11 mai Finanças Pessoais

Inteligência emocional: dinheiro como consequência

“Pensar é o trabalho mais pesado que há, e talvez seja essa a razão para tão poucos se dedicarem a isso.” – Henry Ford É muito difícil aceitar que pensar dá trabalho. Principalmente porque chegar a tal conclusão também dá trabalho! Não que eu considere Henry Ford um exemplo de gestão, mas é preciso reconhecer […]

por Conrado Navarro
há 5 anos

Inteligência emocional: dinheiro como consequência“Pensar é o trabalho mais pesado que há, e talvez seja essa a razão para tão poucos se dedicarem a isso.”Henry Ford

É muito difícil aceitar que pensar dá trabalho. Principalmente porque chegar a tal conclusão também dá trabalho! Não que eu considere Henry Ford um exemplo de gestão, mas é preciso reconhecer seu espírito empreendedor e sua contribuição para a administração[bb]. Preferindo agir na automação de suas fábricas, Ford deu inestimável contribuição para os conceitos de produtividade e qualidade discutidos no século passado – o fordismo foi um divisor de águas. Portanto, há muito valor na frase que abre este artigo.

Por pensar compreendo o ato de tomar decisões de maneira minimamente razoável e consciente, sem que apenas a emoção pontue a palavra final. Porque pensar é também planejar e agir conforme conhecidas e estudadas conseqüências – ou mesmo temores. Decidir por decidir, com toques da intuição e representando a necessidade de agir soa romântico, faz bonito em obras de auto-ajuda, mas mostra-se atitude pouco eficiente na vida da grande maioria, representada justamente por aqueles que precisam pensar mais.

O assunto é vasto e encampa discussões nas áreas filosófica, prática, financeira, pessoal, profissional e familiar. Minhas pretensões são mais humildes: que espaço você dá para o pensamento enquanto ato existencial e necessário para uma vida mais equilibrada? Se você prefere uma pergunta menos elaborada, quanto de sua vida está no piloto automático, enquanto importantes decisões são simplesmente ignoradas ou repassadas a terceiros? Você tem pensado ou prefere apenas agir sem avaliar os “arredores”? Agora leve a reflexão para o lado financeiro. Pois é, o diagnóstico é preocupante, não?

“Se o dinheiro for a sua esperança de independência, você jamais a terá. A única segurança verdadeira consiste numa reserva de sabedoria, experiência e competência.”Henry Ford

Ford reaparece com outra frase interessante. É no mínimo paradoxal observar um capitalista tão fervoroso dedicar palavras tão sensíveis ao tema dinheiro. Como é paradoxal observar inúmeros brasileiros vivendo, deliberadamente, problemas financeiros recorrentes, ainda que tenham plena consciência de como gerenciam mal suas finanças[bb] e das armadilhas escondidas no crédito fácil. Não me espanta perceber, na prática, que falar de dinheiro seja tão complicado e pouco valorizado. Ainda um tabu, como já disse em outra ocasião.

O que aprender com as palavras de Ford?
Arriscar-me a interpretar o raciocínio de um empresário tão bem sucedido parece uma aventura muito interessante, mas o desafio parece grande demais até para este atrevido blogueiro. Prefiro compartilhar minhas conclusões pessoais sobre a importância de se valorizar o conhecimento e a singular capacidade de pensar que apresentamos, além do papel do dinheiro em nossas vidas:

1. Inteligência emocional é fundamental. O lado subjetivo das decisões que tomamos no dia-a-dia influencia muito aqueles que nos observam e se espelham em nossas atitudes. Leve isso ao convívio familiar e a questão toma grande relevância, afinal os filhos tendem a agir conforme os princípios e valores dos pais. A inteligência emocional[bb] garante que o conhecimento e sabedoria adquiridos no ensino formal sejam plenamente aproveitados.

Pensando no ambiente profissional, cabe citar uma conclusão encontrada pelo Dr. Goleman, grande estudioso e pesquisador do impacto da inteligência emocional no cotidiano:

“As emoções de um líder são, com freqüência, a primeira forma de influência vivenciada pelos colaboradores e formam, portanto, o elemento mais importante para estabelecer o clima organizacional”.

