Depois da B3 ter batido recorde no final de fevereiro acima dos 88.300 pontos, o mercado ingressou em zona de acumulação/distribuição bem longa. Para em seguida, em meados de maio, realizar fortemente, desde 86.700 pontos quase sem escala, para 72.000 pontos. O que significa uma queda de 17%. Deixando o ano negativo em 5,4% (até 11 de junho).

Isso coincide com o fluxo de retirada de recursos por parte dos investidores estrangeiros. Até o final de fevereiro, os investidores estrangeiros tinham aportado recursos da ordem de R$ 10 bilhões, e agora, em 2018 o fluxo já está negativo em R$ 6,1 bilhões, ou seja, saídas de R$ 16 bilhões, e fortemente concentrada no mês de maio último.

A paralisação dos caminhoneiros

O movimento grevista de caminhoneiros expôs a fratura da economia com desabastecimento em diferentes segmentos da atividade produtiva, e governo fraco, cedendo em todos os pleitos do movimento, e arranjando soluções açodadas que acabaram por complicar ainda mais a situação da economia e dificultar a situação fiscal. A falta de apoio do Legislativo em encontrar soluções e a alienação dos políticos para os graves problemas originados, são também situações a serem consideradas. Os mercados então foram atropelados, e ainda por quadro externo fragilizado.

Problemas de governo na Espanha e principalmente Itália. Economia da Alemanha desacelerando no curto prazo e afetando a zona do euro. Brexit problemático e primeira ministra do Reino Unido fragilizada e Donald Trump fazendo das suas; foram fatores considerados. Além disso, não podemos esquecer que os países desenvolvidos, puxados pelos EUA, se preparam para normalizar suas políticas monetárias, o que bate de frente com o fluxo canalizado para países emergentes.

Brasil, problemas com o câmbio

Só para lembrar citamos Argentina e Turquia que tiveram ataques especulativos contra suas moedas, e mais recentemente o Brasil (não chegou a ser um ataque), onde o Bacen e o Tesouro Nacional tiveram que interferir para tentar estabilizar câmbio e juros. É esse o momento que atravessamos, e a ele veio somar um processo político complicado, com um preso liderando as pesquisas de voto.

Fizemos essa ilustração para justificar o pessimismo que se incrustou nos agentes do mercado, amplificado por outras indefinições sobre tabela (ou não) de fretes mínimos, que o governo divulgou e bloqueou algumas vezes. Além de indefinições sobre sistemática de reajuste de combustíveis empurrada no colo da ANP que fará consulta pública. E deve levar até meados de agosto sem definição, afetando diretamente a percepção dos investidores sobre Petrobras.

Mercados no exterior com volatilidade

Pois bem, os mercados no exterior apresentam alguma volatilidade, mas nada comparável com a volatilidade interna da Bovespa, dólar e juros. Boas notícias vindas do exterior podem até ocorrer, mas andamos precisando mesmo é de boas notícias locais. E isso está complicado de obter.

No nosso entender somente este fato pode reduzir ou acabar com o pessimismo reinante. Definições sobre cessão onerosa entre Tesouro e Petrobras seria fator positivo para os dois lados. Candidatos despontando e comprometidos com programas de reformas e ajustes econômicos, vendas de distribuidoras de energia e capitalização/privatização da Eletrobrás; seriam fatores positivos para mostrar que o governo ainda trabalha e o congresso ainda vota matérias importantes. É claro que não existe ambiente e tempo para reforma da Previdência ou discussão de reforma política, mas só isso já bastaria para animar os investidores e reduzir o pessimismo.

Ou então, vamos nos arrastar por alguns meses que ainda restam antes da eleição majoritária, e mesmo ela não seria garantia de conseguir mudar o humor dos investidores e a percepção internacional sobre o país. Depende do novo governante eleito e seu comprometimento com reformas.

Nem a Copa do Mundo que está começando pode dar uma trégua.

Alvaro Bandeira
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