Passado o primeiro trimestre do segundo governo da presidente Dilma, sem que nada de muito ponderável tenha sido posto em prática, fica a dúvida se as ações brasileiras estariam caras ou baratas. Também pudera, não muitas as dúvidas que pairam sobre as cabeças de investidores e empresários e também sobre o cidadão comum.

Há uma crise de governabilidade no país, com a presidente Dilma “terceirizando” a gestão da economia ao quase primeiro-ministro Joaquim Levy e entregando ao PMDB, via seu vice-presidente Temer, a aglutinação da base política. Convém destacar que essa área ficou melhor equacionada, podendo viabilizar melhor governabilidade e a aprovação de medidas econômicas necessárias para colocar a economia de volta ao eixo.

Porém, as expectativas econômicas só fazem piorar, exatamente como estava previsto. A nova pesquisa semanal Focus do Bacen trouxe a inflação oficial novamente em alta para 8,23% em 2015 e nova queda da previsão de crescimento para PIB negativo em 1,03%. Claramente tudo isso afeta os resultados das empresas e seus preços relativos na Bovespa.

A isso ainda podemos juntar a desvalorização cambial que afeta as empresas endividadas em dólar (como Petrobras, por exemplo) e beneficia outras exportadoras, ainda que as commodities estejam em queda no mercado internacional.

Para dificultar tudo mais um pouco, ainda teríamos todos os ruídos produzidos pela operação Lava Jato e suas consequências sobre setores importantes da atividade industrial e serviços, as “pedaladas fiscais diagnosticadas pelo TCU”, os esqueletos produzidos nos bancos estatais e BNDES e o espectro de impeachment da presidente Dilma como responsável primeira pelas burlas produzidas na LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal).

Tudo isso, certamente, irá compor o quadro geral do mercado acionário e formatar o nível geral de preços. Há a percepção de que boa parte de tudo isso já estaria retratado nos preços, já que nos últimos tempos a Bovespa mostra um dos piores desempenhos quando comparada com outros mercados importantes do mundo.

Assim, uma coisa parece certa: com as quedas continuadas das ações e desvalorização cambial, nossas empresas ficaram mais atraentes, principalmente para os investidores estrangeiros. Não é por outra razão que em 2015 (até 16/04) ingressaram recursos desses investidores na Bovespa em montante de R$ 15,4 bilhões, fluxo excepcional se considerarmos todos os problemas por que estamos passando.

Atrativas sim, mas baratas não!

Baratas só estarão caso Levy consiga implantar (e sem grande demora) todas as mudanças necessárias à mudança de rumo da economia. Baratas somente quando tivermos a real dimensão dos desmandos na Petrobras cujo balanço atrasado e auditado está previsto para ser publicado em 22/04. Baratas se e quando forem reconhecidos os esqueletos formados ao longo do primeiro governo de Dilma. Baratas só quando a credibilidade e a governabilidade retornarem ao país, mesmo assim após inequívoca quarentena por parte dos investidores e empreendedores.

Como se pode constatar, o horizonte ainda é bastante turvo para investimentos de risco no país, mas isso agrega um viés positivo para aqueles que gostam de tomar riscos. É exatamente nesses momentos que surgem as maiores oportunidades de obtenção de ganhos extraordinários. Todavia, como a situação deve permanecer conturbada ainda por muitos meses, sugerimos certa prudência e a proteção em fundos de investimentos, onde os gestores têm obrigação de avaliar todos esses riscos.

Consulte o site da Órama e escolha as opções que melhor se adequam ao seu perfil de risco.

Nota: Esta coluna é mantida pela Órama, que contribui para que os leitores do Dinheirama tenham acesso a conteúdo gratuito de qualidade.

Foto: hand pulling financial business graph to high growth rate, Shutterstock.

Alvaro Bandeira
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