Em RF para quem é bastante conservador e quer saltar a poupança, prefiro CDB.

    Obs: Sempre no longo prazo, é claro.

    Abração.

  11. Imagem do comentarista
    Samurai

    Quanto aos fundos de ações, depende muito do fundo. Quando o fundo de ação for de somente uma ação, fique com a ação. Por exmeplo, opte vale ao fundo vale, petro ao fundo petro etc.

    Agora, se o fundo for misto já vale a pena.

  12. Imagem do comentarista

    [...] porque à cada visita ao supermercado, trazemos menos comida para casa, gastando a mesma grana. Isso é inflação. Cara, eu nunca pensei em utilizar essa palavra em um blog de [...]

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