Janaína comenta: “Navarro, sempre fui deixando para depois esse assunto das reservas para as emergências. Agora a empresa em que trabalho começou uma sequência de demissões de funcionários e comecei a ficar realmente preocupada. Acho que a minha ficha caiu! Preciso criar meu fundo de reservas. Ainda há tempo? Quais os passos para isso? Obrigada!“.

Guardar dinheiro para situações imprevistas e emergências é algo fundamental dentro do conceito de educação financeira.  A vida nos dias de hoje é muito complexa e também arriscada para que você aposte que nunca precisará disso.

Eu sempre costumo perguntar em palestras “Qual é a única certeza que você tem em relação às emergências?” e a resposta vem em uníssono: “Que elas acontecem de tempos em tempos”. Em temos de “vacas magras” como o atual, o risco aumenta ainda mais com a possibilidade de perda do ou queda nas vendas do seu negócio.

5 passos para você criar sua reserva de emergência

Bem, mãos à obra. Vou deixar alguns passos para você se organizar e criar sua reserva de emergência o quanto antes.

Passo 1: Registre suas receitas e despesas

Faça um controle bem detalhado, de pelo menos três meses, de todas as despesas da família. Faça o mesmo com suas receitas liquidas (já descontados Imposto de Renda, deduções, contribuições e etc.). Se precisar de ajuda com isso, use esta super planilha gratuita de orçamento.

Passo 2: Separe o importante do supérfluo

Agora com uma ótima visibilidade da situação financeira familiar, reúna a família e, juntos, façam uma análise profunda, identificando os itens que poderão ser cortados. Apenas tenha o cuidado de não realizar cortes demasiados ao ponto de agredir o estilo de vida da família.

Algo interessante a se fazer é listar em ordem crescente quais são os gastos prioritários. Isso ajuda muito a separar o importante do supérfluo. E caso tenha dívidas, verifique com a família se realmente é necessário mantê-las.

Passo 3: Defina um valor mensal a ser poupado

Com algumas despesas cortadas e algum dinheiro sobrando por conta da priorização mais inteligente, já é possível começar a poupar. Defina um valor fixo mensal a ser poupado ou um percentual da renda familiar para começar a guardar. Ainda que este valor seja pequeno, é importante realizar este passo para que a rotina do investimento seja estabelecida.

Passo 4: Escolha investimentos adequados ao seu perfil

Decida qual será o destino dado ao dinheiro poupado. Aqui é necessário levar em consideração o perfil do investidor (conservador, moderado ou agressivo), bem como o montante a ser aplicado e também a sua experiência como investidor.

Há ainda questões tributárias (impostos e incentivos) e custos administrativos que precisam ser compreendidos. Considerando que a maioria das pessoas tem perfil conservador e que a reserva de emergência precisa de liquidez e baixo risco, uma boa opção que combina renda, segurança e liquidez são os títulos públicos. Temos um artigo que explica tudo sobre Tesouro Direto (clique e leia).

Passo 5: Mantenha o dinheiro como uma prioridade

A cada 6 meses (ou um ano, dependendo do montante poupado), faça uma nova avaliação da situação financeira da família para verificar como está o crescimento da reserva de emergência e se já é possível considerar novos investimentos em outros objetivos e metas.

O ideal é que você acumule o equivalente a 10 meses de renda líquida mensal em sua reserva de emergência, e você pode construir a reserva em paralelo a outros investimentos desde que eles também ofereçam boa liquidez e segurança. Arriscar, só depois de ter seu fundo de reserva criado.

Analisar com frequência é importante para observar se a velocidade de crescimento da reserva atende às suas expectativas ou necessidades e permitir ajustes (aportes maiores em meses com mais receitas, por exemplo).

A propósito, eu escrevi recentemente um artigo sobre prioridades que você precisa ler (clique aqui).

Conclusão

O sucesso na criação da reserva de emergência e, consequentemente, no hábito de investir está intimamente ligado à duas características que, caso você não possua, precisará desenvolver: disciplina e persistência.

Com o passar do tempo e à medida que você for aprendendo mais e investindo com mais frequência, você poderá aplicar em instrumentos financeiros mais avançados e rentáveis, acelerando assim não só a construção de seu fundo de reservas, mas também criando estratégias para acelerar o crescimento de seu patrimônio. Por hora, o importante é começar e valorizar a educação financeira. Então, mãos à obra! Até mais!

Foto “Invest for the future”, Shutterstock.

Conrado Navarro
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