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O Brasil e seus movimentos para conter a crise

9comentários

Brasil e seus movimentos para conter a criseAlém da comum dúvida sobre a chegada ou não da crise financeira no Brasil, outros questionamentos vêm sendo realizados por vocês, nossos fiéis leitores: como o Brasil está se preparando, enquanto nação, para a chegada dos efeitos colaterais deste tufão financeiro internacional? Já concordando com a afirmação de que tais efeitos serão sentidos também aqui, será que o governo tem tomado atitudes inteligentes[bb] para evitar estragos maiores?

As respostas não completamente animadoras, mas trazem tom de “estamos preocupados e agindo”, discurso um pouco diferente daquele proferido algumas vezes pelos porta vozes do governo. A equipe econômica, capitaneada principalmente pelo presidente do Banco Central Henrique Meirelles desde o inicio da crise, se mexe para conter eventuais efeitos da crise no Brasil.

Quais as medidas tomadas até agora?
Para muitos, fica a impressão de que nosso governo não tem agido de forma intensa para evitar problemas locais, o que não é uma verdade completa. Discute-se, principalmente na mídia especializada, a eficácia de certas medidas, mas não se duvida da capacidade de ação de nossa atual equipe econômica. A equipe econômica brasileira não está de braços cruzados.

Listo abaixo as principais medidas adotadas pelo governo, desde 19 de setembro – quando o banco Lehman Brothers quebrou:

  • Nessa data, o Banco Central promoveu um leilão de US$ 500 milhões, com o compromisso de recompra em 30 dias. O leilão serviria para, nesse tempo, garantir dólares para as empresas exportadoras;
  • Em 1º de outubro, o Banco do Brasil antecipou para o mercado agrícola R$ 5 bilhões;
  • Em 2 de outubro, o BC anunciou a redução do compulsório (valor diário que os Bancos são obrigados a enviar ao BC) com a expectativa de injetar R$ 23,5 bilhões na atividade econômica – para os bancos grandes que comprassem parte das carteiras de crédito dos bancos pequenos;
  • Nas primeiras horas do dia 6 de outubro, ficava claro que o dia entraria para a história do mercado financeiro. O dólar ultrapassou os R$ 2,15 e a bolsa despencou 15% durante o dia. O Banco central realizou um leilão de swap cambial, injetando US$ 1,468 bilhão no mercado financeiro. A operação de swap é usada para proteção contra a alta do dólar;
  • Nesse mesmo dia, o BNDES disponibilizou linha de crédito para exportações em mais US$ 5 bilhões. O Presidente Lula assinou uma medida provisória concedendo maiores poderes ao BC;
  • No dia 7 de outubro, o BC realizou mais leilões de swap cambial e vendeu mais dólares, com compromisso de recompra. Ao todo, foram injetados no mercado US$ 1,359 bilhão e US$ 2,059 bilhões nessas operações;
  • No dia 8 de outubro, o dólar chegou muito perto de R$ 2,50. O BC decidiu utilizar as reservas internacionais para conter a alta da moeda – registre-se que esse tipo de leilão não ocorria desde fevereiro de 2003. Durante o dia, novas operações de swap foram realizadas, levando o dólar a R$ 2,28;
  • Ainda no dia 8 de outubro, o ministro da Fazenda Guido Mantega, atual presidente do G-20, convocou uma reunião na sede do FMI, nos EUA, para discutir a crise. Novas mudanças foram anunciadas na regra dos empréstimos compulsórios e mais R$ 23,2 bilhões entraram na economia;
  • Os dias 9 e 10 de outubro foram marcados por mais leilões de swap e venda de dólares da reserva cambial;
  • No dia 13 de outubro surgiram mais mudanças no compulsório, com conseqüente liberação de R$ 47,1 bilhões.

Hoje, o presidente Lula assinou a medida provisória que autoriza os bancos públicos Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil a comprarem participações em instituições financeiras (incluindo bancos de Investimentos, seguradoras, instituições previdenciárias, empresas de capitalização e etc.) no país, sem passar por processos burocráticos, como licitações. O portal Infomoney traz, também, uma ótima cronologia da crise.

O governo se mexe e abraça o plano Gordon Brown
O que fica evidenciado é a disposição do governo em tentar contornar os possíveis efeitos colaterais da crise no país. Se, por um lado, sinaliza que o país não está imune à crise, de outro evidencia que o governo trabalha com diversos instrumentos e ferramentas a fim de garantir liquidez e confiança ao mercado. Tem gente séria trabalhando para sustentar nosso crescimento, o que é fundamental para restaurar a “simpatia” (leia-se dinheiro) dos investidores[bb] nacionais e internacionais.

