Cuidados que os investidores de países com inflação alta devem ter Estes dias, encontrei no site da The Economic Times, jornal de publicação diária na Índia, o segundo jornal de negócios em língua inglesa mais lido no mundo (o primeiro é o The Wall Street Journal), um post com “10 regras de ouro dos investimentos”, tema que, é claro, chamou minha atenção.

No fim, concluí que apesar de Brasil e Índia estarem em continentes distantes e terem culturas tão diferentes, os desafios que os investidores individuais enfrentam são muito parecidos, principalmente com relação à inflação, já que os problemas econômicos são semelhantes.

Tanto lá como aqui, grande parte dos investidores na hora elaborar seus planos financeiros e estratégias de investimentos desconsidera a inflação, se atendo apenas à rentabilidade nominal, ou seja, à variação ocorrida ou esperada para um determinado período.

O correto é utilizar a rentabilidade real, a qual desconta a taxa de inflação para o período e resulta no ganho de capital que de fato obterá com a aplicação.

Taxa Real = Taxa Nominal – Inflação

Taxa Nominal = Inflação + Taxa Real

Os valores de cada objetivo devem ser estimados levando em conta a inflação esperada para o período. Por exemplo, um carro que se você comprasse hoje pagaria R$ 30 mil, se for comprar daqui a dois anos, deve se preparar para pagar mais.

A inflação é um fator relevante no planejamento financeiro, principalmente quando é alta como no Brasil e na Índia, pois corrói o poder de compra da moeda corrente. Desta maneira, quanto mais longo o horizonte de tempo de aplicação, maior é a diferença entre ganhos nominais e reais.

Assim, por exemplo, uma inflação de 5% ao ano pode gerar uma diferença em torno de 20% entre a rentabilidade real e nominal em um prazo de cinco anos. Em 25 anos, a diferença será de mais de 70%.

Deste modo, se você está pensando em acumular um milhão de reais para se aposentar daqui 25 anos, estimando uma taxa de rentabilidade nominal de 10% ao ano, lembre-se que se a inflação esperada para este período for de 5% ao ano, o que você compra hoje com um milhão, não comprará em 2038. É melhor aumentar este valor.

Contudo, pode não ser fácil dimensionar a alta de preços no futuro, apesar de o governo divulgar a inflação oficial e as suas projeções. O investidor deve ter em mente que o IPCA (índice oficial de inflação no Brasil) é apenas índice genérico e que, na prática, a inflação varia de acordo com o padrão de consumo de cada família.

Cada cesta de consumo é afetada de forma diferente, de acordo com sua composição – se tem maior peso no setor de serviços, insumos básicos, bens importados ou outros. Assim, a sua inflação pode ser diferente do IPCA – em geral, sua inflação é maior.

Atualmente, a inflação da classe média está em torno de 8%, uma vez que ela é a grande consumidora de serviços e a inflação deste setor está bem elevada.

Outro cuidado que o investidor deve ter ao estimar sua inflação é que as cestas de consumo sofrem mudanças ao longo do tempo. Com o passar dos anos, o padrão de consumo das famílias também muda – aos 20 anos consumimos produtos diferentes daqueles aos 40 anos, por exemplo.

À primeira vista, muitos investimentos parecem entregar boas rentabilidades, mas quando se desconta a inflação (não esqueça também do Imposto de Renda, se incidir) percebe-se que boa parte deles entrega retornos reais negativos, ou seja, há perda do poder de compra ao longo do tempo, como tem acontecido ultimamente com a Caderneta de Poupança.

Para que o investidor atinja ganhos reais, recomendo que componha sua carteira com, pelo menos, 10% a 20% de ativos capazes de superar a inflação no longo prazo, podendo ser fundos de ações ou de inflação. Só assim o investidor estará projetando corretamente os ganhos futuros de suas aplicações.

As projeções acerca de inflação futura e ganhos reais podem assustar alguns investidores, mas esta é maneira correta de se planejar, não se esqueça disso. Você leva a inflação em consideração no seu planejamento financeiro? Se tiver alguma dúvida, entre em contato comigo através do canal “Fale com a Sandra” no site www.orama.com.br.

Foto “Inflation”, Shutterstock.

Avatar
Aviso: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.

Comentários