Previdência privada, que renda escolher?
Publicado por Ricardo Pereira em 04.7.2008 na seção Aposentadoria
Um dos investimentos pessoais que mais caem no gosto popular é a previdência privada, ou previdência complementar. Ótima notícia que demonstra que os brasileiros estão se preocupando cada vez mais (e melhor) com seu futuro e de sua família, deixando de lado aquela imagem ultrapassada de um Estado capaz de zelar por todos. Ufa.
Já conversamos, tanto aqui, quanto no fórum Sociedade Dinheirama, sobre vários aspectos da formação da reserva, os tipos de fundos e planos (PGBL, VGBL), se são agressivos, moderados ou conservadores. Entretanto, pouco abordamos as formas de resgate disponíveis para quando chegar o tão sonhado momento de usufruir do benefício.
Como escolher entre as alternativas de resgate disponíveis hoje? Quais as principais diferenças entre elas e como o investidor deve olhá-las na hora de decidir-se? Os pormenores da escolha da renda ao completar o prazo de contribuição são tão importantes quanto a escolha do plano. Entenda melhor as alternativas através deste artigo.
Renda vitalícia
Nada mais é do que uma renda mensal que durará a vida toda. O valor será corrigido por índice estipulado no contrato.
- Vantagem: certeza de que o dinheiro será pago mensalmente durante toda a vida;
- Desvantagem: Em caso de morte prematura, o dinheiro de sua reserva ficará no caixa da seguradora.
Renda vitalícia com prazo mínimo garantido
O beneficiário terá uma renda de periodicidade mensal fixa e pré-estabelecida. Em caso de morte antes do prazo garantido, a família fica com o dinheiro.
- Vantagem: o dinheiro poderá ficar com a família em caso de morte do segurado, no período que varia de 5 a 15 anos;
- Desvantagem: com o prazo garantido, a renda tende a ser menor.
Renda vitalícia reversível ao cônjuge
O beneficiário receberá uma renda mensal fixa. Em caso de falecimento, o parceiro continuará a receber o dinheiro.
- Vantagem: alternativa interessante para quem tem como dependente o(a) parceiro(a);
- Desvantagem: o valor do benefício dependerá de cálculos atuáriais baseados na idade do parceiro.
Renda vitalícia reversível ao cônjuge com continuidade aos menores
Renda mensal vitalícia. Também na falta do companheiro (também), o dinheiro fica com os menores (até o limite de idade de 24 anos).
- Vantagem: alternativa para aqueles que possuem filhos menores de idade;
- Desvantagem: como o cálculo abrange os menores, a expectativa de vida é maior. O cálculo atuarial levará isso em conta, reduzindo ainda mais o valor da renda.
Renda com prazo certo
A renda será paga apenas por um prazo determinado.
- Vantagem: o valor é superior ao pago pela renda vitalícia comum;
- Desvantagem: em caso de expectativa de vida diferente do prazo estipulado, o beneficiário corre o risco de ficar sem dinheiro.
Resgate programado
Essa opção possibilita retiradas programadas, como por exemplo uma ou duas vezes por ano.
- Vantagem: o custo se torna mais baixo e o beneficiário pode realizar a própria gestão de curto prazo de seus recursos.
- Desvantagem: não recomendado para aqueles que não possuam outras fontes de renda.
Resgate total
Toda reserva é sacada de uma única vez, em data estabelecida.
- Vantagem: o custo é muito mais baixo e você pode resgatar sua reserva e reaplicar em outros investimentos (montar uma carteira de investimentos, iniciar um negócio etc.).
- Desvantagem: fazer a própria gestão dos recursos não é fácil. Se não estiver preparado para isso, pode representar perda de valores consideráveis.
Se você já tem um plano de previdência em curso e se não lembra de sua opção – ou se agora gostaria de alterá-lo –, não há motivo para pânico. As seguradoras são obrigadas a confirmar as escolhas de saída dos planos junto aos clientes 90 dias antes do final do contrato, sendo que a resposta pode ser dada com até 30 dias de antecedência.
Lembre-se que para quem gosta de segurança e tranqüilidade, a previdência privada pode representar a maneira mais fácil de estabelecer um futuro mais rico. Claro que existem pessoas de outros perfis, e com outras argumentações, que preferem produtos mais rentáveis no longo prazo. Mas nem todos possuem tempo, conhecimento e facilidade para investir em ações (por exemplo).
