É engraçado, mas o nome cheque especial para definir parte de nosso relacionamento com o banco parece nos colocar como gente diferente. Especial. Mas, especial para quem? Com taxas que chegam a 150% ao ano (novo limite imposto pelo Banco Central), não acho que ele seja tão “especial” assim. E você?

O mais importante a ser entendido sobre cheque especial é que se trata de uma modalidade de crédito. É um empréstimo e você vai devolver cada centavo utilizado com juros, direto na movimentação de sua conta corrente.

Uma das coisas mais curiosas sobre o cheque especial é que você simplesmente o tem e não precisa fazer praticamente nada para usá-lo. Mais do que isso, o valor disponível para você costuma aparecer como parte do seu saldo disponível no extrato. Portanto, cuidado e atenção redobrada.

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Cheque especial: custa caro porque é fácil de usar

O funcionamento do cheque especial você com certeza já conhece, e é muito simples. Se você ultrapassa o seu saldo real disponível na conta corrente, passa a contar com o empréstimo do limite extra disponibilizado pelo banco.

Por que juros tão altos, afinal de contas? Porque a comodidade é grande, o que também resulta em maior chance de inadimplência para os bancos. A lógica é simples: quando é fácil conseguir empréstimo, ele geralmente é mais caro (o cartão de crédito também é assim).

Considere um tipo de crédito diferente, em que existe garantia real, como financiamento de carro ou imóvel. Os juros podem ser menores porque o próprio bem acaba se tornando uma espécie de “seguro” para a operação. Aliás, entenda aqui a questão dos juros praticados no Brasil.

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Cheque especial: novas regras a partir de 2020

Simples, fácil e muito objetivo, o limite do cheque especial tinha, até 2019, taxas de juros que chegavam a 300% ao ano em algumas instituições financeiras. A partir de janeiro de 2020, o Banco Central limitou a 8% por mês a taxa máxima a ser cobrada pelos bancos para esta modalidade.

Atenção porque a mesma regra também permite às instituições cobrarem uma nova taxa para quem tiver acima de R$ 500,00 de limite no cheque especial. Alguns bancos já se posicionaram dizendo que não vão cobrar essa taxa, mas é bom prestar atenção e ficar de olho por aí.

Na prática, se você tiver um limite de até R$ 500,00, o banco não pode cobrar nenhuma tarifa adicional e você vai pagar os juros sobre o que usar do limite. Mas se o seu limite for maior do que R$ 500, o banco poderá tarifar seu uso.

Veja um exemplo: se seu limite for de R$ 1.000,00, a parcela isenta é de R$ 500. Os outros R$ 500 vão permitir que o banco cobre R$ 1,25 por mês (0,25% de R$ 500). Se você entrar no cheque especial, essa tarifa deverá ser descontada dos juros.

Em números: se você ficou um mês no limite do cheque especial em R$ 1.000,00, sendo a taxa de juros de 8%, você vai pagar R$ 80 de juros, menos R$ 1,25 que havia sido pago de tarifa.

Uma coisa importante é que você precisa ser avisado pelo banco com um mês de antecedência. Em caso de dúvidas, procure o banco e também os órgãos de defesa do consumidor.

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Cheque especial: use apenas em caso de emergência

Manter um saldo emergencial para ser usado em caso de problemas é ótimo, mas isso não significa transformar o limite do cheque especial em uma reserva de emergências. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Você precisa criar uma reserva de emergências por conta própria, aprendendo a juntar dinheiro e mantendo esses recursos em um investimento com liquidez. O cheque especial não substitui a sua própria reserva e precisa ser a “emergência da emergência”.

Pode ser que depois de fazer algum pagamento ou transferência, você tenha se esquecido de depositar parte do dinheiro. Ou simplesmente não deu tempo de ir ao banco e o dinheiro ficou na sua carteira. Acontece.

Emergências como essas não podem ser a regra, mas nestes casos o limite do cheque especial cumpre um papel importante. As coisas “continuam funcionando”, mas você não se acostuma com o cheque especial como parte da renda ou companheiro de dia a dia.

O recado é esse: cheque especial não é extensão de renda e o saldo real da sua conta corrente nunca pode ser confundido com o saldo total apresentado com o limite, uma prática comum de muitos bancos.

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Conclusão

Ter uma conta corrente e ter um limite são passos importantes na bancarização da população, mas isso também significa que a educação financeira precisa estar presente no dia a dia de milhões de brasileiros.

A desinformação tem um papel crucial no atual cenário econômico-financeiro do Brasil e tanto reguladores quanto instituições precisam abraçar cada vez mais o desafio de ensinar aos brasileiros como lidar melhor com suas próprias finanças.

Outro ponto é o desinteresse, que é uma escolha individual e pode ser contornado com acesso a conteúdos como o de hoje, ferramentas e fintechs com propostas diferenciadas. Atenção para o cheque especial e para toda a sua vida financeira. Estamos juntos nesta jornada!

Conrado Navarro
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