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Inflação: será o arroz o grande vilão?

Publicado por Ricardo Pereira em 25.04.2008 na seção Economia Geral

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Como a alta dos alimentos influencia nossa vida?A forte alta nos preços dos alimentos, ocorrida especialmente nos últimos anos, começa a chamar a atenção pelos efeitos sentidos no mundo todo. Sobre a questão, algumas situações e implicações demonstram o quanto ainda temos que avançar sob os aspectos macroeconômicos[bb]. Um dos pilares desse aumento é a diminuição da pobreza – principalmente nos paises emergentes – onde a população passou a ter acesso mais decente ao básico para a boa vida humana: a alimentação.

Traduzindo, há um forte aumento da procura (demanda) por mais alimentos. Tal demanda não foi acompanhada – ao menos não na mesma proporção – pela oferta. A produção mundial ficou “estagnada” e foi até reduzida em alguns países, principalmente quando falamos em alimentos básicos como arroz, feijão, milho etc.

Na América Latina, o Brasil se destaca!
Olhando para a América Latina, os analistas concordam com os prognósticos dos órgãos financeiros multilaterais, como o FMI, o Banco Mundial e o BID, para quem a região está mais bem preparada para enfrentar crises econômicas do que em épocas anteriores. Entretanto, é necessário que os governos tomem posições que garantam a viabilidade de uma política austera e sóbria, não deixando pairar dúvidas sobre a credibilidade do sistema.

Na Argentina, por exemplo, as medidas restritivas para exportação do trigo colocam em xeque a viabilidade desse cultivo, já que no “melhor da festa” para os agricultores, no momento em que seria possível aproveitar melhores preços no mercado internacional[bb], o governo simplesmente proibiu a exportação para tentar reduzir o preço do produto no mercado interno.

O que em um primeiro momento parece a luz no fim do túnel se torna o melhor incentivo para que os agricultores rumem em outra direção, em busca de outros tipos de cultivo, deixando diminuir as futuras safras e sua produção. É uma equação um pouco mais complicada, mas podemos considerar esse ato como uma bomba relógio. Mais cedo ou mais tarde, teremos uma explosão.

O Governo acerta…
No Brasil, o Ministro da agricultura, Reinold Stephanes, descarta (a não ser em casos extremos) qualquer tipo de medida restritiva para exportação. No caso do arroz, por exemplo, a safra brasileira atual garante a demanda interna e ainda possibilita um incremento nos negócios fora do país. Vale lembrar, é verdade, que o mercado de arroz ainda é fundamentado no consumo nacional.

Algumas medidas, entretanto, já estão sendo anunciadas para tentar diminuir a pressão sobre os preços. A primeira será justamente o leilão de arroz do estoque federal, marcado para acontecer no dia 5 de maio. Inundando o mercado com seus estoques, o governo quer ver os preços baixarem. É uma medida natural. Se necessário, novos leilões serão realizados.

Enquanto isso nos EUA…
Se por aqui tudo parece sob controle, o mesmo não se pode dizer do que vem acontecendo no mercado internacional. Muitas manifestações populares estão acontecendo mundo afora, especialmente nos países mais pobres.

O medo e a apreensão sobre a possível falta do arroz têm causado um fenômeno raro na história norte americana: as duas maiores redes atacadistas do país limitaram a compra de arroz. A chamada histeria coletiva estava levando as pessoas, indústrias e restaurantes a montar estoques do produto, piorando mais a situação e aumentando ainda mais a escassez.

Sobrou para o biocombustível…
O biocombustível foi (ainda é) criticado e apontado como um dos responsáveis pela queda na oferta dos alimentos no mundo. É preciso separar o joio do trigo. Ou melhor, do milho. Nos Estados Unidos, o biocombustível é produzido a partir do milho.

A utilização do combustível verde oriundo do milho refletiria no preço de um produto (milho) que é importante para a ração animal, aumentando aí o preço de toda uma cadeia, que vai da carne dos animais a todos os derivados do leite.

Diferentemente dos EUA, aqui no Brasil utiliza-se a cana de açúcar para extração do álcool. O grande ‘X’ que se coloca sobre a nossa opção tem relação com os possíveis impactos ambientais, especialmente sobre o desmatamento.

É de se estranhar que as organizações internacionais não se pronunciem sobre a alta do preço do petróleo, sem considerá-lo como um dos principais atores nesse atual momento de inflação mundial. Vale lembrar que sua alta influencia diretamente os processos agropecuário e logístico (transportes), que encarecem o preço final dos alimentos.

Um 2008 caro pela frente!
Espera-se, por aqui e por lá, um 2008 repleto de preços altos. Ao consumidor, vale lembrar que uma das alternativas é a substituição de alimentos muito caros por marcas diferentes ou até mesmo por outros produtos semelhantes em teor nutritivo. A criatividade[bb] do brasileiro pode fazer a diferença nessa briga contra os preços altos.