É sempre tempo de pensar no futuro. Construí-lo hoje é o que faz a diferença. Os detalhes de cada alternativa foram reproduzidos de materiais sobre o tema disponibilizados por Icatu Hartford, SulAmérica, Brasilprev e revista Você S/A. Bom final de semana.
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Ricardo Pereira é Analista Financeiro Sênior da ABET Corretora de Seguros, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Crédito da foto para stock.xchng.
Ricardo Pereira
Educador financeiro, palestrante, autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Ricardo,
Gostaria de dar uma colaboração. A renda com prazo certo não será necessariamente maior do que a vitalícia, isso dependerá se o prazo de recebimento será maior ou menor do que a expectativa de vida. Se uma pessoa de 65 anos desejar receber por 5 anos vai ter uma renda maior do que a vitalícia. Mas, se optar por receber por 30 anos a renda vitalícia será maior e poderá ser paga por mais tempo.
Abraço!
Olá Felipe, como vai?
Ótima colaboração, aliás essa é a idéia que tanto eu como o Navarro achamos ser o ponto forte do Dinheirama, a participação ativa dos amigos leitores.
Sempre existirão casos específicos e altumas peculiaridades, que aumentam ainda mais a responsabilidade da escolha.
Forte Abraço e Parabéns pelo Previsões Blogue, que recomendo aos demais amigos.
Obrigado Ricardo,
Posso dar uma uma então?
Há também a renda temporária, que termina ou num prazo estipulado ou na morte do beneficiário. Ela garante, num mesmo prazo, uma pensão melhor que a prazo certo, mas, em caso de falecimento, os dependentes não terão direito a ela.
Olá, adorei seu artigo! Comecei a ler o Dinheirama recentemente e gostaria de dizer que os artigos são muito bem escritos e informativos! Fiquei particularmente interessado na sua breve descrição dos diferentes tipos de previdência privada. Mesmo o gerente do meu banco costuma ter dificuldades em resumir esse tipo de serviço de forma tão útil, parabéns.
contribui apenas 10 anos mais ou menos com o inss, gostaria de saber como posso tentar uma aposentadoria melhor e se ainda a condições para isso, pois estou com 47anos de idade.
Olá Ricardo!
Pode comentar mais sobre as taxas envolvendo a previdência? Acho que seria interessante para os leitores, saber mais sobre a taxa de carregamento, administração etc e tal.
Abraços e parabéns pelo trabalho!
Samurai
Amauri como vai?
Sempre é tempo de começar a analisar a melhor forma de garantir um futuro melhor. No seu caso, seria interessante pensar seriamente em outras possibilidades fora da Previdência Pública.
Você pode continuar pagamento como autônomo para ter ao menos direito e preencher os requisitos mínimos necessários (hoje). A tendência é com o tempo novas reformas surgirem e diminuirem ainda mais os valores pagos e aumentarem as exigências.
Pense em mudar um pouco o foco, fique a vontade se quizer conversar por e-mail ricardo@dinheirama.com
Samurai meu amigo, muito obrigado pela força. Sua sugestão está anotada e logo estará em um artigo. Obrigado.
Floripa, que bom ter gostado do Dinheirama. Sua presença para nós é um grande prazer. Continue conosco.
Abraços
[...] Um dos investimentos pessoais que mais caem no gosto popular é a previdência privada. Ótima not... [...]
Prezado Ricardo, por melhores que sejam suas intenções, neste país só reina a picaretagem. O próprio senador Mão Santa pronunciou-se no senado, ontem, 6/8/08, dizendo-se uma das vítimas desses planos de aposentadoria (aplub). Eu também já entrei em fria (montepar) e até em seguro de vida (sulamérica) alterado unilateralmente após mais de um quarto de século de contribuição. Não precisa publicar meu comentário, mas pesquise e oriente seus leitores. Um grande abraço do Eymard.
eu, reconheço, sou um crítico de Planos de Previdência...
