Dinheiro fácil: ingenuidade ou ganância humana?
Publicado por Bernadette Vilhena em 19.5.2010 na seção Educação Financeira
Outro dia recebi um e-mail muito oportuno do Rodrigo Silveira, colega de equipe no Dinheirama. Sendo o tema de interesse geral, “dinheiro fácil e ganância humana”, os nossos e-mails trocados viraram um artigo que será compartilhado com todos vocês. O desejo é que todos pensem no tema e fiquem atentos aos golpes aplicados diariamente por pessoas sem a menor educação financeira. Veja o que disse o Rodrigo e, em seguida, minha resposta:
“Um dia você está andando pela rua, quando alguém esbarra em você. O cidadão pede desculpas e começa a puxar conversa. Bom de papo, ele conta uma historia e diz que está com um problema. Ele tem um cheque e precisa trocá-lo, mas não tem conta corrente, o cheque está cruzado e, na verdade, ele nem precisa de todo aquele dinheiro
, apenas de parte. Se você for bondoso suficiente para ajudá-lo, pode ficar com o restante e compensar o cheque.
Conhece esta história? Conhece alguém que já passou por algo assim? Acredite, existem muitos golpes com esse mecanismo e tal episódio é mais comum do que imaginamos.
São os golpes! Este tipo de notícia parece não abandonar os programas jornalísticos e a maioria deles parece piada depois de relatado. Todos concordam que é difícil acreditar que, em plena era da informação, alguém possa ser vitima de golpes tão grosseiros. As variações são muitas: bilhetes premiados, empréstimos com depósito em conta, cheque cruzado, pirâmides, venda de produtos com alta margem de lucro, ouro velho e muitos outros.
A estrutura do golpe também é sempre a mesma: dinheiro fácil mediante uma quantia menor entregue ao golpista. Claro que, na realidade, não existe nenhum dinheiro no que ele oferece. A idéia não é descrever os golpes, mas sim discutir o que leva o ser humano a acreditar que será “premiado” com quantias elevadas de dinheiro simplesmente por “pura sorte” ou “bondade”. Somos assim ingênuos?
O dinheiro tem o poder de despertar sonhos instantâneos. Pois é, antes mesmo de o dinheiro estar na nossa conta corrente, já imaginamos a prestação quitada, o carro novo, o presente para a namorada
- isso parece tampar os olhos para a realidade e os ouvidos para os conselhos. Sem perceber, passamos o poder para o outro lado, a lábia de golpista.
Aparece a importância do conhecimento financeiro. Todos sabemos o quanto é difícil obter uma boa rentabilidade sem um risco controlado; para refrescar a memória, temos a poupança para consolar com seu 0,5% garantido ao mês. Então, por que e como alguém oferece algo tão rentável, sem nenhum risco? Ainda mais pedindo apenas que você o ajude, em uma simples participação. Estranho, não?
Parece-me que a(s) oportunidade(s) deve(m) estar associada(s) a algo concreto, pensado e planejado com paciência e também avaliado sob o aspecto da sustentabilidade do negócio e no longo prazo. No mais, olho vivo! Bernadette, acho que uma discussão envolvendo ganância, bondade e oportunidades pode agregar muito valor ao nosso leitor. O que pensa sobre isso?" (Rodrigo)
Minha resposta
Rodrigo, a criação do dinheiro facilitou a vida dos indivíduos e a expansão comercial. Ele facilita as trocas de bens tangíveis e intangíveis promovendo a interação, sendo um elemento de vivência social. Mas ele também pode causar a anti-riqueza, tão bem relatada por você em seu texto.
Esses golpes são fruto do desequilíbrio dos indivíduos quando envolvidos pelo fascínio e poder, vício e ganância. Quem é seduzido pelos golpistas acaba sendo vítima não só do bandido, mas de sua própria ilusão. É óbvio demais para ser verdade – dinheiro fácil –, mas a armadilha da satisfação imediata dos desejos arrasta as pessoas para essas ciladas. Como você colocou, o pensamento voa e consegue ver a alegria da namorada ao ganhar um presente ou o próprio alívio ao quitar aquela dívida antiga!
Outro perigo eminente são os falsos seqüestros. Alguém recebe uma ligação e do outro lado da linha uma voz apavorada pedindo socorro! O suposto seqüestrador pega o telefone e pede para pessoa arrumar uma quantia X de dinheiro em troca do ente querido. Está instalada a confusão...