A medida provisória assinada por Lula é uma adesão ao plano do primeiro ministro britânico Gordon Brown, considerado personagem principal da crise por lançar um plano bastante discutido pelos especialistas. Nele, o governo toma participação nas instituições financeiras, garantindo a confiança dos investidores com milhões de euros e libras. Vale lembrar que os Estados Unidos aderiram a essa ação e tentam seguir pelo mesmo caminho. Até a próxima.

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Ricardo Pereira é consultor financeiro, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Crédito da foto para stock.xchng.

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Ricardo Pereira

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Educador financeiro, palestrante, Sócio do Dinheirama é autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama. No Twitter: @RicardoPereira

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  • anderson

    pois é …. todas essas medidas e a bolsa não para de cair e o dólar fechou ontem em 2,37 !!!! o que mais falta ser feito? A bolsa caindo diariamente + de 10% parece um poço sem fim… pensei que com todas essas medidas, ao menos esta crise se “estabilizaria” mas parece que esta cada vez pior….

  • http://dinheirama.com/blog/sobre Conrado Navarro

    anderson, a questão da Bolsa é um pouco diferente. Temos muito capital estrangeiro transitando em nosso mercado de capitais, o que causa fugas grandes em momentos de tensão. A Bolsa cai. Apesar da relação com os fundamentos econômicos do país, a reação dos investidores da bolsa é motivada pelo risco inerente ao investimento em emergentes e á fuga para um local menos volátil.

    Abraços.

  • anderson

    obrigado pela resposta Navarro…
    vou me mudar para esse “paraíso da pouca volatilidade” que é para onde está indo nossos investimentos, ou vou torcer para que ele seja “deportado” e volte para minhas aplicações rsrssr?
    abs

  • http://www.dinheirama.com Ricardo Pereira

    Anderson e Navarro,
     
    Importante destacar que quando falamos em economia qualquer ação não tem efeitos práticos imediatos. Leva tempo para as medidas serem praticadas e absorvidas pelo mercado. Outro ponto importante que precisa ser analisado com muito cuidado nessa crise toda é os exageros causados pelo aspecto psicólogico da coisa.  Os investidores deixaram de lado os fundamentos e partiram para o lado que a maioria seguia, sem critérios.
     
    Volto a falar que a crise persistirá até que a confiança e o otimismo volte aos Estados Unidos, condiciono um pouco há isso a eleição norte americana. Quando soubermos o vencedor e sua equipe econômica poderemos ter um pouco de paz.
     
    Abraço

  • douglas

    eu sei que o cú não tem nada a ver com as bolas,mas olha o que eu li,sobre a distribuição de riqueza no brasil é a pior no mundo;
    Desemprego e diminuição dos salários nas zonas urbanas, que polarizam a distribuição entre os habitantes das regiões, são algumas das causas pelas quais hoje as cidades brasileiras têm as maiores disparidades na distribuição de riqueza no mundo. A constatação está no Informe de Estado das Cidades do Mundo de 2008 e 2009, da agência da Organização das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos, que destaca, ainda, que cidades americanas, apesar de mais ricas, possuem desigualdade tão expressiva quanto as encontradas na África e na América Latina. Nos países pobres, são três milhões de pessoas se deslocando semanalmente para s cidades, o que evidencia deficiências de infra-estrutura, com transporte coletivo. O aumento do espaço periférico gera mais ilegalidade, exclusão e desigualdade, pois esses moradores são obrigados a ocupar espaços fora do mapa legal da metrópole. Dentro da América Latina, Colômbia e Brasil são donos dos índices de maior desigualdade, com destaque para Goiânia, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, que contrasta com o entorno onde muitos tem pouco, quando não quase nada. fonte:ipanema fm

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  • Giselia Amorim

    Quais as ferramentas brasileiras contra a crise em seus respectivos setores?

  • Aline Brandão

    Gostaria de saber quais são as vantages do FMI?

Quem já falou do Dinheirama?

Adquirimos virtudes quando primeiro as colocamos em ação, assim como fiz em relação a encarar de frente minhas dividas, quando tomei a decisão de seguir muitas das orientações aprendidas com o blog.

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