5 verdades sobre empreender que você precisa conhecerAnderson comenta: “Navarro, você é um empreendedor que admiro e gostaria de aproveitar essa oportunidade para perguntar algo simples: quais são as principais lições que você aprendeu ‘na unha’ e que pode compartilhar para amenizar um pouco o caminho de quem quer empreender? Valeu”.

Há um clichê sobre empreendedorismo que eu gosto de repetir: “Empreender é um estilo de vida”. Ah, pois é, afinal de contas quando empreendemos nós optamos por um caminho absolutamente antinatural (para muitos, não todos, é importante frisar).

Antinatural, como assim? O tema é polêmico, reconheço, mas ainda percebo que para muitas pessoas o oposto do empreendedorismo é o “emprego de verdade” (termo usado pelo Scott Gerber). Ora, se trocamos a segurança e a estabilidade da zona de conforto (salário, férias e etc.) pela árdua luta pela em busca da realização pessoal, já somos vistos como “loucos”.

E se considerarmos o desafio adicional que é estabelecer um negócio no Brasil, sobreviver aos meandros burocráticos para manter o negócio em operação e lidar com as massacrantes carga tributária e burocrática, a “profissão” empreendedor ganha contornos épicos.

Os dilemas do empreendedor

Mas, na verdade, os dilemas são mesmo de outra natureza. São muito mais relacionados ao perfil do empreendedor, sua capacidade de arriscar e correr atrás dos resultados que deste ou daquele país. Permita-me compartilhar o que aprendi nesta jornada.

1. Ideia é uma coisa, produto é outra

Ao entrar em uma loja ou site, você compra produtos e serviços, não uma ideia. A lógica por trás desse raciocínio é bem simples: como consumidores, nós trocamos nosso esforço por produtos e serviços capazes de nos trazer melhores resultados, ainda que eles sejam subjetivos.

Não há novidade nenhuma nisso, mas o recado é importante porque parece que muitas pessoas estão cheias de boas ideias, mas sem nenhum produto (ou serviço) para ser vendido. Isso é ótimo, mas não é suficiente para iniciar um negócio – talvez seja o passo inicial, mas é preciso ir além e criar algo que seja necessário (ou desejado) por clientes.

2. As vendas é que fazem o dinheiro entrar

Aqui vale enfatizar a importância de um perfil multidisciplinar no quadro de sócios ou na equipe que inicia a empresa. É comum que o empreendedor “dono” da principal ideia goste mesmo é de criar, testar e encher o produto de funcionalidades, mas não de “bater perna” e conseguir compradores para ele.

A regra básica de qualquer negócio é simples: a geração de receitas depende das vendas do produto ou serviço e isso requer um esforço comercial. Vale lembrar que mesmo um excelente produto ou serviço não se vende sozinho, muito embora isso pareça ser uma verdade em casos notórios de sucesso. Não tem jeito, é importante vender. E vender muito bem!

3. Empreender é “cool”, ser empresário é desafiador

Burocracia não combina com empreendedorismo e estilo de vida, não é mesmo? Quem se orgulha de dizer que sua vida é feita de preencher documentos, esperar liberação dos órgãos competentes e preencher planilhas e planilhas de custos, pagamentos e controles? Pois é, mas esse é o dia a dia do pequeno empresário.

Quem inicia um negócio precisa atuar como vendedor, contador, gestor de RH, suporte ao cliente e por ai vai. Não que ele vá executar cada uma destas tarefas, mas sua supervisão ativa se faz necessária pelo porte da empresa e tamanho da equipe. E isso pode ser bem entediante para algumas pessoas. Ainda assim, precisa ser feito. Bem feito.

4. Quem se relaciona são as pessoas, não as empresas

Por telefone, e-mail, redes sociais ou de forma presencial, são seres humanos que falam, escutam, argumentam, concordam e discordam. Isso pode parecer ridículo, mas fico surpreso com a quantidade de pessoas que agem como se a empresa fosse uma entidade falante.

É comum ouvirmos por ai que “as pessoas são a empresa”. Certo, mas a interpretação para esta afirmação deve ser correta: as pessoas representam a empresa, pois elas estão na empresa. Mas elas continuam sendo as “Anas”, “Gabrielas”, os “Paulos”, “Josés” e por ai vai. Entender de pessoas é fundamental para prosperar nos negócios. Ponto.

5. Tudo muda. Muda muito. Muda muito rápido

Como se não bastassem as dificuldades de ser “dono do próprio nariz”, a certeza de que nenhum dia será como os demais toma conta do estilo de vida do empreendedor. O que, convenhamos, é exatamente o que queremos e gostamos, embora represente riscos e necessidades constantes de atualização e ação.

Leis, mercado, concorrência, inovação, produtos, equipe, necessidades dos clientes, são muitos os aspectos que costumam se alterar sem aviso prévio e com consequências importantes. Uma cabeça aberta, muita dedicação e uma equipe competente são características fundamentais para aguentar tantas mexidas.

Conclusão

A essa altura é preciso fazer uma ressalva: o artigo é de opinião e, portanto, tudo que eu escrevi representa apenas minha visão sobre o empreendedorismo no seu início. Faço esse alerta porque o tema é subjetivo e requer interpretações e experiências pessoais que texto nenhum pode oferecer.

Sempre que eu trato desses assuntos em palestras e eventos, costumam dizer minhas palavras são como um “tapa na cara do empreendedor”. A reação é legal, mas não é possível sentir a dor, a frustração e as emoções de um tapa apenas ouvindo ou lendo sobre o assunto. O verdadeiro tapa (a prática) é importante.

O recado é esse: experimente, viva e arrisque-se na construção de seu negócio. Erre. Acerte. Erre de novo. Aprenda com tudo isso. E compartilhe sempre o que aprendeu. Aliás, que tal discutir isso no Twitter? Sou o @Navarro por lá. Até a próxima.

Foto business man and nature, Shutterstock.

Conrado Navarro
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