“A mulher atual está com tudo!”. É assim que Carolina Ruhman, fundadora do site Finanças Femininas, define o momento recente da mulher brasileira.

Além de estar conquistando cada vez mais espaço no mercado de trabalho, ela estuda mais do que os homens (60% da população universitária do Brasil são mulheres), trabalha mais (entre o trabalho e o segundo turno das tarefas domésticas, as mulheres trabalham, em média, 10 horas a mais por semana do que os homens) e quer ter tudo: uma carreira, família e todos os desejos de consumo que tiver.

No entanto, segundo Carolina, isso não quer dizer que elas gastam mais do que eles. “Homens e mulheres têm apenas perfis diferentes de consumo. Elas compram mais ‘picado’, aos poucos, mas constantemente. Já eles gastam mais com lazer e, na hora de fazer compras, o ticket médio é maior”, diz.

Carolina conta que a relação da mulher com o dinheiro é recente: somente em 1962 nós tivemos direito a ter CPF no Brasil – o que quer dizer que antes disso não dava para abrir uma conta no banco sozinha. Como ganhar, guardar e gastar dinheiro desta forma?

“Aos poucos, as mulheres vêm aprendendo cada vez mais sobre gestão financeira – e estão ficando excelentes nisso. Até porque o hábito já existia antes: 74% das mulheres brasileiras são as gestoras do orçamento doméstico. Com mais informação e ferramentas, elas se tornam cada vez melhores na tarefa que exercem há muito tempo”, ressalta Carolina.

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Principal desafio é fazer sobrar dinheiro ao fim do mês

De acordo com um estudo realizado pelo instituto de pesquisas online Opinion Box em parceria com o site Finanças Femininas, o principal obstáculo em relação a finanças é fazer sobrar dinheiro ao fim do mês.

Entre diversas alternativas que apresentavam dificuldades em relação a dinheiro, a principal resposta dada pelas entrevistadas foi não conseguir fazer sobrar ao fim do mês (38%). Já a segunda principal resposta foi buscar entender as diversas formas de investir (19,2%).

A dificuldade de poupar pode estar relacionada com os custos da casa, já que 33% das entrevistadas assumem pelo menos metade das despesas; 21%, de fato, pagam metade das contas e 13% são responsáveis pela maioria das contas.

Há que se considerar também que quase 17% das entrevistadas são solteiras ou divorciadas e arcam com todas as contas sozinhas. É interessante notar que 37% das entrevistadas afirmaram manter conversas periódicas com o parceiro a respeito das finanças sem stress sobre o assunto.

Para 13% delas, no entanto, falar sobre dinheiro é sempre motivo de brigas e gera transtorno e 7% das mulheres disseram que procuram discutir o tema o mínimo possível e até o evitam. 2% não falam sobre finanças em casa.

Quando o assunto é endividamento, 72% das mulheres entrevistadas já tiveram uma dívida em algum momento da vida. Deste total, cerca de 20% gastaram de 1 a 3 anos para quitar as pendências.

Quanto ao momento atual, os dados mostram que os percentuais de mulheres sem dívidas e aquelas que estão arcando com pendências financeiras estão bem equilibrados: 51,4% estão com alguma dívida, contra 48,6% que estão livres do endividamento.

Em relação ao gasto do dinheiro, quase 53% das mulheres disseram ser consumistas, ante 47% que se consideram ponderadas. Já quanto ao uso do cartão de crédito, a maior parte das entrevistadas garante que mantém os gastos sob controle.

Pelo menos 6 em cada 10 mulheres disseram que sabem exatamente qual é o valor da fatura ao fim do mês. Na outra ponta, quase 20% disseram que o valor da fatura é sempre uma surpresa. Já 20% das entrevistadas disseram não possuir cartão de crédito.

O cuidado com o orçamento é uma preocupação da maioria das entrevistadas. No entanto, chama atenção o fato de quase 27% das entrevistadas terem dito que não controlam os gastos.

Quanto aos métodos de controle, de forma geral, a maioria prefere controlar os gastos do jeito mais convencional, anotando tudo à mão (40%), seguido da planilha de gastos (24%), o arquivamento de extratos (19,3%) e, por fim, o uso de aplicativos (6,8%).

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Mulheres e Investimentos

Quando o assunto é investimentos, as mulheres normalmente são conhecidas por serem mais conservadoras do que os homens. No entanto, de acordo com Sandra Blanco, autora dos livros “Mulher inteligente valoriza o dinheiro” e “A Bolsa para mulheres”, isso não passa de um mito.

“Depois que distingue o terreno onde está pisando, ou seja, que adquire informações, conhecimentos e entende o risco que está envolvida, a mulher pode ser uma investidora mais agressiva do que um homem”, afirma.

Carolina Ruhman acredita que as mulheres são menos familiarizadas com o mercado financeiro e por isso buscam mais informações. “Com isso, podem até conseguir retornos maiores e mais consistentes nos seus investimentos. Falta quebrar a barreira de que elas não sabem nada sobre investimentos e é melhor deixar isso para os pais ou maridos. Além disso, é preciso uma linguagem mais acessível”, diz.

De acordo com um levantamento do Instituto Assaf, a participação das mulheres na Bolsa de Valores atingiu o auge em 2012, com 25,30% dos cadastros, mas veio recuando nos últimos anos. Desde 2008, a relação entre homens e mulheres está praticamente estável.

Segundo Sandra Blanco, a situação econômica é a razão pela participação da mulher não ter avançado nos últimos anos. “As ações das empresas que eram tidas como investimentos defensivos, do setor de energia elétrica, sofreram com a ingerência do governo. Vale sofreu com a queda das commodities. Petrobras envolvida na Lava Jato. Muita gente perdeu dinheiro com ações do grupo X. Foram sucessivos anos de prejuízos nos investimentos em ações. Por fim, as perspectivas de futuro ainda são nebulosas. Nesse contexto, não há estímulos para investir em ações”, lamenta. “Para aumentar a participação feminina na Bolsa, está faltando um ambiente econômico favorável”, completa.

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Foto “Woman and Money”, Shutterstock.

Isabella Abreu
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