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Ego, dinheiro e status? Cuidado!

14comentários

Dinheirama - Viver a vida!Cléber comenta: “Navarro, sou jovem e confesso que me preocupo muito com a minha imagem diante das oportunidades e experiências que surgem em minha vida. Sou daqueles que, muitas vezes, compra porque o gerente duvida de minha capacidade de pagamento ou porque um amigo tira uma onda comigo. Claro, me arrependo em seguida. Não sei se é o status que move esse desejo de consumir ou se é mesmo a desinformação. Gostaria de algumas dicas no sentido de organizar melhor meu raciocínio financeiro. Nem eu entendo direito o que vem acontecendo, portanto não se preocupe se não puder responder. Obrigado”.

Cléber, obrigado pela visita. Você usou duas palavras importantes no seu questionamento: status e desejo. Será que você não está só representando a expectativa da sociedade e de seus amigos, deixando de pensar no verdadeiro Cléber e no que ele realmente precisa para viver e ser feliz? Repare, a questão tem mais apelo pessoal, de atitude e de comportamento que de educação e planejamento financeiro. Antes de aprender a gastar seu dinheiro, precisa aprender a respeitá-lo. Mais, precisa aprender a enxergar sua vida de forma mais coerente e inteligente.

Por que não curtir as diferenças?
A sociedade caminha para a banalização da diferença. A institucionalização de crenças, valores e referenciais de sucesso é perigosa para a necessária parcela individual do cotidiano. As pessoas tentam, de maneira muitas vezes irracional, ser o outro, ser como o outro. Será que o outro é realmente mais que você? Por que? Ele tem mais? Ele é mais? Qual o referencial usado para responder essas perguntas?

O espaço para o crescimento pessoal acaba por dar espaço ao ritual de inserção forçada na sociedade, onde preconceitos ridículos criam fronteiras (para não dizer barreiras) capazes de segregar, sem nenhum pudor, emoções e valores pessoais importantes. Essa mudança de prioridades traz inúmeros problemas ao bolso dos brasileiros, que passam a viver cada vez mais “enforcados”. O outro tem tudo. Pode tudo. Será que é só isso? Que tal pensar em como ele lida com o dinheiro, como ele gerencia seu fluxo de caixa? Será que ele investe? Em que?

Um outro parcial, superficial!
O problema se agrava. Não queremos ser o outro que trabalha, mas usufruir do que o outro tem. Não queremos entender do que o outro entende, mas ter a popularidade que o outro tem. Isso não é desejo. Não pode ser. Quando a gente quer, a gente corre atrás, aprende, estuda, erra, acerta, ensina. Desejar é, acima de tudo, um enorme esforço emocional. É saber que aquilo só vai acontecer se merecermos e trabalharmos duro. Desejo é oportunidade, não frustração.

Ninguém admite o desejo de ser o outro. Tudo bem. A diferença está na coerência de atitudes em busca da realização do ambicioso objetivo. Portanto, fica fácil perceber quem quer apenas “ser” e quem se espelha e luta para chegar lá. Com o dinheiro, não é diferente. Nada vai cair do céu Cléber. Não vai “chover dinheiro”, não vai “chover conhecimento” e nem boas oportunidades. Você anda preferindo o status em detrimento da oportunidade. É hora de repensar.

Status é importante?
Claro que é. Como sabem, odeio hipocrisia. O ser humano é movido por muitas forças e uma delas é o ego. Sim, o ego. Status é bacana, fala sério! Quem não quer ser reconhecido, ser tido como uma referência, ser respeitado, comentado? Todos queremos. Eu quero. O problema está em fazer dessa necessidade um projeto de vida, viver em função do status. Desfrutá-lo depois de um merecido esforço é uma coisa, criar um status artificial é outra. Ter dinheiro não tem nada a ver com ter status, embora muitos façam essa perigosa associação. Sinto desapontá-los, mas status é muito mais que isso.

