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Finanças para casais – O começo

21comentários

Casamento e Dinheiro! Casais e suas Finanças!Marcos escreveu: “Olá, Navarro!Descobri seu blog numa das ‘surfadas’ pela net há aproximadamente 2 meses. Resultado: não consigo mais começar o dia sem ler seus posts! Seus artigos têm sido muito úteis para mim. Gostaria de saber se tem alguma sugestão para um casal que está iniciando uma vida a dois (recém-casados) e têm muita vontade de crescer e alcançar a independência financeira, mas ainda possui alguns compromissos para o próximo ano e está planejando ter um filho em uns 3 anos. Muito obrigado pelas dicas importantíssimas que disponibiliza a todos nós de maneira gratuita e altruísta! $uce$$o”!

Oi Marcos, obrigado pela visita. Quero deixar meus sinceros agradecimentos pelas palavras de apoio e reconhecimento. Fico muito contente ao saber que meus artigos são úteis para o seu dia-a-dia. A primeira sugestão que me vem à cabeça é bastante direta: continue com a enorme vontade de aprender cada vez mais sobre seu dinheiro e as possibilidades de multiplicá-lo. Querer é o primeiro (e mais importante) passo. A partir de agora, preocupe-se também com o dinheiro dela.

Os conflitos
Ninguém está livre dos conflitos (duh!). Frase óbvia, talvez até desnecessária, é verdade. Tudo é sempre lindo, gostoso e cheiroso quando as coisas funcionam, o relacionamento está em alta e o dinheiro sobrando. Basta uma briga e a culpa é inteiramente jogada de um lado para o outro. A coisa desanda e em muitos casais o final recai sobre o dinheiro (ou a falta dele). É assim, não adianta. Para os conflitos existe o diálogo, para a falta de dinheiro existe o planejamento. Não se vive um amor sem diálogo. Então como é possível conquistar a independência financeira sem planejamento? Não, não é possível.

Problema 1: casais falam pouco sobre dinheiro
Quantas vezes você e sua esposa decidiram sentar juntos à mesa para discutir o planejamento financeiro da família, o plano de pagamento das contas e o orçamento doméstico? Provavelmente vocês concordaram inúmeras vezes sobre essa necessidade, mas não se mexeram para efetivamente atacá-la. Pare, discuta as finanças com seu par e defina alguns objetivos e metas para a família como um todo. Transforme o dinheiro em pauta e queira discuti-lo ao menos uma vez por mês.

Problema 2: Minha conta, minha conta. Sua conta, sua conta.
Casou? Então entre no espírito do casamento e participe da construção de uma relação duradoura e inteligente. Não adianta desfilar a aliança por ai se a cabeça continua focada na boemia e nos eternos gastos com carros e jogatina (isso serve pra mim, confesso). Casar é mais que simplesmente dividir a cama e o microondas. Onde fica a verdadeira sintonia? Definam uma quota mensal para os gastos individuais, para o estilo de vida de cada um (sim, você merece seu espaço), mas trabalhem as despesas da casa, a construção do patrimônio e as tarefas conjuntas movimentando uma conta conjunta (até porque com uma conta pagam menos tarifas).

Problema 3: existem muitos planos e pouco compromisso
Sem criar compromisso não se cria patrimônio. Nem amor duradouro (baixou o guru aqui). Não adianta ser o cara mais romântico do mundo se você só pensa em você, em gastar o seu dinheiro com você e dispensa observações sobre o modo como cuida de seu dinheiro. É bonito falar que vão comprar uma casa ou ter um filho (aliás, parabéns!), mas quem paga a conta? Como? Quando? O problema 3 existe quando os problemas 1 e 2 ocorrem com muita frequência. Lembre-se de que o casamento foi idealizado e concretizado pelos dois. As responsabilidades dele advindas merecem, obrigatoriamente, o mesmo tratamento.

O filho vai crescer, vai estudar, vai se transformar em um cidadão. Você precisa estar pronto para oferecer apoio a cada uma dessas fases e isso se faz com trabalho e planejamento. Por que não abrir uma “poupança” para ser usada quando ele passar na faculdade? Por que não se preparar para presentear-lhe com um carro assim que ele completar 18 anos? São sonhos que todos os pais têm. Sonhos possíveis, que podem ser concretizados com disciplina, conhecimento e atitude.

Problema 4: juram amor eterno, mas não pensam na velhice
Pois é, eu também vou ficar velho. Você que está casado quer envelhecer ao lado de seu parceiro ou parceira, certo? Que tal pensar na aposentadoria desde o começo da união? Não precisa ser um expert em investimentos, basta que procure se informar sobre os planos disponíveis e que isso passe a ser uma preocupação constante no seu dia-a-dia. A aposentadoria merece ser um momento de descanso, paz e muita alegria e isso só depende de você e de sua atitude. Hoje.