Por hora, a movimentação do governo brasileiro parece estar correta, coesa e bem focada. Estamos todos de olho nos movimentos dos mercados, tentando trazer o noticiário econômico de forma didática e fácil de entender. Fico por aqui. Bom final de semana.

——
Ricardo Pereira é Analista Financeiro Sênior da ABET Corretora de Seguros, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Crédito da foto para Marcio Eugenio.

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8 comentários
  1. Imagem do comentarista
    Roberto S. Neves

    Excelente artigo Ricardo e Navarro. Parabéns, agora finalmente entendi um pouco melhor alguns “porquês” de toda essa alta de preços, os reflexos disso tudo e os temores que rondam os biocombustíveis.

    Dinheirama, a tradução da economia, o suporte para o crescimento pessoal e financeiro (Navarro, seus artigos são fantásticos) e o local para aprendermos mais sobre riqueza. Valeu turma, continuem sempre por aqui! Abs.

  2. Imagem do comentarista

    Sobre a questão do etanol brasileiro e os alimentos, eu também sempre acreditei no argumento brasileiro, até que…

    minha mãe é uma pessoa simples do interior, mora em Inhumas, um polo do etanol em Goiás. Ela - e principalmente meu padrasto - possuem contatos com alguns pequenos produtores da região, seja de açúcar, seja de outras culturas.

    Ontem numa conversa com ela, ela afirmou que o álcool brasileiro será um problema a longo prazo, isso porque os produtores da região dela estão todos migrando para a produção de açúcar devido à rentabilidade e, principalmente, ao fato de que o veneno jogado por avião afeta a outras culturas de forma negativa.

    Ou seja, se você não vai pelo amor, acaba indo pela dor. E para piorar, a cana-de-açúcar é uma cultura que “estraga” a terra em menos anos que outras culturas.

    Longe de mim querer entender mais que a Embrapa, mas esses pequenos agricultores e pessoas simples do interior possuem uma sabedoria invejável nesse assunto.

    Mas de qualquer forma, ainda assim o álcool brasileiro é melhor opção que o álcool de beterraba ou de milho, e ainda melhor que o petróleo, né?

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    João Henrique Amorim

    O que o colega anterior apontou era exatamente a minha dúvida. No artigo você falou que a proibição da exportação de arroz na Argentina faria com que os produtores migrassem para a produção de artigos mais rentáveis. O argumento deveria ser o mesmo para o Brasil: o estímulo grande à produção da cana-de-açucar deveria fazer com que outras culturas alimentícias fossem abandonadas.

  4. Imagem do comentarista

    Bom, eu cometi o erro de dizer “açúcar” diversas vezes quando queria dizer “cana-de-açúcar”, devido à pressa e falta de atenção ao digitar.

    Portanto, quando me referi ao “açúcar”, eu queria dizer na verdade “cana-de-açúcar”.

  5. Imagem do comentarista
    Roberta Pereira

    Olá Roberto, muito obrigado pela sua gentileza ao comentar sobre o artigo, valeu!

    Marinho, como vai? A sabedoria do povo do interior que lida desde bem pequenos com a terra é fundamental quando pensamos no bem da agricultura brasileira.

    João Henrique, obrigado pela presença aqui no Dinheirama, muito pertinente sua colocação. Mas observe como tudo tem um outro lado. Imaginemos como você menciona que devido aos bons preços conseguidos com a exploração do Etanol outros agricultores partissem para essa cultura. Teríamos dessa forma aumentado a produção desse “produto” consequentemente aumentando a oferta.

    Segundo a lei da oferta e da procura, se a oferta for muito maior do que a procura, os preços teoricamente abaixarão, deixando a atividade de ser tão lucrativa.

    É obvio que também não é tão simples assim, existem muitos fatores envolvidos, mas conseguimos com exemplo imaginar a situação.

    Abraços

  6. Imagem do comentarista
    Reinaldo

    ñ é só isto, tmbm os terremotos creio eu que é a extracão de petroleo fazendo uma clatera bem debaixo de nós, e o lencol freatico tupy guarani, que int de são paulo inteiro sta extraindo agua e usando lavar carro !!!! sera que nao estava na hora das contratadas fazer 2 redes paralela, uma agua cloro e fluor, e outra apenas tratada do esgoto para limpeza !!!!!!!!
    com certeza pessoal da extracão de petroleo vai falar que naum tem logica terremoto c/ petroleo. !!!!
    como fica estas claterá? els enche de terra? ou agua !!!
    a gravidade das placas com petroleo, antes e depois.
    Grato

  7. Imagem do comentarista
    Eduardo

    A culpa é da monocultura de cana de açucar.

  8. Imagem do comentarista

    [...] “Protect The Skin You’re In” - Saber é Bom Demais!! Martha Narvaz - Esculacho & Simpatia Inflação: será o arroz o grande vilão? - [...]

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