Você já deve ter visto por aí muitos vídeos e sites falando sobre viver sem carro. Venda seu carro, use aplicativos, táxis, transporte público, alugue. Simule quanto você economizaria se não tivesse os gastos com seu veículo.

É claro que um carro traz muitos gastos, disso todos nós sabemos, ou deveríamos saber, mas será que a vida “a pé”se encaixa no momento atual da sua vida? Educação financeira não é a respeito de regras, é a respeito de escolhas. De estar ciente do quanto custa cada decisão, e arcar com as consequências.

Eu e minha família vivemos sem carro há  dois anos, e vou te contar a minha experiência.

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Minha experiência sem o carro

Sempre que eu lia sobre o assunto, as alternativas não cabiam em minha vida de mãe no interior. Aplicativos só chegaram pra valer este ano. Táxis custam caríssimo. Ciclovias, nem pensar!

Ônibus são poucos e com horários caóticos. Metrô não existe na maior parte do nosso país, né? Então, essa conversa de “use o transporte público” nunca serviu pra mim. Por outro lado, cidades menores  podem ser mais facilmente desbravadas a pé. O que eu tenho descoberto nesse tempo?

Tenho muitos conhecidos que vão à mesma escola dos meus filhos, facilitando as caronas. Não recomendo vender o carro caso seus filhos ainda usem cadeirinha, estudem em horários opostos na escola (sim, eu fiquei quatro anos nesse esquema) ou não saibam (ainda) fazer nada sozinhos na rua.

Aguente firme no volante, e aproveite pra ensinar seus filhos coisas simples que, no futuro, poderão fazer sem carro. Vai valer a pena, acredite. Transporte escolar não funcionou para mim. A van passava muito cedo, o motorista era grosseiro e eu não me sentia segura.

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Carro e os serviços de aplicativos

Aprenda a usar os aplicativos, entregas e motoboys. Use-os com moderação, mas use quando necessário.

Não se sinta culpada. Há dias mais caóticos  em que precisamos de ajuda, e tudo bem. Não estamos falando sobre quem se sacrifica mais não tendo carro. Estamos falando de escolhas espertas.

Sabe aquele grupo de pais e mães da escola? Seja a pessoa que o utiliza para coisas boas. Peça ou ofereça caronas, organize um rodízio de pais. Troque livros, uniformes, seja útil e todos terão boa vontade com você.  Caso esteja sem carro, não sinta vergonha. Você pode retribuir de muitas outras formas. Seja humilde e honesta.

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Organização na hora de fazer as compras

Compras de supermercado podem ser um problema. Porém, a maioria dos estabelecimentos entrega de graça.  Organize-se, compre e receba em casa.

Dias de chuva costumam ser complicados com ou sem carro. Eu comprei uma galocha bonita, uma sombrinha boa e tenho sempre uma verba separada para aplicativo ou táxi para esses dias.

Algo que ainda me preocupa é em caso de emergências médicas. Tenho  os telefones de urgência a vista de todos e penso em como agiria em uma situação mais grave sem carro. Algum vizinho, ambulância, telefone da farmácia podem ser úteis.

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Viver sem carro e a realidade do Brasil

Sei que a maioria das pessoas sempre viveu sem carro e que vive em condições  que não permitem sequer tomar um ônibus. Essa nunca foi a minha condição, e rogo para que não seja a sua.

Em um país  como o nosso, é natural que a gente queira um carro. Assim como é natural que nem tudo na vida seja milimetricamente planejado. A gente precisa ir se adaptando e fazendo o que está ao nosso alcance a cada momento.

Não pense que, se você formou uma família antes do que dizem ser o ideal, tudo está perdido e você morrerá pobre e endividado. Financiou um carro e esqueceu que tinha IPVA, gasolina, estacionamento? Calma.

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Conclusão

Hoje pode ser o seu dia de se libertar do carro, ou não. Permita-se  apenas pensar sobre isso, discuta com o restante da família. Façam as contas e priorizem. Cada escolha, algumas renúncias, e cabe a cada um de nós a decisão.

Pessoalmente, chegou a minha hora de experimentar. A economia é assustadoramente grande. Um carro era quase como ter mais um filho, e nunca percebemos.

Algumas pessoas vão te considerar um fracasso. Pra mim, sucesso é ter paz e consumir  quando posso. Antes tarde do que nunca. Cachorro velho também aprende truque novo, sabia? Sou a prova viva!

Cristina Pizarro
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