Problema 5: gastam mais do que ganham
Isso acontece com muita gente e acontece com muitos casais. Aliás, é o que mais acontece. Para inverter a situação é preciso disciplina e muita determinação. De ambos. De todos. Não adianta um gastar muito, “fritar” o salário e o outro ficar responsável por sanar as dívidas da família e por planejar seus movimentos de patrimônio. Por que será que ninguém pensa nisso antes de casar? Bom, aqui vai uma lista do que costuma desequilibrar a maioria dos relacionamentos por ai:

  • Carro: ele (ou ela) possui um carro e você quer, de todo o jeito, ter também o seu. Birra de criança não cola. Será que ele (ou ela) tem condição mesmo de ter o carro? Pergunta errada. Será que o casal precisa do carro dele (ou dela)? E de mais um carro? Por que?
  • Viagens: ela adora viajar e sempre sustenta a idéia do pagamento em seis, dez ou doze parcelas. Deixar de viajar um, dois, três anos para economizar, capitalizar e investir em algo mais interessante para a família não pode ser motivo de cobrança. É ruim não viajar, eu sei. Viajar hoje e não poder viajar nunca mais é pior. Aja com inteligência e deixe a expectativa da sociedade de lado.
  • Shopping: a disciplina exigida para a construção de um patrimônio compartilhado é a mesma que deveria ser usada nos passeios de shopping center. Sacrificar-se um pouco faz parte do processo. Se a casa não tem lugar para 200 pares de sapato ou para 100 ternos, alguma coisa está errada. Pode ser o tamanho da casa. Pode ser o exagero pessoal.
  • Supermercado: o maior erro cometido pelos casais recém-casados é o mal dimensionamento das compras da casa. Faça uma lista, determine as quantidades necessárias e mantenha a lista em constante atualização. Passear pelo supermercado sem saber o que precisa realmente comprar é tudo que os empresários do ramo desejam. Você acaba levando mais do que o necessário, mas esquece de coisas essenciais.

Vou parar por aqui. A mensagem final é simples: vivam o casamento como um casamento. Compartilhem a cama, o microondas, os problemas, as alegrias, as conquistas e o dinheiro. Vençam juntos. Fracassem juntos. Caso tudo isso soe utópico demais, basta procurar um advogado.

Conrado Navarro

Mais informações

Educador financeiro, tem MBA em Finanças pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks) e autor do blog "Você Mais Rico" da Revista Você S/A. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: @Navarro.

Leia todos os artigos de Conrado Navarro

  • Pingback: domelhor.net

  • Ana Paula

    Olá Conrado.

    Texto simplesmente ESPETACULAR! Muitos casais deveriam ler antes mesmo de casar. Acredito que o casamento pode ser muito melhor com todo esse planejamento e compromisso de cada um.

    Acho que estamos bem… e nosso futuro ainda melhor. Você é um namorado lindo, uma pessoa maravilhosa e te amo a cada dia mais!

    Obrigada por ser tão especial!
    Beijos.

  • Cristiano S. Silva

    Navarro,
    Parabéns pelo blog que está cada dia melhor. Texto bastante esclarecedor e norteador para os casais; recomendo o livro: Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, de outra fera da independência finaceira – Gustavo Cerbasi.

  • Cristiano S. Silva

    Navarro,
    Parabéns pelo excelente trabalho feito através desse blog. Artigo muito importante para os casais terem uma vida econômica mais tranquila, e para evitar algumas desavenças. Recomendo o livro: casais Inteligentes Enriquecem Juntos, de outra fera da independência finaceira – Gustavo Cerbasi.

  • http://www.fatorw.com Walmar Andrade

    Li o livro que o Cristiano cita acima e realmente tem algumas informações muito interessantes. O grande lance é estabelecer uma meta em comum e os dois trabalharem juntos para consegui-la.

  • http://www.tikidum.com/blog/category/portuguese-hot-tips Wolney H Filho

    Caro Navarro,

    Muito boa a sua matéria. Especialmente a frase: “Para os conflitos existe o diálogo, para a falta de dinheiro existe o planejamento” – minha esposa e eu adoramos. Dialogar, assim como planejar é sempre um desafio.

    Wolney

  • http://samanthashiraishi.blogspot.com Samantha Shiraishi

    Conrado, parabéns pelo texto, excelentes dicas e uma visão tão madura que nos faz duvidar (brincadeira) da sua carinha na foto e sua idade (li na sua entrevista no Papo de Homem). Sou casada há 11 anos e posso confirmar a maior parte das suas teorias, menos uma: é preciso ter conta privada, pois é como computador pessoal. Não dá para compartilhar, tem seu histórico e é bom manter um pouco de individualidade, mesmo nas finanças. Afinal, como supreender o marido com presentinhos se ele vai saber quanto custou quando olhar o extrato do cartão ou da conta?
    Abraços.
    Sam

  • Navarro

    Pessoal, obrigado pelo feedback!

    Paulinha, linda, você é tudo de bom! Obrigado pela força de sempre! Amo você!

    Cristiano, o Cerbasi é um grande amigo e sempre acompanha o Dinheirama. Tenho certeza de que ele ficará muito feliz com seus comentários, assim como eu.

    Walmar, a idéia do texto inteiro foi resumida perfeitamente por você! É isso ai.

    Wolney, parabéns pela atitude do casal. Isso é raro nos dias de hoje.

