Coração forte, nervos de aço e CAPACITAÇÃO!
Publicado por Conrado Navarro em 20.6.2007 na seção Finanças Pessoais, Internet
Artigo escrito por Wagner Fontoura* do Boombust.
Investir requer capacitação, conhecimento. Exercer qualquer atividade profissional idem. Se você se mete a fazer coisas que não domina, certamente estará fadado ao insucesso. Por que seria, então, diferente, o cenário pra quem decide empreender? Não é. Empreender não é para quem quer, nem para quem precisa – é para quem pode, pra quem se faz capaz. Capacitação é a palavra de ordem. Mas nem sempre (aliás, quase nunca) é assim que a coisa se dá... o que vemos é o famoso "vôo do besouro". Veja se não:
Atualmente, seja em países desenvolvidos ou em desenvolvimento, as micro e pequenas empresas constituem-se na maioria dos agentes econômicos, sendo elas geradoras da maior parte dos postos de trabalho e renda.
"No Brasil, as empresas de pequeno porte constituem-se na maioria produtiva, sobretudo nos municípios de porte igualmente pequeno, gerando oportunidades de trabalho e renda, fundamentais para a retenção do fluxo migratório. Esses municípios, onde os pequenos empreendimentos são, não raro, os únicos agentes econômicos, constituem 80% do total do 5.570 municípios brasileiros, 90% do território nacional e 30% da população", segundo fontes do IBGE. Nas grandes cidades e zonas metropolitanas, esses pequenos empreendimentos têm representatividade ainda maior: são cerca de 98% do total dos negócios ali existentes.
Não obstante, empreender no Brasil ainda é um ato heróico, e grande (enorme) parte dos empreendimentos de pequeno e médio portes ainda se dão motivados pela total falta de alternativas dos seus implementadores, que, sem oportunidades de emprego, com baixa escolaridade e / ou baixíssimo nível de conhecimento (inclusive a respeito de fundamentos básicos econômicos, operacionais e administrativos), se lançam na tentativa muitas e muitas vezes inglória de "fazer sua própria sorte", montando seu próprio negócio – seja ele na formalidade ou não..
Na década de 80, o Brasil foi capaz de crescer a taxas elevadas, não obstante os baixos índices de desenvolvimento humano. Neste século, no entanto, paradoxalmente, numa economia baseada no conhecimento e com alto conteúdo tecnológico, design, produtos conceituais, etc., ainda não fomos (e se muito não for feito, não seremos tão cedo) capazes de repetir essa trajetória.
Empreender pressupõe a capacidade de saber interpretar centenas de leis municipais, estaduais e federais e os seus desdobramentos burocráticos e financeiros que dificultam o cumprimento da complexa legislação tributária, previdenciária e trabalhista, que entravam e encarecem a formalização e a prosperidade dos empreendimentos. E ainda há que se cumprir as exigências das entidades que controlam os processos produtivos. Isso só pra entrar na brincadeira! Depois vem a infindável tarefa de matar um leão por dia, vencendo a quase onipresente escassez de recursos financeiros, a concorrência com gente muito melhor do que o incauto que se vê lançado pela sorte (ou falta dela) direto à jaula dos leões e, ao mesmo tempo, concorrer também com camicazes muito loucos, porque igualmente despreparados . Ufa! Como é difícil "enricar" – já dizia meu velho pai!
Muitas vezes os empreendedores até têm esses conhecimentos, mas não possuem uma forte cultura empreendedora. Não são formados, nem no seio da família, nem na escola tradicional, para empreender – mas para buscarem sempre bons empregos e estabilidade, como se ninguém precisasse criar esses empregos. Como se empregos dessem em árvores! E você acha que isso está mudando? Então me responda: você que tem filhos pequenos, que tipo de educação eles têm recebido na escola? E em casa? Suas respostas lhe darão pistas importantes para responder à minha pergunta: Será que temos contribuído efetivamente para que as coisas mudem? Estou certo que em alguns casos sim. Mas em que proporção?
Só recentemente começamos a talhar nosso cenário para a capacitação para o empreendedorismo.
As escolas ainda caminham a passos de tartaruga, infelizmente, mas uma das ações que tendem a reverter esse cenário foi a recente criação pelo governo da Lei Complementar nº 123, de 2004, a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, que, segundo a expectativa do próprio governo, pretende permitir a formalização de mais de um milhão de novas empresas, a expansão da taxa de sobrevivência para cinco milhões de micro e pequenas empresas formais existentes e gerar esperança para os dez milhões que se encontram na informalidade. Mas uma coisa precisa ser atrelada à outra.
É preciso apostar na educação empreendedora. É preciso que façamos a nossa parte. Senão teremos cada vez menos empresas nas quais investir. Senão teremos cada vez mais desemprego. Senão estaremos cada vez mais deixados à nossa própria sorte. Por nós, pelos nossos filhos, pelos nossos netos... isso é muito sério.
