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O corte de 1% na Selic, a inadimplência e o ano de 2009

5comentários

O corte de 1% na Selic, a inadimplência e o ano de 2009Hoje vamos conversar um pouco sobre economia. Os assuntos dentro desse campo são vários e a pauta econômica mundial continua sendo conduzida em função da crise econômica mundial. Mais do que um sentimento financeiro que foi muito bem dimensionado no último ano com o monumental tombo do mercado financeiro[bb], este ano as coisas parecem caminhar para um outro perigoso caminho: o das mudanças e impactos no aspecto produtivo. As notícias nos jornais e revistas alertam para um ano de muitos desafios e mudanças. E agora?

O que mais existe de negativo e que melhor expressa esta questão são as demissões que começam a seguir aqui e acolá. Nesse meio tempo, um de nossos grandes guardiões da economia, mais conhecido como Comitê de Política Monetária (COPOM, para os íntimos), surpreende com um corte de 1% na taxa Selic, que baliza as taxas de juros do mercado financeiro, agora em 12,75% ao ano.

Será que finalmente o Banco Central percebeu o quanto a crise financeira contaminou os demais setores do país? Sinceramente, acho que não. Esse corte foi mais no sentido de atender um apelo da mídia e do próprio Presidente Lula – que alguns dias antes havia se comprometido em trabalhar em busca do corte.

Sempre que pensamos em crise e recessão, o perigo inflacionário fica estacionado. Ou seja, nesse momento específico a inflação não é considerada um problema real e imediato. Minha opinião é clara: nossa taxa ainda está muito alta. Ah, sim, ainda somos o país com a taxa de juros real mais alta do mundo. E muito alta para um país que de fato se preocupa em enfrentar momentos de crise.

A Selic e o consumidor
Como você deve imaginar, a taxa Selic para o consumidor final tem um reflexo praticamente irrisório, visto a disparidade dessa taxa e a cobrada pelo mercado financeiro sobre linhas de crédito, cartão de crédito, cheque especial e por aí vai.

Os bancos e financeiras utilizam o termo spread para definir a diferença entre o que o banco teria de custo de oportunidade do dinheiro (o que faria com ele sem risco) e a taxa cobrada de juros. E como fica fácil perceber, essa foi (é) uma mina de ouro para os bancos – que já alertaram que o spread não vai cair este ano.

A inadimplência preocupa
Entretanto, alguns reflexos negativos dessa “farra financeira” começam a aparecer. O nível de endividamento das pessoas ultrapassou o limite do tolerável e com ela chegou o aumento da inadimplência. Como não canso de repetir, crédito fácil no Brasil é sinônimo de crédito caro.

As pessoas não perceberam, especialmente diante das oportunidades de consumo, que o custo dos empréstimos ia muito além do valor que recebiam pela linha de crédito. E foram se enveredando pela compra de carros novos, equipamentos eletrônicos, financiamento habitacional etc. Tudo sem o mínimo de inteligência financeira[bb].

Hoje já sabemos que a inadimplência da pessoa física é a maior desde 2002. A taxa de inadimplência do crédito do sistema financeiro brasileiro subiu para 4,4% em dezembro, informou o Banco Central. Em novembro, esse indicador estava em 4,2%.

O que chama a atenção dentro desse universo de inadimplência é o setor automobilístico, com o maior índice de atraso de pagamentos desde que se iniciou essa medição. O dado concreto é que parcelas em atraso com mais de 3 meses chegam à impressionante cifra de R$ 3,5 bilhões. Será que o tão temido “subprime do setor automobilístico” está chegando?

Com a perspectiva de desemprego que se desenha para o ano de 2.009, será que as pessoas conseguirão manter as contas em dia ou irão se preocupar em manter o básico para sobreviver? Há quem diga, por exemplo, que a inadimplência de cartões de crédito irá se elevar consideravelmente neste ano.

A lição: mais uma vez nossa cultura em momentos de bonança não foi a de que devíamos nos precaver e formar uma boa reserva financeira[bb] para os momentos difíceis (que sempre chegam). Como pessoas físicas, não poupamos ou nos preocupamos com o futuro – simplesmente nos deixamos conduzir ao poço sem fundo do consumismo sem controle.

O que podemos fazer? O que há de mudar?
Primeiro, os juros básicos precisam continuar caindo para que de fato possam influenciar a economia real  e o mercado produtivo. Segundo, o governo precisa de fato entender que o momento é de grande preocupação. Temos que diminuir o tamanho da máquina pública imediatamente. Cortar gastos de custeio e pensar nos investimentos produtivos – principalmente em infra-estrutura.

E, finalmente, deve ser executada uma redução da carga tributária. Não podemos pagar juros de agiotas e impostos altíssimos para serviços tão precários e de péssima qualidade. 2009 será um ano muito diferente de qualquer dos cinco anos passados. Entretanto, essa freada mundial pode servir para colocar o Brasil em posição de competitividade ainda maior que antes da crise, pois com crises surgem grandes oportunidades.

Mais do que nunca é importante cobrarmos uma posição correta e inteligente de nosso governo.

——
Ricardo Pereira é educador financeiro e palestrante credenciado pelo Instituto DiSOP, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Crédito da foto para stock.xchng.

Ricardo Pereira

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Educador financeiro, palestrante, Sócio do Dinheirama é autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama. No Twitter: @RicardoPereira

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  • Eduardo Severino

    Bom post! Sugiro um post com dicas de onde buscar (ficar atento com) oportunidades para ganhos diante de crises!

  • alpha

    com certeza que o povo tah endividado. gastaram o que naum tinham pra fazer frente à sociedade que impõe a pressão dos pares e ostracisam os que decidem sair dessa corrida de ratos. aos que recebem esse ostracismo quando conversa com um amigo que vai poupar pra investir pra se precaver no futuro pensem como os sabios. os sabios, tal kual uma rocha, mantem sua posição esclarecida e do mesmo jeito que o vento naum consegue mover a pedra, o sábio mantém sua convicção não importando se o que foi dirigido a ele era um elogio ou uma crítica.

  • Alex Gregianin

    Ricardo,

    Mas os juros altos não são bom do ponto de vista do investidor?Digo isso por causa do Tesouro Direto,que geralmente oferece rentabilidade de algumas de suas notas atreladas a selic,e se vc reparar,as notas que nao sao atreladas a selic e sim ao IPCA/IGPM,geralmente se somada a previsão de igpm/ipca + taxa,a rentabilidade fica proximo da selic também.Mesmo as pré-fixadas são no mesmo patamar.

    Enfim,vale a penas ter juros altos p/ quem tem grana na mão?

  • Aureo Vilas Boas

    Eduardo, uma boa dica é procurar se informar sobre o marketing multinivel (MLM) e empresas muito bem sucedidas, enumerando os fatos! Uma boa estratégia em qualquer época do ano. Boa sorte!

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