Minha avó Lusia morou conosco quando éramos crianças. Ela e vovô ficavam em uma casinha no fundo de nossas casas e nos deram a alegria de termos avós presentes durante a infância. Quando vovô morreu – e eu devia ter uns 9 anos – vovó começou a receber uma pensão, que era minguada, mas dava para comprar as coisinhas que gostava. Ela era muito falante e generosa. Não me lembro de ter negado comida ou agasalho a ninguém que tocasse a campainha em casa para pedir ajuda. E quando recebia seu dinheirinho, fazia questão de separar uma parte para os netos, que eram cinco no total.

Também me ajudava com minhas primeiras ações empreendedoras, como fazer laços de cetim e rosas de sabonete para vender na escola. E assim ela me ensinou algumas coisas logo cedo: que é preciso auxiliar sempre que possível quem tem menos, que é possível organizar o dinheiro ainda que seja pouco, que é possível começar a empreender com pouco, e que uma criança que recebe semanada ou mesada de forma regular passa a entender melhor o uso do dinheiro.

Mamãe, por sua vez, sempre me disse que eu deveria ser independente profissionalmente e financeiramente. Cresci ouvindo que o melhor a fazer era não ser dependente financeiramente de um marido por exemplo. Ela parou de trabalhar depois que eu nasci, mas sempre ressalta que gostaria de ter sua independência financeira. Também parou de contribuir com a aposentadoria e sempre fez questão de dizer que se arrependia enormemente.

E assim eu e minha irmã crescemos com tudo isso na cabeça. Desde os 18, quando comecei a trabalhar dando aulas de inglês em uma escola do bairro, não me lembro de ter parado de ganhar meu próprio dinheiro. Mamãe, portanto, me ensinou e ensina a importância de ser independente financeiramente, de ir atrás do que quero, de entender melhor sobre educação financeira para que o dinheiro cresça, e também de pensar no futuro, em uma aposentadoria.

Minha sobrinha Duda tem 14 anos e já mostrou que gosta de cuidar do dinheiro que consegue juntar. Vez ou outra ela já emprestou dinheiro para o pai, inclusive, que quando devolve diz que paga um pouco mais, “de juros”. Também ganhou um cartão pré-pago da tia (minha irmã) que usa para controlar as despesas com lanches na escola e passeios com as amigas. Ainda há muito a ensinar em termos de educação financeira para ela que, desde pequena, lá pelos 3 ou 4 anos, conseguia comprar seus lanches na cantina da escola sozinha e pegar o troco direitinho, mas ela também ensina lições diárias sobre como é possível uma adolescente cuidar bem do dinheiro que tem.

E minha irmã Carol, por sua vez, me ensinou que muitas vezes na vida é preciso fazer escolhas que pesam no bolso, mas podem ser cruciais para se encontrar mais felicidade na vida. Ela, que era coordenadora de obras e tinha um bom salário em São Paulo, se mudou para o interior, passou a dar aulas de matemática, e como me disse uma vez: “teve que lidar com toda a questão do ego para poder ser mais feliz”. Ganha menos, mas não se arrepende de ter deixado para traz o estresse diário. Como sempre dizemos, riqueza é algo relativo!

Contei sobre essas quatro mulheres de minha vida que ensinaram ou ensinam lições importantes para o meu dia a dia, pois tudo que somos é resultado do que aprendemos no passado e continuamos aprendendo hoje. Carregamos preconceitos, viéses, pensamentos que sem perceber contribuem demais com a forma como enxergamos o dinheiro e agimos na hora de gastar, poupar ou investir. Se você foi criado por uma mãe que era zelosa na hora das compras ou por outra que gastava sem limites, isso trará consequências para sua vida. Seja porque você hoje a imita, seja porque faz exatamente o contrário por ter sofrido na pele os reflexos de seus atos.

Durante esse mês comemoramos o Dia Internacional das Mulheres, e acredito que a melhor reflexão que podemos fazer é buscar entender o que cada mulher em nossa vida representa e nos ensina (Os homens também, claro, mas me limitei a falar das mulheres desta vez). Pense que quando uma mulher ensina à outra que deve batalhar pela própria independência, isso pode gerar um efeito.

Quando uma mulher, ao contrário, desestimula outra a continuar tentando porque ela não teve uma história de sucesso, o efeito pode ser outro. Quando uma mulher mostra que é capaz de cuidar da família e administrar as contas da casa, gera um exemplo poderoso. E quando desiste na primeira tentativa ou joga suas frustrações nos filhos, o resultado também é completamente diferente!

E é por isso que falar de educação financeira também é falar sobre nossa própria história. Não adianta somente estudar números se não estudamos o que aconteceu em nossas próprias vidas e, portanto, não sabemos por que agimos de uma forma ou de outra com relação a dinheiro. Aproveite esse artigo para refletir! Acredito que todos nós fazemos o melhor que podemos dentro do conhecimento que temos e situação em que estamos, por isso o objetivo não é criticar, apenas entender e melhorar. Acredito que fará diferença neste caminho que estamos trilhando! Até o próximo!

Janaína Gimael
Aviso: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.

Comentários