Agradecimentos
Conrado, obrigado por abrir as portas do Dinheirama – cujo público, na sua enorme maioria, é bastante instruído e formador de opinião - para que tratemos desse tema (empreendedorismo), que tem tanto a ver – direta e indiretamente – com tudo o que é rotineiramente tratado aqui. Foi um prazer, uma honra e, antes de tudo, uma grande responsabilidade fazê-lo. Obrigado e um grande abraço! O BOOMBUST estará sempre de portas abertas para você e para os seus.
* Wagner Fontoura é especialista em logística pela UFMG e empreendedor serial. Possui experiência em elaboração e implementação de planos de negócio, planejamento estratégico, planejamento financeiro, fomento de capitais, consultoria executiva de alta gestão, controladoria e logística. Atualmente é fundador e CNO do Boombust, um projeto interessantíssimo de problogging e networking através de blogs.
Conrado Navarro
Educador financeiro, tem MBA em Finanças e é mestrando em Produção (Economia e Finanças) pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks), Navarro atingiu sua independência financeira antes dos 30 anos e adora motivar seus amigos e leitores a encarar o mesmo desafio. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: twitter.com/Navarro
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Adorei o texto, Wagner. Por coincidência sou ex-aluno da UFMG e fiz matérias sobre exatamente esse assunto durante minha formação complementar em Administração.
Não tenho como discordar de nada aqui, aliás, estou mesmo é no aguardo no Boombust. Haja antecipação! ;D
Abraço,
Guilherme
http://www.papodehomem.com.br
Também gostei bastante do artigo. Parabéns. O Conrado já falou que deveríamos ter aulas de educação financeira no colégio. Aulas de empreendedorismo também não seriam nada mau para um país carente de empregos.
Otimo post, Wagner!
Os Blogs estao se tornando cada vez mais uma midia alternativa DE QUALIDADE...
Vivi tudo isso que voce escreveu, na pratica. Por isso, assino embaixo de tudo!
Aliás, nas faculdades, deviam ensinar "O mundo real" por traz dos sonhos que ali surgem...
Caixa2, Leoes, Zebras, Bixos de Sete Cabaças, deviam fazer parte da extensa fauna do empreendedor aprendiz....
Abraços!
Leitão
Leitão, obrigado por deixar aqui seu testemunho vivido. Não foi diferente comigo. Por melhor que fosse minha formação e minha experiência profissional, adquiridas depois de anos gerenciando e dirigindo empresas dos mais diversos portes, em todos os negócios que empreendi sofri, cheguei a esgotar minhas reservas, perder meu crédito pessoal na praça (dentre outras grandes perdas) e só depois de muito quebrar a cabeça (e a conta bancária) foi que comecei de fato a me sentir conhecedor do caminho das pedras. Teria sido bem mais simples se na escola e, antes, no seio da família, tivesse encontrado pistas a respeito da vida real.
Walmar, concordo com seu comentário. Hoje até que algumas poucas e seletas escolas começam a preparar seus alunos para o novo cenário econômico que vivemos. Mas raríssimas são as públicas, ou seja, de novo, quem não pode pagar fica de fora. Mas prometo não fica só resmungando não - rs. Estou me mexendo. Por menos que seja, me sinto responsável como educador, como pai, como formador de opinião... todos somos.
Guilherme, o Boombust está com o circo na rua - a cada dia uma nova atração - rs.
Gostaria de contar com os três no grupo de beta-testers que estou formando para desenvolver algumas novas funcionalidades do Boombust. Assim estarei bem acompanhado nessa missão quase quixotesca de contribuir com a propagação de uma cultura mais voltada para o empreendedorismo. Topam? Se toparem, é só me avisar que eu vou mandar o sêlo para que já no início do próximo mês estejam cadastrados na equipe - que no início será formada por um pequeno grupo fechado selecionado.
Obrigado, de novo. Um grande abraço!
Maravilhoso texto Wagner. Concordo contigo por prática. Realmente abrir um negócio é dificílimo, e mantê-lo... vixi! Com certeza se na escola eu tivesse aprendido, um pouco que fosse, sobre empreendedorismo as 3 tentativas que já fiz de negócios poderiam estar no mercado ainda hoje. Isso precisa mudar. Adoro ler seus textos, assim como meu pai, vc escreve super bem. Suas mensagens são inteligentes e muito bem formuladas. Será que é de família? Espero que sim.
[...] realmente realizar este sonho, tomar iniciativas, criar oportunidades assumir riscos (isso mesmo, e não são poucos não!) e principalmente inovar, inovar sempre! E precisa, preferencialmente, ter nascido com aquele [...]
[...] animador. Devemos lembrar que o emprego acabou e nós não fomos educados para empreender. Todo nosso histórico escolar é voltado para o emprego bom e estável, a carreira numa grande empresa ou o emprego público. Hoje vejo as escolas [...]
[...] Coração forte, nervos de aço e capacitação - Dinheirama [...]
Ótimo artigo, Wagner, objetivo e completo.
Obrigado, Anuar.
Achei que seria mesmo interessante estabelecer um "diálogo" entre ele e o seu artigo selecionado para publicação na Nossa Via, uma vez que se complementam.
Grande abraço!