Leila comenta: “Navarro, vejo que a maioria dos artigos do Dinheirama.com servem tanto para homens quanto para mulheres, mas algumas vezes vocês escrevem diretamente para nós. Sinto falta de artigos assim, visto que nós mulheres temos tantas peculiaridades, principalmente no que diz respeito ao paradoxo poupar x consumir. Tenho 38 anos, muito por realizar e algumas preocupações. Não deixe de dar algumas dicas específicas para nos ajudar com nosso dinheiro, ok? Obrigada“.

Hoje vou sair da minha zona de conforto e me arriscar em um tema fascinante e muito rico: a relação das mulheres com o dinheiro. Leio e estudo bastante o tema, inclusive no trabalho cotidiano de consultoria, e acho que posso comentar algo sobre algumas fases da vida da mulher e o seu relacionamento com as finanças.

Será uma espécie de viagem pelo tempo (um exercício interessante), onde peço que você reflita sobre cada fase e procure ajustar o que for preciso para alcançar seus objetivos de vida.

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Entrando na fase adulta

Por volta dos 20 anos, já adultas, a maioria das mulheres está em busca de formação profissional (faculdade, pós-graduação e etc.). Esta fase se estende até uns 30 anos, período em que normalmente já estão casadas ou se casando. Muitas já trabalham (o salário é baixo), mas algumas ainda dependem dos pais.

De um modo ou de outro, os rendimentos mal conseguem cobrir as despesas, e as tentações de consumo são grandes (roupas, acessórios, cosméticos e perfumes e etc.). Nesta fase, recomendo que você cultive a disciplina de poupar ao menos 10% de seus rendimentos (se conseguir mais, melhor), aplicando-os em investimentos adequados ao seu perfil de risco.

Gosto de duas escolhas universais e que são essenciais para aproveitar esta fase: 1) estudar sobre finanças e aprender o máximo que puder sobre investimentos (renda fixa, renda variável, e negócios próprios); e 2) cuidar da saúde (exercícios físicos e boa alimentação).

Leitura recomendada: Quem deve cuidar do dinheiro da família, o homem ou a mulher?

Gerando patrimônio

Entre os 30 e 40 anos, aproximadamente, a mulher entra numa fase mais estressante, em busca de geração de patrimônio. A tão sonhada moradia própria é um dos principais objetivos para esta etapa da vida.

Outra coisa importante é planejar e executar um plano de acumulação de recursos financeiros pensando na aposentadoria (digo aquela que vai complementar ou substituir a atual previdência social). Aqui já deixo uma dica importante: o modo como você vai viver as próximas fases da vida vai depender de quanto você conseguir poupar e investir nesta fase.

Sim, eu sei que é complicado, pois nesta fase costumam chegar os filhos, e com eles os desafios de conciliar a carreira, o patrimônio e o papel de mãe. Não há outra forma de dizer isso, então serei direto: esta é uma fase exaustiva, que vai requerer muito controle emocional e esforço, sem dúvida.

A segunda dica é que você dê atenção ao relacionamento com seu marido, pois um em cada três casais se divorciam neste período, e isso também leva ambos a experimentarem consideráveis prejuízos financeiros. Também evite chegar ao final desta fase com dívidas (exceção, talvez, para a dívida da casa própria), e continue cuidando de sua saúde (considere ter um plano de saúde, por precaução).

Observação: considere a possibilidade de não aderir ao modelo da casa própria. Há vantagens e desvantagens em morar na casa própria ou morar de aluguel. Embora o desejo da casa própria ainda seja comum no Brasil, também pode ser muito interessante poupar o valor das prestações e investir em produtos financeiros que gerem rentabilidades superiores ao aluguel (como os títulos públicos).

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A idade dos “entas”

Dos 40 aos 50 anos, as demandas financeiras podem vir de dois lados: os filhos, que ainda são dependentes, e os pais, já idosos, que podem precisar de auxílio financeiro. Qualquer descuido com as finanças nessa fase pode fazer com que você, depois, também precise de seus filhos para ajudá-la.

Se você ainda não tem um seguro de vida para proteger aqueles que dependem de você, faça um o quanto antes, pois eles ficam bem caros depois dos 50 anos. Cuidado com os gastos com a vaidade (cirurgias plásticas e outros tratamentos estéticos de maior valor) – o ideal é não deixar que eles consumam suas reservas financeiras.

Se você está cuidando da saúde, não terá que se preocupar com os gastos médicos, mas consultas preventivas serão mais frequentes em sua rotina (lembre-se do plano de saúde).

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Rumo aos 60

Dos 50 aos 60 anos você deve ser cuidadosa com os investimentos para diminuir os riscos. A energia física começa a dar alguns sinais de exaustão e talvez seja necessário algum ajuste na rotina de trabalho para reduzir as pressões. O ideal é que nessa fase seus investimentos já sejam capazes de produzir alguma renda passiva e constante (todo mês). Continue cuidando de sua saúde.

Trabalhando por opção

Após os 60 anos, todo o esforço de acumulo de patrimônio será convertido em renda para a aposentadoria. O trabalho, daqui para frente, deveria se visto como algo opcional, prazeroso, e não como uma necessidade (isso, é claro, vai depender das fases anteriores).

Mas se algo deu errado e você chegou aqui com dificuldades financeiras, não se desespere, pois tem aumentando o número de cooperativas e empresas sem fins lucrativos que oferecem pagamentos por trabalhos que podem ser prestados por pessoas dessa faixa etária. Fique de olho e ofereça seus serviços.

Ao longo de todas as fases, se você cuidou de sua saúde, ainda terá boas condições físicas para se manter, por isso fui insistente nesse ponto.

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Conclusão

Essa viagem pelo tempo é algo que todos devemos fazer. Um bom planejamento financeiro começa pelos seus objetivos de vida, e o tempo é um aliado de grande valor. Como você deseja estar em cada fase da vida? São suas escolhas que irão definir o quão rico (ou pobre) você será em cada uma delas. Priorize seus sonhos e objetivos e tenha disciplina. O resto será consequência.

Foto “Rich woman”, Shutterstock.

Conrado Navarro
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