podemos analisa-los em 2 momentos:
1) como formador de "poupança" - não vejo sentido em alguem fazer um VGBL em detrimento de simplemente aplicar seu dinheiro num bom fundo q escolher... O PGBL tem um benefício fiscal q não me parece suficiente p custear as taxas de adm do plano E do fundo. Sendo assim, NA MINHA OPINIÃO, um Plano de Previdencia não é o mais eficiente metodo de fazer "poupança"
2) como "distribuidor de poupança" (assunto do post): há muitas ventagens pro administrador do Plano, q prejudicam o "pensionista" e chamo a atenção p 1 delas: em caso de escolha da "PENSÃO VITALICIA", o cálculo do benefício considera q a "poupança acumulada" renderá TAXA DE JUROS IGUAL A ZERO no futuro (a partir da solicitação do benefício), o q é uma clara vantagem para o Administrador, achatando o valor do beneficio calculado...
gostaria, se possivel, q alguem me explicasse essa "conta", já q os bancos q consultei, não foram capazes de faze-lo.
abraço e obrigado pela oportunidade de, mais uma vez, tentar esclarecer a minha dúvida !
Ola Ricardo, tenho lido os artigos que muito me ajudam na dificil tarefa de educar-me financeiramente.
Tenho uma decisão a tomar e por favor solicito uma ajuda.
Tenho 58 anos, fui ao INSS solicitar aposentadoria, segundo as previsões, hoje seria de R$ 500,00 a R$ 700,00 pelo INSS.
O funcionário "recomendou" esperar completar 65 anos para entrar com aposentadoria.
Esta é minha dúvida, entro agora ou espero pelos 65 anos.
Tenho outra renda como autonomo, este dinheiro poderia ser investido. Que decisão tomar? Grato pelos seus comentários.
sobre o meu comentário de "14.10.2008 às 12:02 am", acho q irei continuar esperando... sentado pra não cansar !
pena...
deve ser mesmo ou muito dificil de explicar ou muito sem importancia pra ser explicado!
Olá João como vai?
Que bom que retornou o contato, eu havia lhe respondido anteriormente pelo e-mail que você havia preenchido, costumo usar esse meio de contato quando as dúvidas são mais contundentes, fiz isso também com o comentário abaixo do seu do Sr. José C. Filho.
A questão da previdência ser ou não o investimento mais adequado para o futuro, depende muito do nível de envolvimento de cada um com a administração de seu planejamento no longo prazo. Concordo que quem busca opções inteligentes pode conquistar rentabilidades maiores, mas sabemos que nem todos possuem a facilidade de manter esse grau de conquista.
A Questão fiscal, considero sim importante. E os cálculos para chegar aos valores de benefícios são levados em conta elementos puramente atuáriais.
Vamos fazer assim, vou me utilizar dessa dúvida para um novo artigo, o que acha? Só peço mais um pouquinho de paciência.
Forte abraço e desculpe a demora.
Olá Ricardo...
só pra confirmar, o meu e-mail é esse mesmo... mas não recebi sua resposta !
em relação à minha dúvida, vc é, aparentemente, a minha ultima esperança de explicação... espero q a minha dúvida tenha ficado clara.
sei tb q essa dúvida não deve ser comum, já q os clientes, na sua maioria, não prestam atenção nesse tipo de "detalhe".
vou esperar o seu artigo então !
abraço
sobre o meu comentário de "14/10/2008", reforçado em "10/11/2008", tá difícil !
mais de 3 meses depois, e ainda a espera de uma explicação pra minha dúvida !
acho q vou desistir... na verdade nem tenho dúvida e sim uma certeza: os bancos se dão bem e os clientes se dão mal... só queria saber se alguem tem alguma outra opinião, mas acho q o assunto é meio "tabú"... já escrevi pra jornal, pra blog, já perguntei pra gerente de banco... e ninguem se dá ao trabalho de responder... uma pena !
João, como vai? Sinto pela demora em comentar sua questão. Espero que possamos continuar o ótimo debate sobre o tema aqui mesmo no espaço de comentários - pelo menos até que nossa agenda permita um artigo sobre a importante questão. A questão entre o plano e o beneficiário passa por uma importante questão: disciplina. A grande maioria das pessoas opta por um plano de previdência porque, entre outras coisas, acredita não ser possível poupar e o carnê da instituição representa a necessidade de pagar uma conta - que, na verdade, é um investimento.