Naquele momento, o primeiro impulso é sair correndo para o banco. Sim, porque esse golpe mexe em nosso psicológico e com sentimentos filiais que não têm preço. Os bandidos sabem dessa fragilidade. A orientação, segundo especialistas em segurança, é manter a calma, desligar o telefone e localizar a pessoa supostamente seqüestrada – e felizmente descobrir que tudo não passou de mais um golpe.
Na maioria dos casos de golpes aplicados, quanto mais o indivíduo tem acesso à educação, mais sua capacidade de crítica aumenta e sua consciência ingênua diminui, reduzindo o risco de cair na tentação desses golpes. Vale lembrar que dinheiro é sempre bem vindo, mas quando é fruto de trabalho, dedicação e merecimento. Desconfiar de quantias de dinheiro fácil é fundamental para proteger-se de golpes cada vez mais sofisticados aplicados no nosso cotidiano. Educação financeira é o começo de tudo!
Crédito da foto para stock.xchng.
Bernadette Vilhena
Pedagoga empresarial, consultora em diversas instâncias da prática educativa nas empresas e autora do livro "Dinheirama" (Blogbooks). Especialista em Gestão de Pessoas e estudos nas áreas de Ergologia, Gestão do Conhecimento e Educação no trabalho.
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Isso me lembrou um e-mail que uma vez recebi de um cara supostamente de um país da África. Contava uma baita história de família e, moral da história, ele tinha uma grande em quantia em dinheiro que estava bloqueada não lembro porquê e precisava de um empréstimo para sair do país, uma vez que saísse, conseguiria recuperar o dinheiro e me daria uma parte como recompensa (lá dizia os motivos do bloqueio e pq ele precisava sair do país pra conseguir recuperar o dinheiro, mas não lembro direito, isso faz uns 10 anos). Na época eu tinha uns 13 anos e aquela história me pareceu absurdamente suspeita (pra não dizer que cheirava a falcatrua de cara), nem lembro se respondi. É o tipo de coisa que cheira mal desde o início, por isso é estranho alguém cair nessas coisas... Mas caem, né...
Ah, lembrei de outro detalhe, ele queria que eu passasse o nro da minha conta pra ele colocar o dinheiro, pois não podia estar no nome dele (lavagem de dinheiro? rsrs)
*Lavagem de dinheiro não, laranja
Liana,
Eu nem abro mais e-mails de quem não conheço pois já recebi alguns semelhantes. Ou então aqueles pedindo ajuda para alguém e colocam a foto de uma pessoa em estado deplorável.
Bernadette,
Se formos pelo lado emocional como você disse, de imaginar o carro, a casa, etc, a chance de caírmos no golpe será bem maior pois quando o emocional fala a razão não tem muito espaço.
Concordo que dinheiro é bem-vindo quando resulta do nosso trabalho, do nosso esforço, quando é merecido.
Sobre o tal sequestro relâmpago, infelizmente a minha mãe passou por um susto desse. Sorte que eu estava em casa. Ouvi um grito quando ela atendeu o telefone, tirei na hora das mãos dela. O desespero no olhar da minha mãe é algo que nunca vou esquecer. Nessas horas não sei de onde eu consigo tirar forças para ter um grande auto-controle. Foi eu ouvir a voz da pessoa eu já sabia que não era meu irmão. Além do que ele tinha ído trabalhar de moto e o indivíduo afirmava que estava preso no porta-malas do seu suposto carro.... Além do que, meu irmão nunca me chama de irmã, mas sempre pelo meu nome. Desliguei e mesmo assim minha mãe não estava acreditando. Liguei para o trabalho do meu irmão e depois de uns 10 minutos quando ele pode retornar a ligação foi que minha mãe se sentiu aliviada pois só assim teve certeza de que ele estava bem.
Eu estava em casa mas e se não tivesse?
Pelo estado em que ficou, não duvido de que teria tido algum problema de saúde em consequência disso, como infelizmente talvez aconteça com várias pessoas.
Alguns mexem com o emocional de uma forma muito forte, outros oferecem grandes quantias em troca de uma pequena parte do suposto dinheiro...
O jeito é prestamos muita atenção para não cair nesses golpes.
Abraços e sucesso,
Muito bom o "artigo conversa".
Descobri blog a pouco tempo pelo twitter, e tenho acompanhado as publicações, vocês estão de parabens pelo trabalho.
A respeito desta materia, é comum uma pessoa se deixar iludir por falsa "sensação de ganho". Infelizmente é so falar de alguma vantagem que as pessoas esquecem de tudo, inclusive do que seria racional e acabam virando vítimas da sua ganância.
Abraços,
Junior