    Sam, pode acreditar na carinha de moleque (risos). Adoro ler e minha familia é razão de muito aprendizado. Quando eu mencionei a conta conjunta, disse que ela deve ser usada para o patrimônio conjunto, para os planos a dois, para o que querem construir juntos. No mais, continua existindo sim a vida de cada um (deve existir). Faltou ser um pouquinho mais claro. Você tem toda razão!

    Abraços a todos!

  • http://blog.komeia.com Cesar Felipe Alves

    Navaro

    Parabens pelo post num casei ainda mais ja vo estudando…:) gostei do jeito que vc terminou o post o “se tudo isso soe utópico demais, basta procurar um advogado.” rs

    flw

  • Marcos Oliveira

    Navarro !

    Muito obrigado por ter respondido! Pensei que fosse demorar pra ter uma resposta, mas levei um susto ao acessar o blog e ver que o post do dia referia-se à minha solicitação.

    Mais uma vez, com clareza e simplicidade incríveis, você disse aquilo que eu precisava “ouvir”. Seu blog, como disse, está sendo uma de minhas referências obrigatórias para tomar decisões acerca de nossas finanças.

    Já comprei o livro do Cerbasi e o “devorei” (rs)… também é uma de minhas referências nessa área. Estou começando a colocar os conselhos em prática.

    Parabéns e espero que continue esse maravilhoso trabalho de “consultoria” que presta a todos !

    Abraços e $uce$$o !!

    Marcos.

  • Carmen.

    Eu sou a mãe desse menino.
    É verdade, O Conrado é um menino lindo que ainda “ontem” ficava observando tudo o que eu fazia, perguntando o porquê disso e o porquê daquilo, nunca se contentando com as respostas e sempre querendo saber mais e mais.
    É muito gratificante agora constatar que você, meu filho, através deste blog, consegue resumir em tão poucas palavras tanta experiência de vida, que eu fico aqui, sem saber o que dizer.
    Seja como for, quero que você saiba que eu agora aprendo com você todos os dias…
    Este artigo é de uma sensibilidade rara e traduz exatamente a fórmula que deveria ser utilizada para sintetizar a verdadeira essência do casamento.
    Tá legal que eu não sou nenhuma expert no assunto, mas concordo que casamento bom é aquele em que há uma verdadeira sintonia entre os objetivos de cada um.
    Para quem acha que o advogado possa ser a opção, sugiro que considere que o casamento é uma sociedade civil entre duas pessoas e, sendo assim, por que não tentar rever as cláusulas se o “objetivo social” estiver comprometido? Quem sabe uma alteração contratual não seja muito melhor do que a extinção da sociedade?
    Parabéns.

  • http://samanthashiraishi.blogspot.com Samantha Shiraishi

    Conrado, lendo o comentário da sua mãe dá para entender você. O fruto não cai longe da árvore, não é?
    Carmen, parabéns pelo filho, os meus são assim, questionadores, espero que fiquem como o seu. Abraços.

  • http://arcanjo.org Rafael Arcanjo

    Ah não, elogio da mãe não vale ! :)
    Hahahaha… mas apesar de ser da mãe, é a pura verdade!

    Sir Navarro: Hoje a blogosfera, amanhã o Google!

  • Pingback: Dinheirama - Conquistando dinheiro e lucrando idéias - por Conrado Navarro » Desafio do leitor: Conta conjunta ou não?

  • Lucivaldo

    Estou visitando este site hoje, e estou gostando do que estou lendo. Embora tenhamos uma “coferencia em família”, os encinamentos são bem valiosos. Parabéns, e, continue assim.

  • Raquel

    Excelente colocação. Não se pode ter descaso, egoísmo e nem paranóia. O bom senso sempre sai ganhando. Ótimo Post.
    Obrigada.

  • Derval de Souza

    Um aviso: não enfade seu(ua) companheiro(a) se ele(a) estiver na trilha. E parem de mimar o cachorro…

    Eu deixei de ganhar 1000% com a valorizacao de uma ação que comprei e vendi cedo pq minha ex- ficou azucrinando até eu vender… ganhei 10%, pelo menos…
    Deixei de comprar outra que valorizou 400% em dois anos…

    Ela gostava de gastar com os cachorros. Po, investir pra ficar bem nem pensar, gastar com luxo desnecessário, ok??? Nada feito.

    Felizmente ja me separei dela… :) E refazendo a carteira (ela ficou com quase tudo… :P )…

  • José Marcus

    Olá, Navarro, boa tarde!
    O que fazer, quando se chega na aposentadoria e ainda pagamos contas, juros e nada de sobra?
    Entendo a palavra planejamento e sei que não existe mágica, então, onde buscar equilíbrio e fazer “acontecer”?
    Apresentei (presenteei) seu site ao meu filho de 25 anos e ouvi: Pai, isso é pra quem tem dinheiro… Eu disse: Os exemplos que leu até agora fala de quantias que vc não tem, não temos, mas o conceito é o mesmo… queria ter ouvido e visto isto a 50 anos atrás.
    Sei que o tempo é curtíssimo, mas quero tentar… pelo menos sair do vermelho constante. Tenho chances?

    Abraço.

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Pedro Delgado

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