Quando se trata de dinheiro, eu sempre faço questão de dizer que é preciso ter muito cuidado nos gastos e nos investimentos. Gosto do raciocínio simples, porém distante da maioria, que preza que a nossa independência financeira nos possibilita fazer uma série de outras coisas na vida.

Se você decidiu educar-se financeiramente, é porque leva muito a sério tudo isso, assim como nós aqui do Dinheirama! Diante disso, sejamos francos: o primeiro passo para quem quer alcançar a independência financeira e tomar decisões melhores é não ter preguiça.

Sim, eu sei que é muito mais cômodo seguir o primeiro conselho que se recebe, comprar o seguro do banco em que já se é cliente, aplicar no fundo de investimento indicado pelo gerente ou amigo.

Mas, calma lá, agir por comodidade é algo que está muito longe da real consciência financeira. Sem falar que comodidade por aqui costuma ser sinônimo de pagar caro, muito caro (estou falando do crédito e dos juros mesmo). Vamos discutir juntos um pouco sobre isso hoje.

Você sabe que no Dinheirama procuramos ser sempre muito transparentes em tudo que fazemos, pois queremos que você tenha base para tomar suas decisões, mas ao mesmo tempo saiba que as decisões são suas e não nossas, e que elas precisam ser tomadas não no calor do momento, mas de forma cuidadosa e com critérios.

Entendo que muitas vezes é difícil saber quem ouvir e, convenhamos, aqui vale aquela velha história de que se conselho fosse bom, seria vendido, não dado. É verdade que ninguém tem bola de cristal para prever o futuro, mas algumas coisas a gente pode evitar para diminuir os riscos na hora de escolher.

Saiba que são muitos os conflitos de interesse que existem quando você ouve um simples conselho financeiro. E é isso que você precisa entender antes de decidir. Só assim você conseguirá fazer suas escolhas de forma consciente e com base em muita transparência. Então vamos lá a quatro pontos que separei para reflexão:

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  1. Conheça a si mesmo

O primeiro ponto é algo que sempre falamos aqui. Antes de tomar qualquer decisão, inclusive as financeiras, é preciso conhecer profundamente a si mesmo.

Você precisa entender onde quer chegar, quais riscos suporta, que tipo de vida quer levar, do que pode abrir mão hoje visando a um resultado melhor no futuro, como tem sido a sua vida financeira até agora e por aí vai.

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  1. Quais os interesses envolvidos?

Não dá para considerar um conselho recebido antes de entender os interesses e vieses por trás dele. Vamos a um exemplo simples: o gerente do banco tenta te vender um seguro residencial ou um título de capitalização. E aí?

Já vi muita gente pagando muitíssimo mais pelo primeiro apenas por ter aderido à sugestão do “gerente amigo” ou, ainda, colocando dinheiro em algo que considerava uma aplicação de verdade e, no fim das contas, recebeu muito menos do que pensava que receberia por pura falta de informação.

Entenda que, especialmente nos bancos de varejo, as pessoas têm metas a bater. Isso significa que, muitas vezes, podem realmente vender determinadas sugestões de produtos sem que eles sejam os mais adequados ao seu portfólio (mas excelentes para a meta).

Não estou generalizando, o que seria irresponsável, mas é sempre bom avaliar qualquer sugestão de forma neutra antes de tomar uma decisão. Vale, inclusive, para aquele amigo que insiste para que você coloque dinheiro em seu negócio, mas não quer falar de números nem de retorno de forma clara. Não se deixe enganar.

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  1. O quão completa é a informação?

Outro ponto é que muitas vezes estes conselhos são incompletos e pouco transparentes. É o caso do “amigo” que citei acima. As pessoas querem sugerir e vender, mas nem sempre se dão ao trabalho ou têm informação suficiente para que você possa tomar suas decisões de forma coerente.

Normalmente elas dizem apenas o “geral”, o que consideram importante. Mas, espera aí, e os riscos? Perdas? Isso ninguém fala, por isso é importante que você decida já levando em conta a parte ruim da coisa.

Qualquer investimento traz em si alguns riscos. E isso não vale só para dinheiro não. Até quando a gente escolhe um trabalho ou uma namorada, está comprando junto todas as possibilidades de dar certo, mas também de dar errado. Você está preparado?

E o que acontece, por exemplo, se o negócio do seu amigo falir? Ele vai reembolsá-lo ao menos em parte ou você está assumindo os riscos junto com ele? É importante que a parte que sugere esteja aberta e transparente para falar sobre todos os pontos.

Um gerente que quer empurrar um seguro de vida para você, mas não quer perder tempo oferecendo e avaliando diferentes alternativas, talvez não seja o conselheiro mais adequado para cuidar de algo tão importante, não é mesmo?

Normalmente, poucos querem saber dos riscos, mas você, que busca educação financeira na veia, precisa agir diferente.

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  1. Você está deixando de pensar de forma crítica?

Finalmente, seguir a manada pode ser muito perigoso, até mesmo porque, como falei lá no começo, os planos e metas de cada um são diferentes, assim como a aversão a risco e etc.

Se você tem tomado decisões seguindo conselhos gerais que, em tese, valem para todo mundo, tome um pouco mais de cuidado.

Para complementar toda a discussão em torno deste importante tema, gravei um vídeo rápido que fala sobre os perigos de confiarmos demais nos especialistas (e porque você não deve fazer isso):

Clique e assista!

Muitos dos bons investimentos podem estar exatamente onde a maioria não imagina e isso você só vai saber se estiver aberto para ouvir novas fontes, diversificar, avaliar as sugestões com cuidado e usar de forma inteligente a sua massa crítica. Conte sempre comigo nesta jornada!

Conrado Navarro
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Comentários

  • malanar11

    É o problema de sempre, quem não estuda paga por isso. E paga caro.