Pagar juros ou recebê-los? Você decide!No mundo econômico atual, os juros desempenham papel importantíssimo. E, na nossa vida particular, definir nossa relação com eles é um dos ingredientes fundamentais para ter uma vida financeira[bb] equilibrada e saudável. É o que propõe esse artigo. É muito comum notarmos consumidores que não sabem ao certo quando estão pagando juros e qual seu real valor diante da compra que estão realizando. Ao mesmo, comprar parcelado e usar o crédito parecem uma febre. O assunto merece atenção. Assim, que tal começarmos de forma bem simples e direta? O que são juros? Na Wikipédia encontramos um conceito bastante simples, mas ao mesmo tempo completo sobre os juros:

Juro, do ponto de vista econômico, é a taxa cobrada a partir de todo capital emprestado por um certo período de tempo. Este capital consiste de bens, como dinheiro, ações, bens de consumo, propriedades ou mesmo indústrias. O juro é calculado sobre o valor destes bens, da mesma maneira que sobre o dinheiro. O juro é uma remuneração do fator capital, pode ser compreendido como uma espécie de “aluguel sobre o dinheiro”.

A taxa seria uma compensação feita a quem emprestou o dinheiro, pelos investimentos úteis que poderiam ter sido feitos com o dinheiro emprestado; em vez do credor usar os bens diretamente, estes passam para o mutuário, que goza destes bens sem o esforço necessário para obtê-los, enquanto o credor goza do lucro da taxa paga pelo mutuário pelo privilégio. A quantia emprestada, ou o valor dos bens emprestados, é chamada de principal. A porcentagem do principal que é paga como taxa (o juro), por um determinado período de tempo, é chamada de taxa de juros.

Exemplos práticos
Se a pessoa financia um carro em 84 parcelas mensais, ela se torna devedora da revendedora/concessionária/financeira/banco. Ao mesmo tempo em que usufrui de um bem que não pode (ou não quer) pagar à vista, ela se torna devedora, pagando juros mensalmente. Trocando em miúdos, ela paga juros.

De igual modo, uma pessoa que compra uma geladeira em 36 parcelas mensais, endivida-se e compromete seu orçamento durante longos 3 anos, pagando as prestações mensais acrescidas de juros. Se a pessoa usa o cheque especial, não paga o valor integral da fatura do cartão de crédito ou toma um empréstimo no banco, também incide no pagamento de juros – aliás, altíssimos nesses três casos.

Já a pessoa que investe um valor numa aplicação financeira, como, por exemplo, a caderneta de poupança, tem direito a receber, preenchidas as condições do investimento, os juros pelo capital aplicado – que, no caso da poupança, consiste em 0,5% ao mês mais TR (Taxa Referencial) quando do “aniversário” da conta. Simplificando, ela recebe juros. Quem investe em fundos de investimento imobiliário (FII), também torna-se credor, tendo direto a receber os rendimentos provenientes dos aluguéis recebidos pelo fundo.

Também tem direito a juros quem empresta seu dinheiro a bancos, na forma de CDBs, ou a empresas, na forma de debêntures. Quem investe em ações torna-se proprietário de uma fração da empresa na qual está investindo, adquirindo direito à participação nos lucros, seja na forma de dividendos, seja na forma de juros sobre capital próprio (olha os juros aí novamente!). Receber juros, portanto, é parte da agenda do investidor[bb] inteligente.

As diferenças entre quem paga juros e quem recebe juros.
Já percebeu a diferença? Quem paga juros compromete parte de seu salário com o pagamento de dívidas. Ou seja, diminui sua renda ativa, já que uma parcela do seu salário, que poderia ser utilizado para aquisição de bens e serviços ou mesmo para investimentos (para aumentar a renda passiva), está sendo usando para pagar dinheiro devido pelo uso de dinheiro de outros (juros).

Já o comportamento de receber juros produz o efeito contrário: além de não comprometer a renda ativa, proveniente de salário, ainda faz aumentar a renda passiva. Em outras palavras: o patrimônio da pessoa que recebe juros aumenta, ao passo que o patrimônio da pessoa que paga juros diminui. Outra diferença importante consiste no fato de que a pessoa que paga juros precisa trabalhar para quitar as dívidas, já que o salário fica comprometido (lembre-se do caso do sujeito que financia a compra do carro em 84 parcelas, afinal, todo mês ele precisa ter saldo positivo em conta para quitar os juros do financiamento).

Ou seja, quem paga juros tende a ficar cada vez mais dependente do trabalho. Já quem recebe juros, pelo fato de isso constituir um aumento de patrimônio[bb], se torna cada vez mais independente de seu trabalho. Quem recebe juros tende a depender cada vez menos do trabalho, trilhando o caminho certo cujo destino final não é outro senão a independência financeira.

