Tenho tido contato com livros, artigos, reportagens e materiais diversos envolvendo a área de empreendedorismo e estou chegando à tese de que empreender é, entre outras coisas, exercer o poder de pensar.

Parece óbvio, mas quero apresentar um conceito de “pensar” um pouco diferente daquele que a maioria das pessoas interessadas em finanças conhece. A ideia é fazer você refletir sobre como uma mudança de postura pode contribuir na prosperidade do seu negócio.

Há quase dez anos venho pesquisando e escrevendo sobre a relação entre comunicação e tecnologias. Nesse período, fui apresentado à Nova Psicanálise, a qual foi fundada na década de 1980 e vem sendo praticada ininterruptamente pelo Prof. Dr. Magno Machado Dias (MD Magno).

Também chamado “Novamente”, o projeto envolve um grupo de professores e pesquisadores que procura trazer um entendimento dos acontecimentos contemporâneos, bem como refletir sobre as possibilidades de intervenção, a fim de lidar com problemas cotidianos.

Embora um pequeno texto como este não seja capaz de explicar com precisão todo o escopo teórico que dá base ao conceito de “pensar” desenvolvido pelo autor, vou ilustrar algumas situações para esclarecer o que pretendo demonstrar.

No cenário atual, existem programas de computador e robôs, com inteligência artificial, capazes de vencer humanos em jogos complexos (como xadrez) e de realizar atividades físicas que exigem, por exemplo, equilíbrio, nivelamento de forças para carregar objetos e deslocamento com precisão. Isso é um problema sério, uma vez que as empresas tendem a investir cada vez mais em tecnologia e muitos funcionários podem perder o emprego para máquinas.

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Porém, nesses casos, as ações desses softwares e máquinas não dizem respeito a “pensar”, trata-se de seguir ordens já estabelecidas na plataforma de base – a qual foi construída por pessoas.

Há quem diga que vai chegar um momento em que as máquinas estarão tão desenvolvidas que será difícil diferenciar uma pessoa de um robô. Enquanto isso não acontece, vamos analisar o que parece ser um autêntico movimento a favor de “pensar”.

Circula pela Internet uma fala de Steve Jobs, o fundador da Apple (uma das empresas com maior valor de mercado da atualidade), proferida cerca de seis anos antes de sua morte prematura, em que ele diz o seguinte:

“Quando ouvi este conselho pela primeira vez aos 17 anos, causou-me forte impressão, e desde então, nos últimos 33 anos, tenho olhado no espelho toda manhã e perguntado a mim mesmo: ‘Se hoje fosse o último dia da minha vida, eu desejaria fazer o que estou para fazer hoje?’. E toda vez que a resposta é ‘não’ durante muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa.

Lembrar que logo estarei morto é a coisa mais importante que encontrei para ajudar-me a fazer as grandes escolhas na vida, porque quase tudo – todas as expectativas externas, todo o orgulho, todo o medo de constrangimento ou fracasso –, essas coisas simplesmente desaparecem em face da morte, deixando apenas aquilo que é realmente importante”.

Perceba que diante de uma ideia de morte, a tentativa de “fazer diferente” já estava, de alguma forma, na postura de Jobs. Esse tipo de comportamento parece ainda não estar disponível nas máquinas, nem em outras espécies de animais.

Esse “fazer diferente”, esta insatisfação com o que está dado, essa capacidade de dizer “não” às limitações presentes no dia a dia, é a base da ideia de “pensar” e pode ser notada em vários momentos da história da humanidade, como, por exemplo, na criação do fogo, da luz elétrica, do automóvel, do avião, da internet, entre outras invenções.

Contudo, não é só em coisas consideradas grandiosas que esse movimento está disponível. Em pequenos hábitos diários, em nossa vida pessoal ou profissional, é possível desenvolver uma postura ativa que favoreça a capacidade de pensar.

Como isso se aplica à realidade da minha empresa?

É simples. Há vários casos que podem ser analisados, e vamos citar três situações diferentes:

A) Trabalhar com a produção de vídeos para o YouTube, investir a mesma quantia em publicidade online, todo mês, mas não obter o número suficiente de curtidas, nem de inscritos no canal;

B) Administrar uma empresa em que o grau de rotatividade dos funcionários (turnover) é muito grande;

C) Fazer um ótimo produto, muito útil, com excelente preço e retorno em qualidade de vida, mas não conseguir clientes.

