De estagiária na área de Marketing na antiga Bovespa à sócia-fundadora da maior corretora online focada em pessoa-física do Brasil, a trajetória de Monica Saccarelli é permeada por inovação e empreendedorismo.

Seja desenvolvendo um home-broker em uma corretora tradicional, iniciando a área de varejo em outra corretora (até então exclusivamente institucional), ou ainda viabilizando a operação do primeiro robô advisor do Vale do Silício no mercado financeiro do país, Monica sempre empurrou os limites de superação própria e de seu time.

Nessa entrevista, Monica, que está no Vale do Silício justamente para continuar respirando inovação após sair da Corretora Rico, conta como vê o cenário empreendedor, em especial no mercado financeiro.

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Qual a melhor lição que você leva de ter empreendido a Rico?

Monica Saccarelli: A melhor lição é da grande diferença em ter uma empresa e ser funcionário.

Como sócia da Rico, muitas vezes tive que “pivotar” não só a empresa, mas a mim mesma como profissional. Não tem budget para investir em mídia paga (online ou offline)? Então deixa eu buscar algo que possamos fazer e gerar resultado, pois sem resultado não tem empresa.

Quando se está no lado do sócio, você tem que se preocupar com tudo e, principalmente, se manter sempre à frente para que o time continue caminhando na mesma velocidade.

Quais as peculiaridades de estabelecer um negócio voltado ao mercado financeiro?

M.S.: Ser uma instituição financeira é algo complexo. Já escutei de muitos que as corretoras não sabem fazer isso ou aquilo, e que tudo é complicado. O problema é que a legislação não se adaptou ao mundo digital e isso dificulta a nossa adaptação para o consumidor final.

Acho muito bom termos todas as regras e regulamentações que temos no Brasil, mas ainda assim podemos modernizar nosso “processo” para que o mercado cresça.

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Quais seu planos? O que você está fazendo no Vale do Silício?

M.S.: Nunca planejei minha carreira profissional e acho que não vai ser agora que terei um plano estratégico (risos).

Estou numa fase bem aberta, conhecendo novas empresas, aprendendo com outros empreendedores, vivenciando o Vale do Silício e viajando um pouco.

Já morei aqui em Berkeley muitos anos atrás como estudante, mas agora está bem diferente. Além de tudo muito mais caro (overprice), tem muito mais inovação e as pessoas só pensam em como fazer algo novo e com algum propósito.

O que pode ser visto em termos de tecnologia, inovação e empreendedorismo aí que ainda não está consolidado por aqui?

M.S.: Aqui só se fala em Inteligência Artificial. O futuro é o carro autônomo? Não, isso já é o presente por aqui. Carro elétrico? Em todo estacionamento e esquina tem uma estação para recarregar. Chatbot ou atendimento por robô? Todo contato com as empresas acontece através de robôs – o que é ótimo, pois resolvem o problema.

Esses dias entrei num site brasileiro e apareceu aquela janela dizendo: “Olá sou a Jéssica, pode falar aqui que não sou um robô”. Como assim?

Na verdade, os robôs inteligentes são aqueles que estão solucionando o nosso problema e assim nem percebemos ou ligamos se é um robô ou humano. O que você prefere, ficar esperando um atendente ou ter a resposta online e no mesmo momento?

E o Brasil em relação aos demais países, como está nesses pontos?

M.S.: Estou alocada em uma empresa que atende também Colômbia e México, e aí sim fico feliz com o trabalho desenvolvido no Brasil. Nesse caso, o mercado financeiro brasileiro está bem à frente em tudo (tecnologia, clientes e etc.).

O que são dividendos? Como escolher ações que pagam dividendos?

A aceleração (ou aquisição) de fintechs é vista como alternativa para grandes bancos adotarem um espírito mais inovador, incluindo a velocidade dessas startups. Você concorda? Como você vê o cenário e o futuro?

M.S.: Não sei se concordo, pois uma grande instituição pode “matar” a startup se colocá-la para dentro da empresa. Acredito que as grandes instituições podem trabalhar COM as fintechs, para assim aumentarmos o nosso mercado e entregar melhores soluções para os pequenos investidores.

Como você enxerga a AI (Inteligência Artificial) no mercado financeiro? Ela pode ou poderá gerir investimentos, por exemplo? 

M.S.: Com certeza é o futuro! A forma de investir mudou e mudará mais ainda com toda essa tecnologia. A inteligência artificial traz mais comodidade e benefícios para os investidores, como automatização da carteira de investimentos baseada em sofisticados modelos matemáticos.

Além disso, AI coleta uma grande base de dados para realizar os investimentos baseados no seu perfil. E, veja bem, não apenas o que você acha que é o seu perfil, vai um pouco além! Chega a dar medo, né?

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Agora a pergunta que não pode faltar: que dicas você daria para aqueles que estão começando a empreender ou desejam fazê-lo?

M.S.: Acho que a principal dica é: faça algo que tenha um propósito para você e algo que acredite. Essa será uma longa jornada e você precisa gostar muito para continuar e não desistir. O resto é trabalhar muito!

Conrado Navarro
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