Mas as diferenças não param por ai.
Como os juros consistem na remuneração do capital, toda vez que a pessoa paga os juros, digamos, do financiamento do eletrodoméstico, ela está enriquecendo alguém – o credor, que não recebe apenas o valor devido pelo custo do bem, mas também do capital emprestado para a aquisição adiantada do bem pelo devedor. Ela assuma a posição de devedora do dinheiro que tomou emprestado. Já a pessoa que recebe os juros, decorrentes, por exemplo, do empréstimo a um banco na forma de CDBs, está enriquecendo a si própria, investidora, já que seu patrimônio aumenta em decorrência de ter se tornado credor do dinheiro que emprestou.

A pessoa que paga os juros do cheque especial depende do salário do próximo mês proveniente de seu trabalho para quitar os juros. Ou seja, ela trabalha para os outros; neste caso, para o banco. Já a pessoa que recebe os juros sobre o capital próprio, decorrentes de ter ações de um banco, fica na agradável posição de ter os outros trabalhando para ela; no caso, os empregados do banco do qual tem ações, dentre os quais pode, inclusive, estar o gerente da sua conta pessoal!

Nem todo juro pago é ruim, assim como nem todo juro recebido é bom.
Outrossim, cabe-nos esclarecer que “toda regra comporta exceção” e, no caso dos juros, não poderia ser diferente. Há dívidas que são boas, pois revertem em benefícios futuros para as pessoas que assumem tais dívidas. Por exemplo, um financiamento imobiliário bem planejado pode ser uma ótima alternativa para a compra da casa própria. Da mesma maneira, pagar juros decorrentes de um financiamento estudantil – para aqueles que não tem condições de arcar com as mensalidades da faculdade – também pode ser visto como uma dívida boa, na medida em que a pessoa investe num ativo de maior valor, que é o seu conhecimento e seu aperfeiçoamento profissional e intelectual.

Por outro lado, não são todos os juros recebidos que valem a pena. Por exemplo, no atual cenário econômico em que esse artigo está sendo escrito, a taxa SELIC está a 8,75% ao ano. Dessa forma, CDBs que remunerem, por exemplo, 70% do CDI (que costuma acompanhar a variação da taxa SELIC), são maus investimentos[bb], na medida em que pagam apenas 6,12% a.a de rentabilidade, no exemplo citado, ficando abaixo, inclusive do rendimento da caderneta de poupança.

Da mesma forma, num cenário com taxa SELIC a 11%, os juros da poupança deixam de ser atraentes, tendo em vista que a remuneração da caderneta, para esse cenário, passa a ser bem inferior a de fundos DI (atrelados à taxa SELIC) e títulos públicos pós-fixados como a LFT – Letra Financeira do Tesouro – desde que, em ambos, as taxas de administração cobradas não sejam altas.

Pagar juros ou recebê-los? Uma questão de escolha!
Como vimos, o modo como a pessoa se relaciona com os juros é determinante para descobrir se ela está na posição de endividada ou de investidora e se ela tende a aumentar ou corroer seu patrimônio. A pergunta que se coloca é: e como eu faço para sair da incômoda posição de pagar juros e passar a usufruir da agradável sensação de receber juros?

O primeiro passo é querer sair das dívidas e montar um plano de ação para eliminá-las de sua vida. Nesse contexto, vale a pena ler o artigo “Enfiou o Pé na Jaca? E agora?”, do Conrado Navarro, com dicas sobre como sair de uma crise financeira, bem como ouvir o podcast “O perigo das dívidas e como se livrar delas” com dicas igualmente bastante úteis para eliminar as dívidas.

Quitadas as dívidas, não invista sem ter feito antes uma reserva de emergência. No artigo “Você mantém uma reserva financeira para emergências?”, também de autoria do Navarro, temos orientações precisas sobre como montar uma reserva financeira. Cumpridos esses passos, e paralelamente a eles, é importante dar continuidade ao processo de educação financeira, que é absolutamente fundamental para ter sucesso nos investimentos. Para tanto, recomendo a leitura do ótimo artigo “Educação financeira para investir bem sempre”, escrito pelo Ricardo Pereira.

Conclusão
Independentemente de sua situação econômica atual, procure sempre educar-se financeiramente a fim de sempre fazer escolhas corretas na sua relação com os juros. Normalmente, o pagamento de juros está associado a escolhas de consumo, ao passo que o recebimento deles está associado a opções de investimentos.

Portanto, examine bem o seu padrão de vida e o de sua família e faça escolhas de consumo conscientes, a fim de evitar tanto quanto possível o endividamento. Preze por boas opções de investimento, alinhando-os com os seus objetivos de vida e seus valores pessoais, tentando maximizar o recebimento de juros. Não faça dos juros um elemento de depreciação de patrimônio e causa geradora de estresse e brigas, mas sim uma fonte de multiplicação de riqueza[bb], construção consistente de patrimônio, de bem-estar e qualidade de vida!

É isso aí! Um grande abraço, e que Deus lhes abençoe!

Crédito da foto para stock.xchng.

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