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Ações no longo prazo com Análise Fundamentalista

8comentários

Ações no longo prazo com Análise FundamentalistaOlá amigos leitores do Dinheirama. Estou aqui hoje para discutir um assunto caloroso para quem pretende investir em ações[bb]: afinal, devemos seguir os conceitos da Análise Técnica ou da Análise Fundamentalista para selecionar os ativos que irão compor nossa carteira? Por quê?

O assunto gera muitos debates e, na maioria das vezes, o resultado é o mesmo: quem gosta dos gráficos não gosta dos fundamentos e vice-versa. Na minha modesta opinião, os métodos têm objetivos diferentes e combiná-los não lhe ajudará tanto assim. Enfim, através deste artigo pretendo passar conhecimentos sobre a Análise Fundamentalista (AF), mas ser imparcial, ao máximo possível, em relação à Análise Técnica (AT).

O que os leitores já devem saber é que a AF consiste em avaliar a saúde financeira da empresa, a solidez da gestão de operações, do dinheiro e relacionar tudo isso com alguns dados de mercado, tentando fazer algumas projeções. Os conceitos mais populares de AF são os índices financeiros da empresa, como liquidez e endividamento, índices de mercado, como Preço/Lucro (P/L), Preço/Valor Patrimonial da ação (P/VPA) e etc. Mas, antes de estudar os índices, vamos falar de perfil.

Eu diria que um dos grandes objetivos da AF é encontrar ações baratas e que mereçam ser compradas. O preço baixo não tem relação com o valor do lote das ações, e sim com os fundamentos da empresa: o quanto ela vale, quanto ela fatura e quanto, no futuro, ela pode valer em relação a esses e outros indicadores. Ou seja, trata-se de achar barganhas: empresas com bom crescimento, lucros saudáveis, sem dívidas e, mesmo assim, baratas.

Para o investidor[bb] fundamentalista, pouco importa comprar o papel hoje pela manhã, durante a tarde ou até mesmo no dia seguinte. Pois, se analisados os fundamentos e identificada a margem de segurança do investimento e seu potencial de crescimento e geração de resultados, é só comprar, acompanhar e esperar.

Saber esperar, está ai uma grande característica do investidor fundamentalista. Os números, muitas vezes, indicarão empresas um tanto quanto desconhecidas, com pouca negociação e baixa oscilação nos preços. São as chamadas Small Caps (capitalização baixa ou pequena): empresas com menor valor de mercado e consideradas de segunda linha. Entretanto, conhecendo bem os conceitos de AF, é possível investir com risco diluído e com enorme potencial de ganhos no longo prazo.

Longo Prazo, é disso que estamos falando. O investidor fundamentalista não compra ações para vender logo. E está aí a grande diferença entre AF e AT: não se trata do momento, traduzido em gráficos e números, mas sim do objetivo. O grafista pensa no hoje, ou no máximo na semana, no mês. O fundamentalista, sinceramente, não deve pensar em vender, a não ser em ocasiões especiais. O técnico ganha no spread (diferença entre compra e venda). O fundamentalista ganha comprando barato e esperando o mercado precificar corretamente o seu papel.

Uma das maiores vantagens que os investidores fundamentalistas é ter ao seu lado o maior investidor do mundo: Warren Buffett. Um dos cinco homens mais ricos do planeta, Buffett[bb] fez sua fortuna exclusivamente no mercado de ações e adotando a AF, ajudando a moldar e a revolucionar seus conceitos.

Ele que, durante o boom das empresas “pontocom” no final dos anos 90, foi ridicularizado no mercado por não aderir à demanda do curto prazo e por não comprar ações de empresas de internet. Sábio Buffett, pois, no longo prazo, o mercado entrou em crise e as empresas web, as mesmas que ele vetou porque não se encaixavam em suas premissas fundamentalistas, foram severamente punidas.

Espero ter mostrado um pouco do pensamento do investidor fundamentalista. As principais vantagens e desvantagens ficam para um próximo artigo, que já está sendo preparado. Até a próxima!

