Home Economia e Política O que muda com a Taxa Selic a 12,75%?

O que muda com a Taxa Selic a 12,75%?

A Taxa Selic é a taxa básica de juros da economia. Quer saber como ela afeta seus investimentos e suas finanças? Acesse agora e confira tudo!

por Redação Dinheirama
0 comentário

A Taxa Selic aparece em todos os lugares. Ela está no noticiário, na conta de rentabilidade de investimentos, no financiamento de imóveis, enfim, em tudo. Com a definição do Copom em aumentar os juros para 12,75% ao ano, o que acontece com investimentos e financiamentos?

Diante disso, entender o que é essa taxa e como ela impacta a sua vida é muito importante. Assim, você consegue ter uma noção melhor sobre suas finanças.

Como resultado, acompanhar o movimento da Selic vai te ajudar a tomar melhores decisões sobre seus investimentos e comprar.

Mas calma, não precisa se preocupar se você ainda se sente perdido em relação a esse tema. Neste texto, vamos te explicar o que é, como funciona e, principalmente, quais são os impactos da Taxa Selic na sua vida.

O que é Taxa Selic e como funciona?

Em resumo, a Selic é a taxa básica de juros do governo brasileiro. Por isso, quando falamos em Selic, estamos falando sobre juros, a relação entre o dinheiro e o tempo.

Os juros estão em todos os lugares: nos financiamentos, nos empréstimos e, por sorte, também nos investimentos.

A Taxa Selic é usada como base para os cálculos de juros, mas não só ela. Existem também outros índices que podem variar de caso para caso.

A saber, o valor da taxa pode ter alteração a cada 45 dias nas reuniões do Copom, o Comitê de Política Monetária. 

Para que aconteçam essas alterações, os participantes do Copom levam em consideração o planejamento econômico vigente e a inflação.

Para que serve?

A Selic serve, principalmente, para padronizar os juros cobrados por bancos e instituições financeiras. Já que ela determina qual é o valor do tempo em cima do dinheiro emprestado.

Vale lembrar, no entanto, que geralmente os bancos utilizam o CDI, Certificado de Depósito Interbancário como taxa de juros. Entretanto, o CDI acompanha a Selic, ficando em geral cerca de 0,10 pontos abaixo dela.

Dessa forma, a Taxa Selic também cumpre o seu segundo papel mais importante: controlar a inflação.

Como a Selic controla a inflação?

A Taxa Selic influencia diretamente no poder de compra do brasileiro. E a inflação é o aumento contínuo e exacerbado dos preços de itens de consumo.

Os preços são determinados, na maioria das vezes, pela equação oferta e demanda. Isto é: se há muita oferta de um produto e pouca demanda de consumidores para ele, o preço cai.

Já o contrário, quando há muita demanda por um produto e pouca oferta dele, o preço sobe. E se isso se repete constantemente, chamamos de inflação.

Assim, o papel da Taxa Selic é tentar chegar a um meio termo. O poder de compra do brasileiro precisa ser equivalente à oferta de produtos.

Na prática, quando a inflação está alta, o Banco Central sobe a Selic. Como resultado, a tendência é de controle – e até redução – da inflação.

Como afeta a economia?

A Selic é uma boa base para saber como está a economia do país. Conforme dissemos, quando ela está alta, o poder de compra do brasileiro é menor.

Por outro lado, quando a Selic está baixa, fica mais acessível comprar bens mais caros, como carros e apartamentos. 

Além disso, a Selic baixa favorece as empresas. Nesse sentido, elas podem pegar dinheiro emprestado para investir em seus negócios a um juros menor.

Em outras palavras, quando temos uma Taxa Selic mais baixa, a economia gira mais livremente. O comércio é potencializado, os produtos se tornam mais “baratos”.

Agora, com o poder de compra do brasileiro alto, a inflação pode ser uma consequência negativa. Dessa forma, subir a Taxa Selic serve para diminuir a inflação.

Ou seja, a Selic é uma ferramenta que serve para equilibrar a economia do país. O Banco Central está sempre buscando um meio tempo para conseguir uma boa abertura para a economia sem ter como consequência a inflação.

Qual é a taxa Selic hoje?