A emoção surge como principal elo entre as pessoas, mas deve ser tratada com cuidado. Através dela deixamos claras nossas intenções, mas também nossos medos. E o que isso tem a ver com dinheiro e a incrível capacidade de pensar? Tudo, afinal é a emoção o motor de muitas decisões financeiras incoerentes, simplesmente porque fazemos dela uma válvula de escape – conceito completamente equivocado, segundo a tese do Dr. Goleman. Inteligência emocional significa também pensar as emoções e transformá-las em benefício para a vida pessoal e profissional.

2. Decidir é preciso. Sair do piloto automático significa aceitar que o atual estágio da vida existe porque simplesmente decidimos abrir mão do direito de decidir – o que, em essência, também representa uma decisão. Ao escrever este texto tão diferente, abordando questões nem sempre triviais e de interesse de todos, pretendo apenas alertá-lo para a necessidade de repensar algumas áreas de sua vida, dando especial destaque para as decisões financeiras que você comumente toma sem dedicar merecida atenção.

3. Dinheiro é conseqüência. Sucesso financeiro é relativo, como bem pontuou Henry Ford em suas frases aqui citadas. Mas, sem que haja esforço no sentido de melhor avaliar as possibilidades de investimento, compra e venda de bens e ativos, é impossível construir um patrimônio sólido e duradouro. Isso significa incorporar três hábitos básicos em seu cotidiano: pensar, estudar e negociar. Quem pensa, sabe o que deve ou não estudar e por que. Ao negociar, aprende-se a valorizar a futura conquista. Segundo Dr. Goleman, trata-se da inteligência emocional aliada ao bom senso e conhecimento. Esta parece ser uma boa definição para vencer.

Há quem diga e defenda que não se pode ter tudo na vida. Deve ser verdade, mas a minha tese é mais simples: ter o possível só é possível com planejamento[bb], decisões inteligentes, estudo e muito bom senso. Nem sempre teremos serenidade e disciplina para agir conforme estas regras, mas esconder-se atrás da cortina das desculpas só fará aumentar a angústia diante de problemas financeiros cada vez piores. Sair do piloto automático e mudar é, antes de tudo, uma questão de força de vontade e atitude. Porque pensar dá trabalho, mas o resto se aprende.

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Conrado Navarro
, educador financeiro, formado em Computação com MBA em Finanças e mestrando em Produção, Economia e Finanças pela UNIFEI, é sócio-fundador do Dinheirama. Atingiu sua independência financeira antes dos 30 anos e adora motivar seus amigos e leitores a encarar o mesmo desafio. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente.

Crédito da foto para stock.xchng.

Conrado Navarro

Educador financeiro, tem MBA em Finanças pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros "Dinheiro é um Santo Remédio" (Ed. Gente), “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks), autor do blog "Você Mais Rico" do Portal EXAME e colunista da Revista InfoMoney. No Twitter: @Navarro.

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  • http://www.monthiel.com Monthiel

    Navarro, não desmerecendo os outros artigos que já publicou nesse blog, mas, na minha humilde opinião, esse foi o melhor de todos. Artigo sensacional.

    Gostei muito do trecho:
    “Há quem diga e defenda que não se pode ter tudo na vida. Deve ser verdade, mas a minha tese é mais simples: ter o possível só é possível com planejamento[bb], decisões inteligentes, estudo e muito bom senso.”

    Concordo plenamente.

    Confesso que sou desorganizado com dinheiro e tenho tanta dívida que se eu chamar alguém de “meu bem” o banco toma, mas o fato é que estou aprendendo. Estou eliminando as pequenas primeiro e guardando pouco dinheiro mensal para quando as pequenas acabar, ter uma grana já guardado para dar início ao extermínio das grandes. E, ao mesmo tempo, ainda estou guardando dinheiro para uns projetos pessoais.

    Organização é a chave, e quem não a tiver, está completamente perdido.

    Forte abraço,
    @Monthiel

  • http://www.flickr.com/photos/wilben Wilben

    Educação financeira, é realmente uma vertende da educação que não se é ensinada no ensino tradicional aqui no Brasil.
    Muito bom o seu blog, está de parabéns, diversos textos são muito úteis para quem decidiu abrir o olho em um certo momento da vida.

  • Jean

    Cara texto extraordinário!! Eu arrisco dizer que precisamos de mais textos relacionados a inteligência Emocional na parte das finanças no seu blog : )

  • André

    Olá Navaro, o sr ministra cursos de educação financeira, também no Rio de Janeiro, se sim, aonde posso ficar por dentro da sua agenda? Deus o abençoe.