Crédito da foto para freedigitalphotos.net.

Pablo Santos

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Formado em Administração de Empresas pelo Mackenzie, autor do blog Leitura & Negócios, investidor e seguidor de Warren Buffett.

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  • http://bahnana.blogspot.com Liana

    Fazendo uma comparação rápida e superficial, me parece que a AF é a mais indicada para acionistas mais conservadores e que preferem correr menos riscos, é isso mesmo?

    Lendo sobre investimento em ações, o que normalmente leio é que, no geral, que para obter lucros maiores é também preciso correr riscos maiores e vice-versa. Esse tipo de coisa me faz exitar um pouco em relação a esse tipo de investimento. Mas a idéia de um investimento a longo prazo, com menores riscos e possibilidades de um bom lucro me parece muito mais interessante. Só não sei se minha conclusão está correta.

  • Vilas Boas

    Tenho algumas duvidas em relação a pagamento de dividendos. Como funciona a legislação brasileira em relação ao pagamento de dividendos? Toda empresa cotada em bolsa é obrigada a pagar anualmente, dividendo aos acionistas? se sim, em que porcentagem? Desde que comecei a investir na Bovespa (2008), minha estratégia é compras mensais com intuito de uma aposentadoria, com tais dividendos?
    Obrigado amigos!

  • Anderson

    creio que mesclar (não misturar) os dois modelos é algo interessante, assim eu teria algo no longo prazo e até lá, eu passeio em outras, se os dois modelos possuem os prós e contras, porque não tirar o que cada um tem de melhor?

    obviamente sem misturar uma coisa com outra.

    estou certo?

  • http://leituraenegocios@blogspot.com Pablo Santos

    Liana,
    creio que todos os tipos de investimento podem ter seu lado conservador ou arrojado, dependendo do perfil pessoal. Por exemplo, recomendo a leitura do artigo “Como age Warren Buffett na Crise”, apresentado acima nos “artigos relacionados”. No meio da crise que derrubava grandes bancos de todo o mundo, ele esperou a hora certa e injetou 5 bilhões na compra de ações do Goldman Sachs(banco). Para muitos, pode ser considerado loucura. Para os fundamentalistas, ele aproveitou um momento de baixa para comprar ações de uma empresa com grande solidez e que não estava sendo tão afetada. Mesmo dentro da ótica fundamentalista podemos ser mais conservadores ou arrojados.

    Vilas Boas,
    eu sei que existe uma lei que obriga as empresas de capital aberto a pagarem 25% do lucro aos acionista, como dividendos e juros s/ capital próprio. O que eu não sei são os critérios para as empresas se encaixarem nessa lei. Há alguns setores que costumam pagar mais dividendos, como telefonia e energia elétrica. Fique atento ao indicador DY (Dividend Yield).

    Anderson,
    se você usar a sua carteira “dividida”, com 2 objetivos diferentes (um de curto prazo e um LP), não vejo problema algum. Será como você falou!

    Abraços a todos e obrigado pelos comentários,
    Pablo Santos

  • Rosana

    Pablo,

    Gostei muito do seu artigo.
    Essa semana eu comecei a pesquisar exatamente sobre isso: as diferenças entre Af e At pois eu não conhecia.
    Sempre recebi a Af da corretora e de repente me deparei com a At de outra. Vi que os discursos são totalmente diferentes e fui procurar o porquê. Seu artigo me ajudou muito!
    Além das vantagens e desvantagens da Af, sugiro também um artigo sobre a At nos mesmos moldes.

    Abraços e sucesso,

  • tuca

    Gostaria de saber a sua opinao sobre o que significa o P/L de -12,87 da ECOD3. Li uma reportagem (paga talvez) no Money letter do site da Expomoney, tecendo loas a esta empresa, mas segundo o site Fundamentus, os numeros nao me apeteceram.
    Obrigado e um grande parabens a todos que fazem do site, um dos mais criveis, sobre finanças e EF.

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