A Taxa Selic hoje está em 12,75% ao ano, o que é considerada uma taxa alta. É a maior taxa desde 2017. O Copom decidiu elevar a taxa – pela décima vez seguida – em sua última reunião, no dia 4 de maio de 2022. Desse modo, ela passou de 11,75% para 12,75% ao ano.

A decisão do Copom de subida já era esperada por analistas do mercado financeiro. Principalmente por conta do cenário de inflação que estamos vivendo. De acordo com o Comitê, os juros básicos devem continuar a subir até que a inflação esteja controlada no médio prazo.

Em agosto de 2020, a Taxa Selic chegou à sua mínima histórica: 2% ao ano. Naquele momento, vimos um boom no mercado imobiliário, por exemplo, em decorrência do financiamento mais barato.

Já em 2021, a taxa começou a subir constantemente, até chegar no patamar em que estamos hoje. Antes, em 2019, ela marcava em média 5% ao ano.

Qual a taxa Selic 2021

O ano de 2021 começou com a Taxa Selic em 2% ao ano e terminou com os juros em 9,25% ao ano. Confira abaixo os aumentos ao longo do período:

  • 20 de janeiro: 2%;
  • 17 de março: 2,75%;
  • 5 de maio: 3,5%;
  • 16 de junho: 4,25%;
  • 4 de agosto: 5,25%;
  • 22 de setembro: 6,25%;
  • 27 de outubro: 7,75%;
  • 8 de dezembro: 9,25%.

De acordo com o Boletim Focus, o mercado financeiros espera que em 2022, a taxa básica de juros chegue a 13,25%. No entanto, para os anos seguintes, a expectativa é de que a Selic fique em 9,25% (2023), 7,50% (2024) e 7% (2025).

Taxa Selic mensal

A Taxa Selic é uma taxa anual, ou seja um percentual ao ano. Dessa forma, você pode calcular a Selic mensal dividindo a anual por 12, caso esteja em busca de juros simples.

Para calcular a taxa mensal em juros compostos, precisa usar a fórmula (1 + taxa) elevado a 1/12 menos 1, e depois multiplicar por 100.

Essa conta se torna um pouco mais complicada quando temos variações da Selic ao longo do ano. Por isso, a maneira mais fácil de calculá-la é utilizando a Calculadora do Cidadão do Banco Central. 

Basta entrar no site do BC, preencher as datas inicial e final, além do valor a ser corrigido. O resultado é calculado imediatamente.

Em 2021, tivemos as seguintes taxas mensais até então:

  • Janeiro: 0,15%;
  • Fevereiro: 0,13%;
  • Março: 0,20%;
  • Abril: 0,21%;
  • Maio: 0,27%;
  • Junho: 0,31%;
  • Julho: 0,36%;
  • Agosto: 0,43%;
  • Setembro: 0,44%;
  • Outubro: 0,49%;
  • Novembro: 0,59%

Taxa Selic histórico

Para acessar o histórico da Taxa Selic no ano e também nos anos anteriores, basta acessar o site do Banco Central.

Selic: como investir?

Como a Taxa Selic é uma referência, uma meta, ninguém consegue investir diretamente nela. Porém, é possível investir em aplicações de renda fixa cuja rentabilidade depende dela.

Confira alguns exemplos de investimentos que são baseados na Selic:

  • Tesouro Direto, em especial o Selic;
  • Caderneta de poupança;
  • Aplicações de Renda Fixa;
  • Fundos de investimento que aplicam em Renda Fixa.

Tesouro Direto

O Tesouro Direto é a ferramenta do governo para vender títulos de dívida a cidadãos. Ou seja, quando você compra um título do TD, está emprestando dinheiro ao governo.

Como sabemos, a Selic é a taxa de juros, portanto, ao emprestar o dinheiro para o governo, ele lhe pagará juros com base nessa taxa.

Existem diversos títulos do Tesouro Direto, alguns, inclusive, atrelados ao IPCA, a inflação oficial do país. 

Por isso, se você investir em um Tesouro IPCA em um cenário de Selic e inflação altas, pode se dar bem.

Tesouro Selic

Os títulos Tesouro Selic são títulos pós-fixados que possuem rentabilidade atrelada diretamente à Taxa Selic.

É o investimento ideal para quem quer começar a investir no Tesouro Direto. Principalmente para reserva de emergência e objetivos de curto prazo.