Em A, temos o caso de uma empresa que pretende crescer, possui recursos, parece entender a importância do investimento em publicidade online (no YouTube, no caso), mas não é capaz de perceber, por exemplo, que a produção de vídeos deve considerar aspectos como:

  • Atratividade do vídeo (combinação de elementos como design, edição, efeitos etc.);
  • Capacidade de chegar a um público específico;
  • Frequência e horário de postagem;
  • Relacionamento com YouTubers famosos e qualidade das parcerias com o canal;
  • Uso adequado de títulos, palavras-chave e descrição do vídeo, entre outros.

Ao desconsiderar aspectos como estes e fixar o pensamento num padrão que prioriza apenas a questão “quantidade de investimento financeiro mensal”, perde-se a oportunidade de fazer o negócio crescer.

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Já em B, trata-se de uma organização em que o percentual de turnover é elevado, com frequentes admissões e demissões. Nesse caso, de repente a gerência até perceba essa movimentação, mas é incapaz, por exemplo, de modificar sua lógica de trabalho ou de fazer alterações como:

  • Melhorias no ambiente de trabalho;
  • Capacitação de pessoal;
  • Maior reconhecimento e premiação para funcionários eficientes;
  • Aumento salarial;
  • Valorização da autonomia do funcionário etc.

Dessa forma, os funcionários insatisfeitos tendem a desistir da “causa” da empresa e preferem fazer com que seu tempo seja valorizado em outro lugar – o que pode fazer, inclusive, com que a empresa saia do mercado.

Com relação ao exemplo C, isso ocorre porque, por melhor que seja o produto, saber vendê-lo é essencial. É preciso, nesse caso, considerar diversos fatores, como:

  • As maneiras utilizadas para a divulgação do produto;
  • O tipo de feedback que os clientes estão oferecendo;
  • Seu posicionamento no mercado;
  • A imagem do produto;
  • Seu conceito;
  • A facilidade de acesso, entre outras estratégias para alavancar as vendas.

Há casos em que talvez o produto pareça não estar adequado ao mercado e seja difícil implementá-lo conforme a expectativa dos donos do negócio. Tudo isso deve ser levado em conta, uma vez que esse produto pode ser “ótimo, útil, barato e proporcionar qualidade de vida” apenas na concepção dos donos da empresa.

Esses exemplos, comuns no cotidiano de milhares de empresas pelo mundo, mostram uma espécie de padrão, o qual é responsável pela falência de muitos negócios.

Uma empresa pode conseguir um posicionamento no mercado, então começa a ganhar uma quantidade de dinheiro, mas não sabe como crescer e fica repetindo as lógicas que a levaram até ali.

Esse movimento repetitivo é um claro exemplo de que as pessoas (físicas e jurídicas) não estão pensando o tempo todo e, além disso, deixam de lado, muitas vezes, o fato de que sua empresa pode falir se permanecer fazendo as mesmas coisas que sempre fez.

Em linhas gerais, podemos dizer que, nesses casos, o exercício de pensar não está sendo praticado. Se está ocorrendo, não acontece de forma poderosa o suficiente para promover um movimento de criação e de mudança de postura favorável à prosperidade.

Nos três casos, vimos que falta ampliar a visão do negócio, considerar o maior número possível de variáveis e fazer o esforço de implementar novas lógicas e padrões, assumindo riscos que promovam mudanças favoráveis efetivas.

Por isso, é preciso criar hábitos que facilitem o movimento de pensar, para superar as dificuldades e tentar conseguir o almejado sucesso. Afinal, empreender parece ser isso: exercer o poder de pensar, fazendo o negócio crescer.

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Aproveito para deixar mais uma imagem do meu projeto (@reenquadro), o qual desenvolvi com a ideia de melhorar minha caligrafia, mas que tem me proporcionado muitas conquistas para além, somente, de uma escrita mais bonita – como, por exemplo, estar visível para você, aqui e agora.

Empreender é também exercer o poder de pensar

Obrigado e até a próxima.

Renato Bressan
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