Se você me perguntar: "Navarro, é melhor então fazer um plano de previdência por conta própria?" Em mais de 90% dos casos, responderei "Não". Mas não porque não seja interessante, mas simplesmente porque em algum momento durante toda a evolução do patrimônio e dos aportes (lembre-se que serão muitos e muitos anos), uma emergência vai surgir e PIMBA, a maioria das pessoas não vai pensar duas vezes e vai usar as reservas acumuladas até ali para tentar saná-las. Com uma previdência contratada, isso não é tão simples e normalmente não é considerado como alternativa para sair do problema. Percebe como a disciplina é fator crucial?
Logo, não ter disciplina tem um preço. As seguradoras e instituições financeiras cobram seu prêmio para gerenciar sua aposentadoria. Dependendo de como a pessoa é com suas finanças, o preço é bem baixo - basta imaginar aquele que está sempre no limite, não poupa e mal consegue sobreviver. Se ele, ainda assim, conseguir pagar em dia o carnê da previdência privada, ainda garantirá algo no futuro. Para outros o preço a pagar é caro. Minha sugestão: tenha sim um plano de previdência privada contratado (com contribuições baixas), mas guarde e invista você mesmo outro tanto de sua receita. Sempre.
Sobre a questão do benefício, ele será corrigido monetariamente, mas não terá juros. Eu particularmente não gosto da renda vitalícia, prefiro aqueles em que o valor é finito, justamente porque a maioria dos planos permite o resgate de todo o montante acumulado e você pode aplicá-lo em algum produto de seu gosto e então ver os juros a partir dali.
Obrigado pela participação. Grande abraço.
Olá Navarro... q bom q respondeu !
li atentamente o seu comentário e discordo de alguns pontos...
1) não há nenhuma obrigatoriedade de pagemento para um plano de previdencia... se vc não pagar 1 mês ou vários meses vai apenas ter menos dinheiro guardado, sem nenhuma outra implicação. Sendo assim, o único "elo" entre o poupador e a sua "disciplina" de poupança é um boleto bancário... além disso, a cada 3 meses podemos resgatar total ou parcialmente o montante poupado, sendo penalizados "apenas" pelo IR... acho muito pouco pra caracterizar algum "beneficio" de educação ou disciplina na formação de um poupador !
2) Por causa das taxas administrativas q são cobradas, não acho q NENHUM plano de previdência seja a forma mais eficiente de se formar uma poupança de longo prazo! Fundos equivalentes são geralmente mais rentáveis, alem do Tesouro Direto, cada vez mais popular...
3) Mesmo com o benefício fiscal (no caso do PGBL pra quem faz IR COMPLETO) continuo com restrições à performance dos Planos de Previdencia. o IR do resgate, por ser aplicado tb em cima do principal investido, meio q anula o beneficio do desconto no IR anual...
4) a única opção q poderia justificar a escolha de se fazer um plano de previdencia, seria a de uma renda vitalícia, já q todas as demais estariam ao alcance de qualquer um com um dinheiro guardado e eis q justamente nessa, os Bancos colocam uma clausula dizendo q o nosso dinheiro terá rendimento real ZERO, o q é um absurdo, pra não dizer um roubo!
6) Seguindo o q vc disse (resgate do seu dinheiro para investir em "algum produto"), se pensarmos assim e sabendo q um Plano de Previdencia não é a forma mais eficiente de aplicação financeira, então pra q serve o Plano de Previdencia?
Pelas razões expostas, continuo com o meu pensamento:
poupar é fundamental, mas fazer um Plano de Previdencia é apenas um "embrulho pra presente" de coisas q já existem... e pagamos MUITO caro por isso !
sinto falta, nos seus comentários, de uma visão crítica sobre esses planos de previdencia privada... existem outras (e melhores) formas de "ser previdente" e ter um futuro melhor... acho q vc deveria aborda-los !
falar em previdencia não é necessariamente ser um adepto dos produtos de previdencia privada q nos são oferecidos !
cabe a vc apresentar aos seus leitores outros caminhos... os bancos ficarão chateados, mas seus leitores vão agradecer !
grande abraço
tenho 33 anos e minha esposa idem e um filho de 7 seria melhor fazer um plano renda vitalicia reversivel ao conjugue?
Tenho um plano de pevidencia do BB, antigo, onde a taxa de administração é de 9% e o rendimento é de 6% ao ano+IGPM. O banco esta constantemente me ligando para que eu mude para um PGBL. Há vantagens nesta mudança?