Poupança

A rentabilidade da poupança tem relação direta com a Selic desde 2012:

  • Quando a Taxa Selic estiver acima de 8,5% ao ano, a rentabilidade mensal da poupança será de 0,5% + Taxa Referencial;
  • Quando a Taxa Selic estiver igual ou abaixo de 8,5% ao ano, a rentabilidade mensal da poupança será de 70% da Selic + Taxa Referencial.

Selic e CDI

Além da Taxa Selic, outra taxa de juros importante é o CDI, Certificado de Depósito Interbancário. 

Em resumo, o CDI é a taxa de juros dos bancos, medida a partir dos empréstimos que eles fazem entre eles. Funciona assim:

Os bancos fazem empréstimos diários para cumprirem com as regras exigidas pelo Banco Central. Por exemplo, eles precisam manter as contas com saldo positivo todos os dias.

Então, quando um banco empresta mais dinheiro do que recebe em um dia, ele faz um empréstimo com outro banco. Assim, consegue manter sempre o saldo positivo.

O empréstimo feito de um banco para o outro com essa finalidade chama-se CDI. E como todo empréstimo tem um custo (juros), neste caso a taxa paga ficou conhecida como CDI.

De qualquer forma, o CDI tem como referência a Taxa Selic. Como eu mencionei algumas linhas acima, ele costuma ficar cerca de 0,10 pontos abaixo da Selic.

Mas por que é importante eu conhecer o CDI também? Bom, o CDI regula alguns investimentos importantes da renda fixa:

Taxa Selic alta é bom ou ruim?

Essa é uma pergunta bastante subjetiva. Agora que você entendeu como a Taxa Selic funciona, já sabe que uma Selic alta tem uma função: regular a inflação.

Porém, com a taxa nas alturas, fica difícil comprar a prazo. Sem contar que, se ela faz parte de um cenário de inflação, faz parte de um cenário negativo.

Em resumo, podemos dizer que quando a Taxa Selic está alta, é sinal de que a economia do país não vai tão bem assim.

Agora, como tudo tem dois lados, você pode aproveitar a Selic alta para investir no Tesouro Direto e se beneficiar disso. 

Como o Tesouro Direto leva em consideração essa taxa para remunerar os investidores, você vai ganhar mais com um título desse no cenário de Selic alta.

Selic e o financiamento

A taxa básica de juros serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Dessa forma, ao subir a Selic, o Banco Central deixa o crédito (empréstimos e financiamentos) mais caro.

Segundo a Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), o consumidor começa a sentir o aumento da Selic.

No financiamento de um automóvel de R$ 40 mil por 60 meses, por exemplo, o comprador pagará R$ 33,11 a mais por parcela e R$ 1.986,41 a mais no final.

Enquanto a Selic alta estimula os investimentos financeiros, desestimula o consumo. Por isso, o setor produtivo criticou o aumento da taxa.

Em nota, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) afirmou que a alta foi “excessiva e equivocada”. Além disso, a confederação alertou que o aperto monetário pode gerar recessão em 2022.

Para a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), a Selic não é a melhor forma de controlar a inflação atualmente. Isso porque, segundo a federação, a inflação está no custo (energia e gasolina, por exemplo) e não no consumo.

Conclusão

A Taxa Selic é ao mesmo tempo um conceito e um elemento essencial na vida (e nos investimentos) de todos os brasileiros.

Compreender como a Selic influencia o dia a dia da economia é importante para a nossa tomada de decisões. Por isso, é fundamental para o planejamento financeiro.

O Brasil é um país em que inflação, risco e retorno são sempre aspectos peculiares e desafiadores.

Por isso, aprender sempre mais sobre economia e finanças faz muita diferença. Não basta confiar seus investimentos a algum especialista. 

Sobre Nós

O Dinheirama é o melhor portal de conteúdo para você que precisa aprender finanças, mas nunca teve facilidade com os números.  Saiba Mais

Assine a newsletter “O Melhor do Dinheirama”

Redes Sociais

© 2024 Dinheirama. Todos os direitos reservados.

O Dinheirama preza a qualidade da informação e atesta a apuração de todo o conteúdo produzido por sua equipe, ressaltando, no entanto, que não faz qualquer tipo de recomendação de investimento, não se responsabilizando por perdas, danos (diretos, indiretos e incidentais), custos e lucros cessantes.

O portal www.dinheirama.com é de propriedade do Grupo Primo.