Neste sentido, deixo algumas contribuições que direcionam minhas atitudes cotidianas:

  • Respeite o dinheiro. Não subestime o poder do dinheiro e sua capacidade de gastá-lo. Reflita mais sobre seus atos financeiros e passe a se preocupar com o aspecto de planejamento de médio e longo prazo;
  • Conheça e viva a SUA realidade. Muitos não admitem viver fora do possível. Isso não é bom. Mas pior são aqueles que sequer conhecem a sua realidade. O exemplo que gosto de usar é: se você ganha R$ 300,00 e quer andar num carro de R$ 30.000,00, não dá. O mesmo acontece com alguém que ganha R$ 3000,00 e quer andar em um carro de R$ 300.000,00. É um passo muito grande e ponto! Passo possível, é verdade, mas perigosíssimo. Viva a SUA vida.
  • Aprenda sobre dinheiro e investimentos. Pare de culpar seu ego ou seu emocional e transforme a desculpa em atitude. Direcione sua energia para a formação de patrimônio cultural e conhecimento. Trate de aprender a lidar com o mercado, suas armadilhas e boas oportunidades. A realização de um desejo passa, obrigatoriamente, pela fase de aprendizado.
  • Tenha um hobbie. Aproveite as horas vagas e faça algo que lhe dê prazer. Divirta-se. É nas horas vagas que surgem as melhores idéias e as oportunidades mais incríveis de auto-conhecimento. Experimente.
  • Poupe e pense no futuro. Viver hoje, agora é uma delícia, eu sei. Mas essa história de “amanhã é outro dia” é romântica demais e não combina com estrutura financeira. Uma dívida hoje terá que ser paga amanhã. Não tem choro! Da mesma forma, uma economia hoje pode se transformar em um grande investimento amanhã. O amanhã é o hoje, daqui a pouco. Preste atenção.

Fico por aqui, acabei escrevendo demais (pra variar né?). Não se deixe levar pela imagem gerada por seu suposto patrimônio externo. Pense mais em você, no que você realmente quer e merece. Viva a sua vida, com o SEU dinheiro. Ostentar coisas é uma triste tentativa de ser mais do que se é, de ser notado pelo material, não pelo conteúdo. Com dinheiro, a coisa fica pior. Se tem dinheiro, tem amigos. Sem dinheiro, sem nada. Quem precisa de status assim?

Crédito da foto para Marcio Eugenio.

Conrado Navarro

Mais informações

Educador financeiro, tem MBA em Finanças pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks) e autor do blog "Você Mais Rico" da Revista Você S/A. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: @Navarro.

Leia todos os artigos de Conrado Navarro

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  • Juliano

    Quando a gente quer status, de certo modo queremos ser admirados e respeitados pelos outros. Acredito que se você for firme naquilo em que VOCÊ acredita, o seu amigo e o seu gerente podem até não demonstrar (não dar o braço a torcer), mas no fundo, vão te respeitar mais por agir assim. Você vai demonstrar que tem uma personalidade forte e sabe o que quer. De certo modo, será uma forma de conquistar o respeito e a admiração.

  • Baduel

    HEHEHE eu enfrento o mesmo problema ….a questão do status ….Agora com um pouco mas de vivência estou aprendedo a lidar com isto agora tenho que começar a apredenr sobre finanças e investimentos….To colado no dinherama pra ve se aprendo !

  • http://nao2nao1.com.br Gustavo Gitti

    Grande Navarro… Sou seu fã porque você fala em dinheiro sem perder a humanidade, sem perder a qualidade da vida, os relacionamentos.

    Muito bom, muito bom! Tá no blogroll já.

  • Ismael

    Grande Navarro!

    Gosto quando você aborda o aspecto mais psicológico do dinheiro. A maneira como pensamos e agimos é determinante no caminho para o sucesso financeiro. Seus textos fazem refletir e muitas vezes me levam a rever ou confirmar algumas de minhas próprias concepções.

    Seu trabalho continua excelente!

    Abraço.

  • Jarbas

    Ótimo texto !

    Navarro, foram importantes as suas colocações, já que infelizmente vivemos em um momento que as pessoas são valorizadas somente pelo ter, pelo aparecer. Vemos pessoas escolhendo profissões somente pelo status e dinheiro, esquecendo o que são realmente, e importando somente o que a “sociedade” pensará.
    Um abraço.

  • http://www.weblivre.net Filipe

    Como sempre, genial o artigo Navarro. Parabéns!

    Não me lembro onde ouvi ou li, que um gerente de vendas de uma empresa começou a observar que todos os faxineiros da empresa em que ele trabalhava tinham celulares mais modernos que o dele.

    Tinham por que podiam? Magina…Tinha por que a loja fez em 24 vezes “sem juros”, olha só: SEM JUROS! rs (como pode as pessoas caírem nisso ainda?)

    Sem falar nos financiamentos de carros, que para mim é um assalto sem arma, ou melhor, com arma: os juros altos!

    Acredito que estes dois mercados, tanto o de celular quanto o de veículos, são os que mais podemos ver as compras impulsivas e por status.

    Abraços Navarro.

