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Taxas futuras de juros sustentam leves altas com Focus

A taxa para janeiro de 2028 estava em 11,455%, ante 11,445%, e o contrato para janeiro de 2031 marcava 11,82%, ante 11,827%

por Reuters
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Após forte baixa na sessão anterior, as taxas dos DIs fecharam a segunda-feira em leve alta, na contramão da queda firme dos yields dos Treasuries no exterior, com a curva a termo refletindo o mal-estar dos investidores com o cenário brasileiro, após novo aumento das projeções de inflação no relatório Focus.

No fim da tarde a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2025 que reflete a política monetária no curtíssimo prazo -estava em 10,395%, ante 10,392% do ajuste anterior.

A taxa do DI para janeiro de 2026 estava em 10,81%, ante 10,791% do ajuste anterior, enquanto a taxa para janeiro de 2027 estava em 11,16%, ante 11,144%.

A taxa para janeiro de 2028 estava em 11,455%, ante 11,445%, e o contrato para janeiro de 2031 marcava 11,82%, ante 11,827%.

Na última sexta-feira, em sessão espremida entre o feriado de Corpus Christi e o fim de semana, as taxas futuras haviam cedido perto de 10 pontos-base nos vértices mais longos, sob influência do exterior.

Nesta segunda-feira, porém, elas iniciaram uma escalada já no início do dia, em meio ao incômodo trazido pelos dados do relatório Focus, indicando que a mediana das projeções do mercado para a inflação em 2024 passou de 3,86% para 3,88%.

No caso de 2025, foi de 3,75% para 3,77% e, para 2026, de 3,58% para 3,60%.

Esta foi a quinta semana consecutiva em que a projeção para a inflação em 2025 aumentou, afastando-se do centro da meta perseguida pelo Banco Central, de 3%.

No Focus, a mediana das projeções para a taxa básica Selic no fim de 2024 também aumentou, de 10,00% para 10,25%. Hoje a taxa está em 10,50% ao ano.

Na prática, os economistas que abastecem o Focus ainda projetam um corte de 25 pontos-base da Selic este ano — algo que a curva a termo já não precifica há duas semanas.

“O Focus vai convergindo para o que o mercado já está precificando”, comentou o gerente da mesa de Derivativos Financeiros da Commcor DTVM, Cleber Alessie Machado.

(Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
(Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Neste cenário, a taxa do vencimento para janeiro de 2027 um dos mais líquidos atingiu o pico de 11,250% às 10h59, em alta de 11 pontos-base ante o ajuste de sexta-feira, apesar de o rendimento do Treasury de dez anos estar em baixa no mesmo horário, após a divulgação de dados fracos sobre a atividade manufatureira nos Estados Unidos.

“Basicamente, hoje é só o Focus que faz preço. Não vejo nenhum dado interno que dê outra visão”, pontuou Leandro Ormond, analista da Aware Investments. “O cenário é de bastante incerteza, muito em relação ao nosso fiscal. O mercado está com a percepção de que o governo vai ter dificuldades para cumprir sua agenda”, acrescentou.

Durante a tarde, as taxas futuras reduziram a força, com a queda dos yields pesando.

Ainda assim, o viés das taxas de boa parte dos DIs era de alta no fechamento. Entre os vértices mais longos, o recuo firme dos yields reconduziu as taxas para perto da estabilidade.

Perto do fechamento desta segunda-feira a precificação da curva a termo indicava 84% de chances de manutenção da Selic em 10,50% ao ano em junho, contra 16% de probabilidade de corte de 25 pontos-base.

Na sexta, estes percentuais eram de 81% e 19%, respectivamente.

No exterior, os yields seguiam em baixa, com investidores repercutindo os dados do dia e à espera de novos indicadores para o restante da semana, em especial do relatório de empregos payroll, na sexta-feira.

Às 16h38, o rendimento do Treasury de dez anos referência global para decisões de investimento caía 11 pontos-base, a 4,404%.

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