  • http://dinheirama.com Ricardo Pereira

    Satisfazer o ego, é algo que tem os dois lados.
    Já pensou que chato seria se não fizemos nenhuma concessão aquilo que nos motive, ou seja um grande sonho?
    O problema nisso tudo, não é satisfação ou status, e sim a maneira utilizada para se conseguir isso. Que mal tem, alguém comprar um bom terno de grife, ou um rolex?
    O mal ou o bem se chama planejamento. Não vale a pena a satisfação em detrimento de sua saúde financeira.
    O quão horrível é ver os seus credores batendo a porta, ligando em casa ou no trabalho.
    Financiamento sem juros muitas vezes são armadilhas. Se programe, junte dinheiro e compre seu rolex a vista, com desconto. Seu ego vai agradecer, e seu bolso também.

  • http://endinheirado.wordpress.com Arthur Gouveia

    Acho que não há mal nenhum em satisfazer o ego. Acho que o problema é fazer algo para satisfazer o ego dos outros! Navarro, parabéns por mais um artigo complexo, polêmico, claro e objetivo. Tá ficando profissional hein rapaz?!?!?!?!

  • http://www.blogdoluiz.com Luiz Valério

    Querer ser mais do que somos realmente é um problema.
    Quando a busca de satisfação material tira o foco do planejamento, instala-se o caos na vida de qualquer pessoa.
    Eu estou aprendendo a não dar um passo maior que a perna. Investir em nosso talento, através do estudo e do consumo de bens culturais é um bom caminho para crescer enquanto pessoa. O sucesso e o prestígio acabam vindo com o tempo. E sucesso não é exatamente dinheiro.

  • http://www.andafter.org Moskito

    Como sempre de parabéns Navarro.
    Teu post me lembrou muito o livro “O motorista e o milionário”, cada coisa no seu tempo. Nada de colocar a carroça antes do boi, o consumismo não pensado pode destruir a vida financeira de qualquer um.

  • http://alessandrasouza.blogspot.com Alessandra

    Ótimo artigo, Navarro. É realmente complicado quando as pessoas começam a achar que elas são as coisas que elas têm. Eu sou muito mais que as coisas que eu tenho, as roupas que eu visto, o carro que eu dirijo. Acho que isso de “não fazer feio” para os vizinhos é a maior razão pela qual a classe média vive endividada. Pessoas com essa fome de reconhecimento, sem perceber, trocam projetos por aparências.

    Sinceramente, eu prefiro usar roupa de outlet, dirigir um carro popular (flex) e cortar o cabelo em salão de bairro, mas me aposentar tranquila com 40 anos, do que viver hoje glamourosa e perdulária e ter que trabalhar como uma maluca para fechar as contas até depois de velha.

  • Luciano

    Achei muito interessante a resposta para a pergunta: “Status é importante?”. Sem dúvida, mas viver para os outros nos verem somente pelo que temos, deve trazer à tona um sentimento de vazio. Portanto, tentar relaxar e aproveitar cada instante, significa que o dinheiro pelo dinheiro não é viver. Acredito que desta maneira, a vontade de gastar dinheiro só para mostrar às pessoas que você o tem deixar de exisitir. “Gaste, mas gaste somente se isso for fazer alguém feliz.”

  • http://endinheirado.wordpress.com Arthur Gouveia

    Luciano,

    Realmente status é importante. As pessoas gostam quando são elogiadas, admiradas, queridas. Agora, eu gostaria de alterar sua última frase…

    “Gaste, mas gaste somente se isso for fazer VOCÊ feliz!”

    Meio egoísta? Talvez. Mas no meu caso agradar minha esposa, ajudar meus pais, meus afilhados e minha família me faz feliz. Se isso envolver dinheiro, tudo bem. Mas não faço nada, absolutamente nada pelos outros.

  • http://reflexoeseperdadetempo.blogspot.com Enio Luiz Vedovello

    Perfeito como sempre, Navarro!

    Um tio da minha esposa tem uma frase que eu gosto muito, e creio que se encaixa no que foi dito por você: “Todo mundo vê os tragos que eu tomo, mas ninguém vê os tombos que eu levo”. É normal as pessoas se deixarem seduzir pelos aspectos glamurosos “externos” da vida de uma pessoa bem sucedida, mas não querer saber o quanto custou (em trabalho, preparo, busca de oportunidades, etc) para a pessoa chegar lá.

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Quem já falou do Dinheirama?

No Brasil, se eu pensar em blog de finanças pessoais, a primeira idéia que vem à cabeça é Dinheirama. Parabéns e sucesso para vocês!

Humberto Veiga

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